O Brasil encerrou o ano de 2021 com um crescimento de 4,6% em seu PIB (Produto Interno Bruto), segundo estatísticas divulgadas nesta sexta-feira (4) pelo Sistema de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O indicador é o resultado da soma dos bens e serviços finais produzidos no país.
PIB brasileiro fecha em alta no ano de 2021 – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Divulgação/NDCom a alta, o país fechou o ano com o valor de R$ 8,7 trilhões. Ainda houve um avanço de 0,5% do terceiro para o quarto trimestre do último ano. Os dados são bons e garantem a recuperação das perdas que o Brasil teve em 2020 quando a economia encolheu 3,9% por conta da pandemia.
O valor está também 0,5% mais alto quando comparado com o 4° trimestre de 2019. Enquanto isso, o PIB per capita também gerou bons frutos, alcançando R$ 40.688 em 2021 um avanço de 3,9% em relação a 2020, quando ficou em -4,6% na balança.
SeguirCrescimento econômico
O crescimento do PIB foi puxado pelo setor de serviços e indústria, que representam 90% do produto do país.
Setor de transportes cresceu em 2021 no Brasil – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Divulgação/ND“Todas as atividades que compõem os serviços cresceram em 2021, com destaque para transporte, armazenagem e correio (11,4%)”, explica a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
“O transporte de passageiros subiu bastante, principalmente, no fim do ano, com o retorno das pessoas às viagens”. A atividade de informação e comunicação também avançou com o desenvolvimento de sistemas e o uso da internet.
“Essa atividade já vinha crescendo antes da pandemia, mas com o isolamento social e todas as mudanças provocadas pela pandemia, esse processo se intensificou, fazendo a atividade crescer ainda mais”, pondera Rebeca.
As atividades relacionadas aos serviços presenciais, que foi altamente afetada pela pandemia, voltou a se recuperar “impulsionada pela própria demanda das famílias por esse tipo de serviço”. Foi assim que o comércio cresceu 5,5% no ano.
Simultaneamente, as atividades imobiliárias cresceram cerca de 2,2%, as de administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade sociais tiveram alta de 1,5%, e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados fecharam com crescimento de 0,7%.
Indústria
O maior destaque da indústria em 2021 foi o setor de construção, que cresceu 9,7%. Já a indústria da transformação cresceu 4,5%, impulsionada pelas altas nas atividades de fabricação de máquinas e equipamentos, de outros equipamentos de transporte; de produtos minerais não-metálicos, da metalurgia e da indústria automotiva.
Setor de construção também apresentou crescimento significativo – Foto: Bruno Golembiewski/ND Mais/Foto IlustrativaAs indústrias extrativas também avançaram, com 3% de crescimento devido à alta na extração de minério de ferro. Enquanto isso, as atividades de gás, água, esgoto e gestão de resíduos tiveram variações negativas de 0,1%.
“A crise hídrica afetou negativamente o desempenho da atividade em 2021”, explica Rebeca Palis.
Agropecuária sofre recuo
A agropecuária recuou 0,2% em 2021 por conta da estiagem prolongada e das geadas. “Apesar do crescimento anual da produção de soja (11,0%), culturas importantes da lavoura registraram queda na estimativa de produção e perda de produtividade em 2021, como a cana-de-açúcar (-10,1%), o milho (-15,0%) e o café (-21,1%)”, diz Rebeca.
“O baixo desempenho da pecuária é explicado principalmente pela queda nas estimativas de produção dos bovinos e de leite”, detalha Palis.
Importações e exportações
O Brasil fechou 2021 registrando alta de 12,4% nas importações e de 5,8% nas exportações. Entre os produtos exportados são destaques a extração de petróleo e gás natural, metalurgia, veículos automotores e produtos de metal. No caso dos serviços, as viagens subiram mais. Já entre as importações, os destaques positivos foram produtos químicos, máquinas e aparelhos elétricos, indústria automotiva e produtos de metal.
Santa Catarina na média nacional
A indústria catarinense fechou 2021 como a economia que mais cresceu no país com alta de 10,3%, segundo o IBGE. A média nacional foi de 3,9%. O governador Carlos Moisés (sem partido) afirma que os números mostram a força da economia do Estado.
O setor metalúrgico foi o que mais impulsionou o crescimento da produção indústria de 2021 com uma expansão significativa de 42,3%, seguido pelo automobilístico (39,2%) e o de máquinas e equipamentos (22,5%).
O segmento do vestuário e acessórios (19,1%) e de têxteis (14,5%) também tiveram crescimento destacado. O ano de 2021 foi marcado por um crescimento também no setor de serviços e no comércio varejista em Santa Catarina.
O único segmento que retraiu foi o de produtos alimentícios (-10,4%).