O BC (Banco Central) cortou a taxa de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual (p.p.). Assim, ela está em 13,25% ao ano. O Copom (Comitê de Política Monetária), que é submetido ao BC, anunciou a decisão nesta quarta-feira (2).
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e o principal instrumento de política monetária do Banco Central no controle da inflação.
Dinheiro – Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil/ NDPor influenciar todas as taxas de juros do país, ela tem um peso no bolso do consumidor quando se trata de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
SeguirOu seja, com o corte do Banco Central, essas movimentações deverão ficar mais baratas. Dessa forma, a autoridade monetária incentiva o consumo, o investimento e o aquecimento da economia brasileira de uma forma geral. Na teoria, o crédito fica mais acessível, e o brasileiro volta a comprar.
A ferramenta, porém, não é simples. Se fosse, não haveria motivo para os juros estarem em altos patamares. Afinal, bastaria a autarquia estabelecer uma Selic baixa, e todos os brasileiros seriam ricos.
Acontece que uma taxa de juros exageradamente baixa também é prejudicial para a economia, já que ela é o principal remédio contra a inflação. Com juros mais altos, esse indicador ruim tende a ser menor.
Em um linguajar popular, a Selic é o preço do dinheiro. Se o dinheiro está “barato demais”, ou seja, com uma taxa muito baixa, as pessoas vão consumir além do nível em condições normais. Como consequência, a tendência é haver aumento generalizado dos preços. Essa, inclusive, é a definição de “inflação” mais aceita entre os economistas.
Nesse sentido, vale lembrar que o processo inflacionário é prejudicial principalmente para os mais pobres. Isso porque, numa explicação geral, eles são os que mais sentem o peso do aumento de preços no bolso.
O responsável por decidir o patamar da taxa Selic é o Copom. Ele é composto atualmente de nove economistas, que são diretores do Banco Central, além do presidente da autarquia. O Comitê se reúne a cada 45 dias.
De forma objetiva, o Copom precisa pelo menos se aproximar da meta de inflação, que hoje é de 3,25% ao ano. Ela tem margem de 1,5 p.p para cima ou para baixo. Ou seja, a variação do objetivo vai de 1,75% a 4,75%.
A meta é definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), que hoje é formado por Fernando Haddad (ministro da Fazenda), Simone Tebet (ministra do Planejamento) e Roberto Campos Neto (presidente do BC).