A onda de calor extremo no Brasil está deixando não só os termômetros nas alturas mas, poderá deixar o café ainda mais caro no país.
De acordo com uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (13) pelo Clima Tempo, as regiões produtoras do café no país e a seca no Viatnã, afetado pelo El Niño, devem mudar a colheita do grão ainda em 2023.
Mudanças climáticas e o calor podem mudar preço de café – Foto: Unsplash/Divulgação/NDSó para se ter uma ideia, nesta segunda-feira (13), o grão de café robusta registrou um aumento expressivo de até 2,9%, atingindo US$ 2.491 por tonelada, após uma elevação de 2,1% na semana passada.
SeguirO calorão afetou também as áreas de cultivo do grão arábica quanto e as regiões produtoras do robusta (também conhecido como conilon), representa uma ameaça significativa para a próxima safra.
Segundo o Clima Tempo, altas temperaturas têm o potencial de murchar as folhas das plantas de café, comprometendo o desenvolvimento dos frutos.
O café e as vendas
De acordo com a ComexStat, plataforma de dados de comércio exterior do governo brasileiro, os principais compradores do café brasileiro no ano passado foram Estados Unidos, Alemanha, Itália, Bélgica e Japão. Mas vale ressaltar que mesmo a Colômbia, também famosa por seu café, aumentou as importações de grãos brasileiros e já está entre os 10 principais países compradores.
Embora a China não figure entre os principais importadores do café brasileiro, suas compras têm apresentado um crescimento notável ano após ano, chamando a atenção dos produtores nacionais.
Em 2023, mesmo antes de seu término, já se destaca como um ano recorde para as importações de café brasileiro pela China, totalizando 29 toneladas adquiridas até agosto, de acordo com dados da ComexStat. Ao longo de uma década, as importações aumentaram mais de dez vezes, mas as temperaturas também preocupam os investidores.
Café pode ficar ainda mais caro, mas Brasil lidera importação – Foto: Internet/Freepik/NDAqui no Brasil, duas espécies de café são cultivadas. O primeiro é chamado de robusta e o segundo de arábica. Ao todo são 15 regiões produtoras.
O arábica, conhecido por seu sabor rico e frutado, é o favorito de muitos pequenos agricultores especializados, apesar de sua maior suscetibilidade às mudanças climáticas.
Estudos publicados na revista científica Plos One, indicam que temperaturas superiores a 30ºC podem resultar em anormalidades e degeneração das plantas de café.
Os pesquisadores apontam que desde 2010, as temperaturas médias durante o período de floração aumentaram em 1,2ºC em todos os municípios produtores de café no Brasil.
Com eventos climáticos extremos se tornando mais frequentes, o intervalo entre estresses nas plantações de café brasileiras está diminuindo, deixando pouco tempo para uma recuperação completa das plantas.
Os efeitos de uma severa seca em 2020 e da pior geada em 27 anos em 2021 ainda afetam as variedades altamente sensíveis do arábica.
Agricultura familiar
A agricultura não é apenas considerada um dos setores mais vulneráveis à emergência climática, mas também é amplamente reconhecida como uma grande parte da solução devido à sua capacidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
Muitos produtores familiares de café no Brasil sabem disso, pois há gerações se esforçam para produzir café de alta qualidade em harmonia com o delicado equilíbrio do seu bioma local.
Segundo o Ministério da Agricultura, os agricultores familiares, muitas vezes, praticam a diversificação de cultivos, plantando uma variedade de produtos em uma mesma área. Essa prática não apenas proporciona segurança financeira, mas também lida melhor com os riscos climáticos, pois diferentes culturas têm tolerâncias diversas às condições climáticas.
Além disso, o manejo sustentável do solo é uma característica comum na agricultura familiar. Práticas como rotação de culturas e métodos agroecológicos contribuem para a resiliência do solo em face de eventos climáticos extremos.
A escala menor da agricultura familiar permite uma adaptação mais ágil às mudanças nas condições climáticas locais. Os agricultores familiares têm um conhecimento profundo das condições específicas de suas terras, facilitando ajustes nas práticas de cultivo conforme necessário.
Muitas famílias agricultoras adotam sistemas agroflorestais, promovendo a biodiversidade. Essa diversidade de plantas e árvores cria ecossistemas mais robustos, resistentes a mudanças climáticas, e oferece benefícios adicionais, como polinização natural e controle de pragas.