Águas de Joinville aprova gratificação de até R$ 178 mil a diretores

O Conselho de Administração e a prefeitura, acionista da empresa, aprovaram gratificação com valor que varia conforme alcance das metas

Juliane Guerreiro Joinville

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Uma gratificação vinculada ao PPR (Programa de Participação de Resultados) da Companhia Águas de Joinville, no Norte de Santa Catarina, permite que os diretores da empresa recebam o valor do PPR mais um “bônus”, soma que pode chegar a quase R$ 134 mil. No caso do diretor-presidente, o valor é ainda maior, podendo alcançar R$ 178 mil.

Gratificação a diretores foi aprovada no Conselho de Administração – Foto: DivulgaçãoGratificação a diretores foi aprovada no Conselho de Administração – Foto: Divulgação

A mudança na estrutura do PPR e a gratificação à diretoria foram aprovadas em uma reunião ordinária do Conselho de Administração, em março deste ano, e posteriormente aprovadas também em assembleia com a prefeitura de Joinville, única acionista da empresa. Com isso, já é válida na prática.

Como em outras empresas, o valor do PPR vai depender dos resultados alcançados pela companhia. Caso a meta seja atingida em 100%, todos os funcionários recebem um salário integral. Já se for ultrapassada e atingir o primeiro nível de elevação, os profissionais ganham 1,5 salário. Se os resultados alcançarem um segundo nível de elevação, cada funcionário recebe dois salários.

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No caso dos diretores, porém, existe uma gratificação extra. Conforme a ata da reunião do Conselho de Administração, “a gratificação será adicional ao PPR recebido, ou seja, os membros da diretoria receberão o PPR mais a gratificação de 02 (duas) vezes o PPR”.

Na prática, isso significa que, se os resultados atingirem o segundo nível de elevação, concedendo dois salários aos funcionários, os diretores podem receber dois salários mais uma gratificação de duas vezes esse valor.

Isto é, no caso do diretor-presidente, que recebe R$ 29.694,62, o PPR pode chegar a R$ 59.389,24, o que, com a gratificação, totaliza um ganho de R$ 178.167,72.

Já no caso dos atuais dois diretores – um administrativo/financeiro e outro técnico -, o valor é um pouco menor. Como o salário é de R$ 22.329,29, o valor máximo de PPR a receber é R$ 44.658,58. Junto à gratificação de duas vezes o PPR, a soma chega a R$ 133.975,74.

A previsão é de que, a partir de junho, a companhia ganhe mais um diretor, uma vez que a Diretoria Técnica será dividida entre a parte de expansão e de operação.

De acordo com Marcelo Hack, integrante do Conselho de Administração, a alteração na metodologia do PPR foi realizada para que a empresa consiga atingir a meta de R$ 180 milhões de investimento para 2022 - R$ 120 milhões a mais do que o investido no ano anterior. “O que vai dar suporte para isso é ter pessoas bem remuneradas e com vontade de fazer”, diz.

Segundo ele, a possibilidade de que o segundo nível de elevação das metas seja alcançado, e assim os funcionários recebam dois salários de PPR, é baixo. “As metas são muito agressivas e a probabilidade de acontecer é baixa, mas o que o conselho mais quer é que aconteça”, ressalta.

Mudanças na metodologia do PPR

O diretor-presidente da empresa, Giancarlo Schneider, explica que houve uma remodelação total do PRR. Antes eram analisados 16 indicadores, enquanto a partir deste ano são quatro: cumprimento do plano de investimento, tempo de resposta, índice de perdas por ligação e índice de cobertura de esgoto.

Valor do PPR depende do alcance das metas - Foto: Kelly Borges/NDTVValor do PPR depende do alcance das metas - Foto: Kelly Borges/NDTV

“A companhia já tinha um programa de PPR estabelecido, mas era absolutamente complexo. Com a simplificação dos indicadores, todo mundo tem visibilidade mais clara do que cada área precisa fazer para atingir os quatro objetivos”, diz.

Neste ano, as metas são coletivas e, assim, o valor do PPR depende do desempenho geral. Para 2023, a ideia é que as metas sejam setorizadas e, no ano seguinte, individuais.

De acordo com Giancarlo, todas as metas foram propostas pelas equipes responsáveis por cada setor e, posteriormente, aprovadas pela diretoria e pelo Conselho de Administração.

Diretores passam a ser contratados pela CLT

Outra mudança envolvendo a Águas de Joinville é em relação à contratação da diretoria, que passa a ser feita pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Até então, apenas funcionários concursados eram contratados desta forma. Na prática, isso significa que os diretores também receberão benefícios, como o 13º salário.

Segundo Schneider, a mudança teve origem em uma demanda judicial, depois que um ex-diretor acionou a Justiça a respeito da forma de contratação. “A partir do momento em que há essa motivação, há a obrigação de entender o que aconteceu e gerar ações corretivas. Uma delas é dar segurança legal para que isso não ocorra mais”, explica.

Para o integrante do Conselho de Administração, Marcelo Hack, a mudança busca garantir mais atratividade para contratar profissionais para a empresa. Segundo ele, em uma busca de profissionais para a nova vaga de diretor, dez dos 14 candidatos desistiram por causa da remuneração.

“A companhia sofreu um pouco com cargos de direção que deveriam ser absolutamente técnicos e foram nomeações políticas. E para termos bons profissionais, precisamos ter atratividade”, fala.

E complementa: “esses diretores passam a ter 13º salário e as contrapartidas do FGTS, além de ter mais estabilidade. Antes, no dia em que terminava o contrato, o diretor saía com uma mão na frente e outra atrás, o que desmotiva as pessoas”.

Essa mudança também já foi aprovada pelo Conselho de Administração e em assembleia com a prefeitura de Joinville, única acionista da empresa.

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