Carta de SC ao Japão destaca segurança na carne de frango para reverter embargo; veja detalhes

Documento assinado pelo governador Jorginho Mello (PL) foi enviado ao país asiático dois dias após a exportação ser suspensa

Mafê Salinet Florianópolis

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A carta de Santa Catarina enviada ao embaixador do Japão no Brasil, Teiji Hayashi, explica a biossegurança da produção de frango, destaca a exportação de 69 mil toneladas da carne ao país e pede apoio junto às autoridades asiáticas para que o embargo seja suspenso. A carta foi obtida com exclusividade pela reportagem.

Carta pede revogação de embargo do Japão a SC  – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/NDCarta pede revogação de embargo do Japão a SC  – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/ND

“De janeiro a junho de 2023 exportamos 69 mil toneladas, em média 11.500 toneladas por mês, o que representa 31% das exportações totais do Brasil para o mercado japonês. Em termos de receita, as exportações catarinenses totalizaram US$ 161 milhões, representando 32% do total”, diz o texto.

De acordo com o governo do Estado, a carta assinada pelo governador Jorginho Mello (PL) foi enviado pelo embaixador ao país asiático ainda na quarta-feira (19). A intenção do envio foi preparar a visita do ministro da Agricultura e Pecuário, Carlos Fávaro, que está marcada para esta quarta-feira (26).

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No texto, o governo argumenta que a ocorrência da infecção pelo vírus da influenza A de alta patogenicida em aves silvestres e domésticas de fundo de quintal “não compromete a condição do Brasil como país livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade”, segundo a OMSA (Código Sanitário de Animais Terrestres da Organização Mundial deSaúde Animal).

Hayashi afirmou estar confiante para a resolução da questão e, segundo ele, fazer trocas de opiniões entre especialistas japoneses e brasileiros é importante neste momento.

Lembre o caso

O Japão impôs um embargo de 28 dias a Santa Catarina no dia 17 de julho, após a confirmação de um caso de gripe aviária em uma ave doméstica, identificado em Maracajá, no Sul catarinense. Ainda neste ano, a doença havia sido identificada em uma ave silvestre. Vale destacar que a gripe aviária não é transmissível a seres humanos.

“É preocupante porque o Japão é o segundo comprador de Santa Catarina”, informa. Segundo ele, vai conversar com o embaixador “para diminuir os 28 dias, porque somos um exemplo de segurança para o Brasil. O caso de gripe aviária foi em uma ave de quinta, nada a ver com aves comerciais. Eles precisam entender que nós zelamos pela saúde dos animais e esse bloqueio vai prejudicar muito o Estado”, destaca o governador Jorginho Mello (PL).

O Brasil continua sendo um dos quatro países do mundo que nunca registraram casos de gripe aviária em criações comerciais, as que produzem os produtos vendidos para o exterior. O Japão, no entanto, adota esse protocolo preliminar de suspender as importações sempre que identificada a doença em alguma ave que não seja silvestre.

Medidas de biossegurança

Após o embargo, a Cidasc (Companhia de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) informou que montou um grupo de trabalho focado na inspeção de propriedades rurais e urbanas que possuam aves, num raio de 3 a 10 quilômetros do foco confirmado em Maracajá.

Além de inspecionar os animais, os profissionais realizam investigação epidemiológica nas propriedades, orientam os produtores rurais sobre os sinais clínicos compatíveis com a Influenza Aviária e entregam material educativo.

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