Apenas 25% das empresas com programas de incentivo são dirigidas por mulheres em SC

Iniciativa destinará R$ 1,4 milhão para dar suporte a 24 startups de Santa Catarina, com objetivo de ampliar a participação feminina no empreendedorismo

Redação ND Florianópolis

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A Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) divulgou um levantamento que aponta que, entre as empresas que integram os programas de incentivo, seja financeiro ou social, apenas 25% são lideradas por mulheres. Por isso, a fundação lançou nesta terça-feira (8) o programa “Mulheres+Tec”.

Mulheres poderão aproveitar programa de incentivo ao empreendedorismo – Foto: Fotos: Ricardo Wolffenbüttel / Secom / Divulgação/NDMulheres poderão aproveitar programa de incentivo ao empreendedorismo – Foto: Fotos: Ricardo Wolffenbüttel / Secom / Divulgação/ND

A iniciativa destinará R$ 1,4 milhão para dar suporte a 24 startups de Santa Catarina, com objetivo de ampliar a participação feminina no mercado tecnológico e reforçar o papel de lideranças como fundadoras e gestoras de startups.

Com base na pouca representatividade feminina, o presidente da Fapesc, Fábio Zabot Holthausen, criou uma comissão para analisar os programas de fomento da fundação e o equilíbrio entre os proponentes de projetos.

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Como funciona o ‘Mulheres+Tec’?

As mulheres que empreenderão após aprovação para participar do programa receberão R$ 60 mil para investir na própria startup, além de capacitação realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Serão contempladas quatro empresas das regiões Norte, Vale do Itajaí, Sul, Grande Florianópolis, Serra e Oeste.

“Para incentivar e dar mais visibilidade à participação feminina no ecossistema de TI, nós desenvolvemos esse programa. Podem se inscrever empresas lideradas por mulheres, em que elas sejam sócias e também gestoras”, explica a gerente de Inovação da Fapesc, Gabriela Mager.

Se apenas uma em cada quatro empresas que pedem fomento da Fapesc são lideradas por mulheres, o contexto nacional é ainda mais desafiador. Os números apontam menor participação das mulheres no setor de inovação. Segundo uma das coordenadoras do Programa Mulheres+Tec, Tatiana Takimoto, apenas 7% das startups têm mulheres como gestoras.

Equlíbrio

Muitas vezes, as mulheres enfrentam dupla, tripla ou quádrupla jornada, precisando, ao mesmo tempo, serem pesquisadoras, empresárias, mães e donas de casa, o que emperra o avanço do empreendedorismo feminino.

“Por isso elas não assumem o posto de CEO da empresa e acabam dividindo com os colegas”, explica Camila Nunes, que também coordena o programa.

Para concorrer aos recursos e às capacitações do Programa Mulheres+Tec, é preciso fazer as inscrições até 8 de abril na plataforma da Fapesc. Acesse aqui.

Casos reais

Moradora de Florianópolis, Ana Paula Leite desenvolveu a Mingoo, uma plataforma para turismo guiado por áudio. Ana começou no Programa Nascer, desenvolvido pela Fapesc em parceria com o Sebrae. Depois de aperfeiçoar o projeto e ter um plano de negócios, participou do Inovatur II, também realizado pela fundação junto com a Santur.

Ana Paula submeteu sua ideia inicialmente no Programa Nascer, desenvolvido pela Fapesc em parceria com o Sebrae – Foto: Fapesc/Divulgação/NDAna Paula submeteu sua ideia inicialmente no Programa Nascer, desenvolvido pela Fapesc em parceria com o Sebrae – Foto: Fapesc/Divulgação/ND

“O Nascer me deu o apoio de fazer o plano de negócio, de entender aquela ideia. E o Inovatur está me dando toda mentoria e todo apoio para seguir com essa ideia e a verba também. A verba é o que possibilitou fazer a plataforma, que entra no ar daqui a duas semanas”, destaca.

“A tecnologia é um ambiente mais masculino. Desde que a gente nasce, é enraizado isso na gente. Mas isso não quer dizer que não pode mudar. E esses programas, como o Nascer e o Inovatur, ajudam muito nisso”.

Já Mirian Thizon Berejuck, de Criciúma, também está adentrando no empreendedorismo tecnológico. Engenheira por formação, ela já estava acostumada com ambientes que são predominantemente masculinos.

“Quando iniciei no mercado de trabalho também havia uma relação baixa de mulheres para homens, mas com o tempo foi aumentando. Ainda somos em minoria, mas a diferença vêm reduzindo com o tempo”, confessa.

Miriam foi aprovada no Programa Centelha, o que possibilitou a criação da empresa Medeor, da área de fortalecimento muscular e saúde.