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ANTT e transporte: entidade é contra aumento de custos ao setor de cargas

ANTT se posicionou contra ao aumento do imposto de importação de pneus em audiência na Câmara dos Deputados

CONTEÚDO ESPECIAL, BRANDED STUDIO ND JOINVILLE

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ANTT e transporte: entidade é contra aumento de custos ao setor de cargasO setor de transportes é responsável por conectar produtores e consumidores em diferentes regiões – Foto: Divulgação

O setor de transportes é responsável por conectar produtores e consumidores em diferentes regiões, garantindo que mercadorias cheguem a seus destinos no prazo. Sem ele, o fluxo de bens e serviços seria drasticamente interrompido. Isso resultaria em prateleiras vazias e indústrias paralisadas.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) participou em setembro de audiência pública na Câmara dos Deputados, quando se manifestou contra a proposta de aumento da alíquota de importação de pneus para veículos de carga, que passaria de 16% para 35%.

Segundo a agência, o aumento das tarifas poderia impactar negativamente a operação das empresas de transporte e, consequentemente, o preço dos produtos para o consumidor final devido ao aumento dos fretes. Uma consequência direta seria também o sucateamento das frotas.

O debate no contexto da ANTT e transporte é importante, considerando a relevância do setor de cargas para a economia brasileira e o fornecimento de bens aos consumidores. No caso dos profissionais autônomos no setor, o impacto tende a ser mais evidente, principalmente ao se levar em conta que o valor dos pneus correspondem a cerca de 10% do frete, como pontuou na ocasião o representante da ANTT, José Aires Amaral Filho.

Durante a audiência, o representante da ANTT apresentou dados que mostram como o aumento de custos poderia desencadear uma série de problemas econômicos e como isso poderia diminuir a competitividade das empresas do setor.

Filho destacou que 94% dos 747 mil transportadores de carga registrados no Brasil possuem até três veículos e não conseguem repassar os custos elevados de pneus para o frete. A discussão levantou preocupações acerca da sustentabilidade do transporte de cargas, que é vital para o abastecimento no país.

ANTT e transporte: repercussão no setor

Os caminhoneiros, uma das categorias essenciais para a economia brasileira, discutiram em setembro a possibilidade de uma paralisação nacional em resposta ao debate sobre o aumento da tarifa de importação de pneus.

A ameaça de greve da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e da Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo) se deu pela estimativa de aumento da alíquota de 16% para 35% proposto pela Camex (Câmara de Comércio Exterior). Por sua vez, a Camex reduziu o percentual para 25%.

Os fabricantes de pneus alegaram que essa medida seria necessária para equilibrar a concorrência com os pneus importados, especialmente os asiáticos, mas os caminhoneiros temem que isso levará a um aumento nos custos de frete, como lembra a Conftac (Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e de Cargas).

A greve dos caminhoneiros em 2018 teve um efeito profundo no transporte de cargas. Os bloqueios nas estradas agravaram os custos logísticos e causaram desabastecimento em diversas regiões. Sabendo disso, a ANTT se posicionou contrariamente ao aumento dos impostos sobre pneus.

O setor de transportes é responsável por conectar produtores e consumidores em diferentes regiões – Foto: DivulgaçãoO setor de transportes é responsável por conectar produtores e consumidores em diferentes regiões – Foto: Divulgação

Atualmente, a economia brasileira enfrenta novos desafios. Os preços do diesel aumentaram, afetando a estrutura de custos das transportadoras. A ANTT busca balancear os interesses dos caminhoneiros e das empresas de transporte para evitar crises semelhantes à de 2018.

Vale lembrar que o transporte rodoviário é uma parte significativa da economia nacional, respondendo por cerca de 60% da movimentação de cargas. Além de ser essencial para o comércio interno, o transporte rodoviário conecta regiões e contribui para a competitividade das empresas.

A gestão dos custos operacionais é uma das preocupações dos setores de transportes que poderiam ser desfavorecidos com o aumento do imposto de importação de pneus.

Pisos mínimos nos transportes de cargas

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) realizou audiência pública em novembro com o intuito de reunir informações para a revisão da Resolução nº 5.867/20, que regula os pisos mínimos de frete no transporte rodoviário de cargas.

A sessão incluiu uma apresentação sobre a metodologia de cálculo atual e os resultados de pesquisas de mercado, além de uma análise de impacto regulatório relacionada à proposta de revisão.

O objetivo é estabelecer pisos mínimos de frete que reflitam os custos operacionais, especialmente de combustível e pedágios. Os principais focos são os custos de combustível, a manutenção de veículos e os salários de motoristas.

A ANTT analisará as contribuições recebidas e poderá revisar a proposta antes de finalizá-la em janeiro de 2025.

Debates e desafios relacionados a ANTT e transporte

A proposta de aumento de impostos no setor de transporte de cargas gera o debate de que a maior taxação dos pneus poderá resultar em custos adicionais para os operadores de transporte de cargas.

O setor de transportes e representantes do comércio exterior argumentaram que aumentos significativos nas alíquotas de importação de pneus podem fazer com que empresários reconsiderem suas operações. Com a pressão já existente na logística, mais taxas podem inviabilizar negócios.

As associações de transporte de cargas destacam que, além dos pneus, outros componentes terão custos elevados e podem prejudicar a competitividade do setor.

Perspectivas futuras

A busca por soluções no setor de transportes deve estar alinhada à estabilidade econômica do país. Os desafios incluem a concorrência desleal, que impacta diretamente a competitividade das empresas.

Entre as soluções consideradas, o uso de mecanismos antidumping pode ser uma estratégia viável para estimular a produção nacional. Isso ajudaria a proteger os fabricantes de pneus nacionais contra práticas desleais.

No entanto, o aumento da tarifa de importação pode desencadear um efeito cascata na economia. Com os custos mais altos para a aquisição de pneus, as empresas do setor podem ser forçadas a repassar esses aumentos aos consumidores, o que poderia resultar em uma elevação geral dos preços de produtos transportados.

Essa situação pode, por sua vez, contribuir para um aumento na inflação. Diante disso, o governo considerou uma alíquota intermediária, de 25%, em vez de 35%, mas ainda não está claro se essa alternativa será suficiente para atender às demandas de todos os envolvidos.

Assim, as negociações e discussões em torno do aumento da tarifa de importação de pneus demandam um equilíbrio entre a proteção da indústria nacional e a manutenção da competitividade e viabilidade econômica do setor de transporte.

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