Caso Yeesco: loja firma acordo com MP e deve pagar R$ 80 mil por danos morais coletivos

Em um ano, a empresa registrou recorde de reclamações relacionadas às entregas

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Beatriz Nunes Itajaí

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A gigante do e-commerce Yeesco se comprometeu, em um termo de ajustamento de conduta proposto pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a cumprir os prazos de entrega prometidos em seus canais online e a melhorar o atendimento ao consumidor. A sede da empresa fica em Brusque, no Vale do Itajaí.

O acordo foi proposto pela 29ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital – que trabalha na área de defesa dos direitos do consumidor – após apurar, em um inquérito civil, as reclamações de mais de 70 consumidores de diversos estados do Brasil, contando com a participação do Procon de Brusque.

Procon havia decidido que a loja Yeesco não poderia mais fazer vendas online – Foto: Yeesco/DivulgaçãoProcon havia decidido que a loja Yeesco não poderia mais fazer vendas online – Foto: Yeesco/Divulgação

As reclamações davam conta do suposto descumprimento dos prazos de entrega de mercadorias, bem como da possível ineficácia do serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da empresa.

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R$ 80 mil por danos morais coletivos

Como compensação indenizatória por eventuais danos morais coletivos, a confecção deverá pagar R$ 80 mil em favor do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina (FRBL) e do Fundo do Procon Municipal de Brusque.

O vencimento será em 30 dias, em 16 parcelas de R$ 5 mil; as oito primeiras parcelas devem ser destinadas ao Procon de Brusque e as oito últimas, ao FRBL. Em caso de descumprimento de qualquer cláusula do acordo, a empresa fica sujeita a multa de R$ 500 por ocorrência relatada.

Outras condições firmadas no acordo

  • A empresa se comprometeu a conceder formalmente aos consumidores, no prazo de até 10 dias úteis após o vencimento da previsão de entrega informada no momento da compra, a escolha entre aguardar o recebimento do produto já adquirido ou a devolução da quantia paga, em no máximo 30 dias.
  • A confecção também se comprometeu a aperfeiçoar os canais de atendimento aos consumidores, por meio da contratação de novos funcionários para o acompanhamento do SAC, bem como pela ampliação das formas de atendimento, com vistas a reduzir o prazo de resposta.
  • Em relação aos consumidores cujas reclamações chegaram ao Ministério Público, a empresa deverá regularizar as situações, mediante a entrega efetiva dos produtos ou o ressarcimento dos valores pagos, no prazo de 60 dias depois da assinatura do acordo.
  • A empresa tem 210 dias para apresentar à promotoria documentos que comprovem o cumprimento integral da obrigação, com a ampliação do quadro de funcionários para atendimento do SAC e a disponibilização de novos canais de atendimento aos consumidores, proporcionais à demanda, demonstrando o novo fluxo de atendimento e resolução das demandas, assim como a regularização das situações de cada consumidor denunciante.

Relembre o Caso Yeesco

Em abril, o Procon brusquense emitiu medida com base nas mais de 60 mil reclamações registradas no site Reclame Aqui sobre a loja, acumuladas em um período de um ano.

Procon de Brusque estipulou multa caso empresa descumprisse medida – Foto: Prefeitura de BrusqueProcon de Brusque estipulou multa caso empresa descumprisse medida – Foto: Prefeitura de Brusque

De acordo com o órgão, a loja deveria interromper as vendas feitas de forma online até que cumprisse demandas presentes no Código de Defesa do Consumidor (CDC), sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

As vendas continuaram no e-commerce e a empresa chegou a tentar, junto ao Tribunal de Justiça, recurso contra a decisão, que foi negado em primeiro grau.