Aipim de Itajaí cultivado em ‘terra preta’ pode ganhar selo de identificação geográfica

Selo pode ser dado ao aipim cultivado em três comunidades de Itajaí: São Roque, Rio Novo (Colônia Japonesa) e Espinheiros

Redação ND Itajaí

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Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, luta para conquistar o selo de identificação geográfica para o aipim plantado na cidade. O selo pode ser dado ao produto cultivado em uma área de 300 hectares em três comunidades: São Roque, Rio Novo (Colônia Japonesa) e Espinheiros.

Aipim de Itajaí pode ganhar selo de identificação geográficaAs áreas de solo turfoso (“terra preta”) são recursos naturais necessários, mas escassos, e demandam atenção para sua manutenção e preservação ambiental – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND

Nas últimas semanas, o Pemi (Planejamento Estratégico do Município de Itajaí), em parceria com a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) promoveu um ciclo de reuniões e debates técnicos sobre o tema com o Sobrae/SC (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina). O objetivo da iniciativa é reconhecer e valorizar a produção do aipim em zonas de turfa na cidade.

O selo reconhece qualidades do aipim cultivado em solos turfosos de Itajaí (terra preta), que só é identificado nas localidades de Itajaí. Este cultivo dá ao aipim alto valor agregado por ter uma qualidade superior.

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O diretor-executivo do PEMI 2040, Alcides Volpato, afirma que a produção de aipim e os derivados em Itajaí, como farinha, beiju, pirão d’água, entre outros, são peculiares da cultura local, e devem ser cuidados e elevados ao patamar de patrimônio material e imaterial do município. “Isso é um legado cultural, social e ambiental para as futuras gerações”, reforça Volpato.

Aipim de Itajaí cultivado em ‘terra preta’ pode ganhar selo de identificação geográfica – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDAipim de Itajaí cultivado em ‘terra preta’ pode ganhar selo de identificação geográfica – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND

Aipim plantado em solo diferente

Antônio Henrique dos Santos, pesquisador da Epagri de Itajaí, as áreas de solo turfoso são recursos naturais necessários, mas escassos, e demandam atenção para sua manutenção e preservação ambiental.

Além disso, estes locais são ricos em polifenóis, que garantem sabor e maciez ao aipim por ter menos fibras. “Sem desconsiderar que os polifenóis são anticancerígenos”, destaca.

Aipim é cultivado em três comunidades de Itajaí – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDAipim é cultivado em três comunidades de Itajaí – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND

Essas particularidades do aipim de Itajaí foram destacadas durante reuniões pelas equipes envolvidas na solicitação da Indicação Geográfica, para preservar o produto, a cultura e a zona de plantio na cidade. A proposta de IG já está em elaboração pela prefeitura, a Epagri e o Sebrae.

Além disso, nesta segunda-feira (17), representantes do PEMI e técnicos da Epagri de Itajaí e Florianópolis se reuniram com o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Valdir Colatto, que acolheu a ideia e deve liberar os recursos financeiros necessários para implementação do processo.

“Precisamos dar prioridade às tecnologias sustentáveis e à agricultura familiar características de nossa Santa Catarina, pois o agronegócio e as commodities são estruturas já consolidadas e que não necessitam tanto do poder público”, destacou Colatto.

Selo deve reforçar qualidade e impulsionar economia local, além de preservar a cultura local – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/NDSelo deve reforçar qualidade e impulsionar economia local, além de preservar a cultura local – Foto: Marcos Porto/Prefeitura de Itajaí/Divulgação/ND

O que é o selo de Indicação Geográfica

Conforme o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), a IG identifica a origem de um produto ou serviço com certas qualidades graças à sua origem geográfica, ou que tem origem em um local conhecido por aquele produto ou serviço.

É uma proteção concedida que, além de preservar as tradições locais, diferencia produtos e serviços, melhora o acesso ao mercado e promove o desenvolvimento regional, produzindo efeitos para produtores, prestadores de serviço e consumidores.

Santa Catarina, por exemplo, já tem outros produtos com Indicação Geográfica. Entre eles: Vales da Uva Goethe, para vinhos e espumantes de Uva Goethe; Banana da Região de Corupá; Campos de Cima da Serra, para o Queijo Artesanal Serrano Brasileiro (que envolve os estados de SC e RS); Mel de Melato de Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro (que envolve os estados do PR, SC e RS); Maçã Fuji da Região de São Joaquim; e Vinhos de Altitude de Santa Catarina.

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