Senira Madruga Dutra tem uma lavanderia no Centro de Florianópolis há 15 anos. Por mês, em média, ela gasta entre R$ 800 e R$ 900 em energia elétrica. A partir de julho, entretanto, a conta de luz da empresa deve ficar mais alta.
A empresária Senira Madruga Dutra, dona de uma lavanderia em Florianópolis, vai esperar a próxima fatura para decidir se aumenta o preço dos serviços – Foto: Leo Munhoz/NDNa terça-feira (29), a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) reajustou a bandeira tarifária vermelha patamar 2 – a mais alta do sistema brasileiro e praticada no momento. A taxa, que era de R$ 6,24 por 100 kWh consumido, vai passar para R$ 9,49, alta de 52%.
A empresária, que não sabia do reajuste ainda, vai esperar a próxima fatura para decidir se repassa o valor para o cliente para compensar. Ela não descarta essa possibilidade.
Seguir“Como é que vou manter os serviços com o mesmo valor? Vou trabalhar de graça? A gente também precisa sobreviver”, pondera a empresária.
Senira teve a demanda reduzida na pandemia e percebeu melhora em abril passado, depois da Páscoa. Agora com esse reajuste, a empresária teme novos dias difíceis. “Tem cliente que entende quando aumentamos o preço, mas a maioria, não. É complicado! No final, mal sobra para a gente viver”, lamenta.
O economista Guilherme Alano explica que a matriz elétrica brasileira é majoritariamente formada por energia renovável e boa parte vem das hidrelétricas.
“A gente fica muito suscetível ao contexto hídrico e às intempéries. Quando temos problemas, como a falta de chuva, isso acaba impactando a produção de energia”.
A justificativa da Aneel para o reajuste foi a dificuldades na produção de energia no Brasil. Está chovendo pouco no país, o que afeta as hidrelétricas. Com isso, a alternativa é recorrer às usinas termelétricas, tornando a produção mais cara.
Escassez nos reservatórios
“Para contornar o aumento de custos com termelétricas, temos o sistema tarifário por bandeiras: verde, amarela e vermelha. Então, à medida que começa algum problema de produção, muda a bandeira e aumenta o custo”, explica Alano.
Segundo ele, parte do aumento tarifário serve para pagar a produção de energia mais cara, parte é para tentar restringir a demanda.
O economista lembra que, geralmente, o aumento para as residências tende a ser mais alto do que para as indústrias. Alano ressalta que o impacto tende a ser mais alto para as famílias de baixa renda e que o reajuste pode ter mais impactos:
“Quando aumenta o custo da energia, gera um efeito cascata em todos os outros bens. Se a indústria teve um incremento de custo, é natural que ela repasse o aumento no preço da mercadoria e vai chegar um preço mais caro para o consumidor final”, prevê o economista.