O agronegócio corresponde, atualmente, por 31% do PIB catarinense – Foto: Wenderson Araujo/CNA/NDA pandemia do coronavírus atingiu também o universo rural brasileiro, onde vivem as comunidades agrícolas e prosperam as grandes cadeias produtivas da bovinocultura, avicultura, suinocultura, pecuária de leite, fruticultura, olericultura, lavouras de grãos, café, cana de açúcar, cacau etc. Essa extensa base produtiva alimenta a agroindústria, sendo um dos poucos setores de sucesso no mercado internacional. É a locomotiva da economia brasileira que sustenta crescentes recordes de exportações e assegura superávits na balança comercial, onde Santa Catarina responde por mais de 70% das vendas internacionais. O agronegócio responde ainda por 31% do PIB de Santa Catarina.
Avicultura mantém protagonismo no Estado e no Brasil – Foto: Wenderson Araujo/CNA/NDPara o presidente da Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), José Zeferino Pedroso, não há dúvidas de que o agro continuará puxando a economia brasileira como fazia antes da pandemia e como fez, de modo extraordinário, em 2020.
Por isso, a entidade defende que o agronegócio, no campo e na cidade, deve acatar e cumprir as determinações do Ministério da Saúde, da Secretaria da Saúde do Estado e dos municípios, da Vigilância Sanitária e do Ministério da Agricultura, para poder continuar garantindo a segurança alimentar dos brasileiros. Entre as ações adotadas pelo setor pode-se citar o distanciamento social, uso de máscaras e maior rigor na higienização a redução das visitas do serviço de assistência técnica e extensão rural ao mínimo necessário, entre outras medidas. Na agroindústria, onde a matéria-prima produzida no campo é processada, os cuidados foram redobrados, aumentando a confiança no abate de animais, processamento e industrialização de carne. “Essas práticas devem se manter quando a pandemia for superada”, aponta Pedroso.
Suinoculura é um dos destaques do segmento em Santa Catarina – Foto: Wenderson Araujo/CNA/NDA tecnologia como propulsora do desenvolvimento
O presidente da entidade destaca a importância do desenvolvimento científico e do emprego de tecnologia, que se reflete na melhoria da sanidade e no aumento da produtividade, da produção e da qualidade nas áreas da agricultura, da pecuária, da piscicultura, da silvicultura e do extrativismo, entre outros.
A liderança que o Brasil conquistou mundialmente decorreu da associação entre recursos naturais (solo, água, clima) com recursos humanos e uso de tecnologia, sendo que o principal desses fatores é e será a tecnologia. “A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados”. Empresas privadas de setores avançados como a avicultura, suinocultura e os cereais, têm investido em anos de pesquisas, o que permitiu oferecer produtos de vanguarda.
E as novas tecnologias permitem ao produtor um maior controle sobre a produção, otimização dos recursos da propriedade e aumento da lucratividade.
Desafios para o futuro no campo
José Zeferino Pedroso é presidente da Faesc/Senar-SC – Foto: Divulgação/NDA revolução do conhecimento também torna o campo mais eficiente. Por isso, no futuro próximo, será cada vez mais frequente o uso da inteligência artificial, do big data (estuda como tratar, analisar e organizar informações), das impressões 3D, da internet das coisas (uso de sensores para colher dados), blockchain (permite rastrear o envio e recebimento de dados pela internet), automação parcial, identificação e controle por radiofrequência (RFID), realidade aumentada, visão computacional, etc.
“É notório que o emprego articulado dessas tecnologias tem impacto transformador nas cadeias produtivas. Mas a questão central é como viabilizar que o produtor, na condição de pequeno ou médio empresário rural, tenha acesso a todas essas tecnologias”, pondera.
“É necessário pensar em novas formas de financiamento e, ao mesmo tempo, ampliar os canais de transferência de conhecimento entre a universidade pública e o agronegócio”.Outro ponto essencial é qualificar o usuário final – o produtor/empresário rural – para o uso adequado das tecnologias disponíveis e acessíveis.
“Essa deve ser uma prioridade dos formuladores de políticas para o agro. Nesse aspecto, o Sistema S tem sido pródigo na criação e oferta de produtos para formação, qualificação e requalificação profissional”, diz Pedroso.
Por fim, outro desafio é garantir internet de boa qualidade para o desenvolvimento das regiões agrícolas, sem a qual o produtor não terá acesso ao conhecimento científico – seja na forma de tecnologia ou de cursos de capacitação.