Em alta histórica após quase 6 anos, Banco Central eleva juros com Selic em 2,75%

Juros ficaram em mínima histórica, com Selic a 2%, durante sete meses; taxa deve escalar até 2022, quando chegará a 5,5%, segundo previsão do mercado

Estadão Conteúdo São Paulo

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Pressionado pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar os juros, aumentando a Selic (a taxa básica da economia) em 0,75 ponto porcentual, para 2,75% ao ano, uma alta histórica.

Isso, pois é a primeira vez que o BC aumenta os juros desde julho de 2015. A taxa permaneceu em 2% durante sete meses, sendo o menor nível da história.

juros; alta; banco central; selic; preço; eleva;Com a inflação em 12 meses se aproximando de 7% em abril, desemprego e PIB (Produto Interno Bruto) negativo, a economia vive uma situação de estagflação – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

A previsão do mercado é de que a taxa continue avançando, terminando 2021 em 4,5% ao ano e 2022 em 5,5% ao ano.

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Na prática, quanto menores os juros básicos da economia, mais barato fica o crédito para empresas e famílias, o que possibilitou o crescimento dos financiamentos no auge da crise e ajudou a segurar as quedas na atividade e no emprego.

Ao voltar a subir os juros, o Copom mira a inflação de médio e longo prazo, tentando evitar que alta dos preços se dissemine na economia.

  • O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).
  • A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%)
  • O parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Teste para Banco Central autônomo: elevar os juros mesmo com o agravamento da crise

A decisão foi o primeiro teste e tudo indica mais difícil até agora para o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e sua equipe após o Congresso aprovar no mês passado a autonomia da instituição, com a justificativa de garantir a condução da política de juros sem pressões políticas.

A perspectiva de a economia brasileira entrar em recessão técnica, no segundo trimestre deste ano, num quadro de recrudescimento da pandemia, combinado com medidas de isolamento e lockdown, só amplia o desconforto com a medida.

Com a inflação em 12 meses se aproximando de 7% em abril, desemprego e PIB (Produto Interno Bruto) negativo, a economia vive uma situação de estagflação.

O momento é ainda mais delicado porque o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contribuiu para elevar, nas últimas semanas, a cotação do dólar disparando uma série de movimentos erráticos e contraditórios na economia, que começou com a intervenção da Petrobrás, passou pela tentativa de flexibilizar o teto de gastos (a regra que atrela o crescimento das despesas à inflação) e terminou com a articulação de uma manobra para desidratar as medidas de corte de gastos da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do auxílio emergencial.

O resultado: mais pressão sobre a inflação, a ponto de Campos Neto ter entrado nas negociações políticas para impedir uma derrota geral na votação, o que complicaria ainda mais o trabalho do BC na condução da política monetária (calibrar a taxa básica de juros, a Selic, para o controle da inflação).

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