Aumento na conta de luz pode impactar preços em SC

Aneel decidiu reajustar a cobrança extra da bandeira tarifária vermelha patamar 2 e conta de luz vai ficar mais cara para famílias e empresas

Nícolas Horácio Florianópolis

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Senira Madruga Dutra tem uma lavanderia no Centro de Florianópolis há 15 anos. Por mês, em média, ela gasta entre R$ 800 e R$ 900 em energia elétrica. A partir de julho, entretanto, a conta de luz da empresa deve ficar mais alta.

Aumento na conta de luz pode refletir em outros preçosA empresária Senira Madruga Dutra, dona de uma lavanderia em Florianópolis, vai esperar a próxima fatura para decidir se aumenta o preço dos serviços – Foto: Leo Munhoz/ND

Na terça-feira (29), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reajustou a bandeira tarifária vermelha patamar 2 – a mais alta do sistema brasileiro e praticada no momento. A taxa, que era de R$ 6,24 por 100 kWh consumido, vai passar para R$ 9,49, alta de 52%.

A empresária, que não sabia do reajuste ainda, vai esperar a próxima fatura para decidir se repassa o valor para o cliente para compensar. Ela não descarta essa possibilidade.

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“Como é que vou manter os serviços com o mesmo valor? Vou trabalhar de graça? A gente também precisa sobreviver”, pondera a empresária.

Senira teve a demanda reduzida na pandemia e percebeu melhora em abril passado, depois da Páscoa. Agora com esse reajuste, a empresária teme novos dias difíceis. “Tem cliente que entende quando aumentamos o preço, mas a maioria, não. É complicado! No final, mal sobra para a gente viver”, lamenta.

O economista Guilherme Alano explica que a matriz elétrica brasileira é majoritariamente formada por energia renovável e boa parte vem das hidrelétricas.

“A gente fica muito suscetível ao contexto hídrico e às intempéries. Quando temos problemas, como a falta de chuva, isso acaba impactando a produção de energia”.

A justificativa da Aneel para o reajuste foi a dificuldades na produção de energia no Brasil. Está chovendo pouco no país, o que afeta as hidrelétricas. Com isso, a alternativa é recorrer às usinas termelétricas, tornando a produção mais cara.

Escassez nos reservatórios

“Para contornar o aumento de custos com termelétricas, temos o sistema tarifário por bandeiras: verde, amarela e vermelha. Então, à medida que começa algum problema de produção, muda a bandeira e aumenta o custo”, explica Alano.

Segundo ele, parte do aumento tarifário serve para pagar a produção de energia mais cara, parte é para tentar restringir a demanda.

O economista lembra que, geralmente, o aumento para as residências tende a ser mais alto do que para as indústrias. Alano ressalta que o impacto tende a ser mais alto para as famílias de baixa renda e que o reajuste pode ter mais impactos:

“Quando aumenta o custo da energia, gera um efeito cascata em todos os outros bens. Se a indústria teve um incremento de custo, é natural que ela repasse o aumento no preço da mercadoria e vai chegar um preço mais caro para o consumidor final”, prevê o economista.

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