Celesc cobrará valores retroativos na próxima conta de luz

Contas emitidas a partir de 31 de outubro recebem reajuste médio de 8,14%; valores equivalem ao que a empresa deixou de arrecadar durante dois meses e 8 dias

Redação ND Florianópolis

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A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) reajustou o valor da conta de luz em todo o Estado e anunciou que cobrará valores retroativos na próxima fatura. A partir de 31 de outubro, as contas já estão com as tarifas reajustadas.

Contas de luz são seguradas por uma mãoCelesc cobra valores retroativos nas próximas faturas de contas de luz – Foto: Julio Cavalheiro/Secom

O reajuste médio de 8,14% havia sido suspenso pela Justiça, em ação movida pelo Procon de Santa Catarina.

No entanto, o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) decidiu manter o reajuste da tarifa homologado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), no dia 29 de outubro.

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Assim, o aumento foi implementado no dia 31 de outubro e os valores do reajuste que a Celesc deixou de arrecadar entre 22 de agosto a 31 de outubro serão cobrados na próxima fatura.

Parcelamento disponível

A Celesc reforça em nota que, “caso haja necessidade, os clientes podem realizar, facilmente, o parcelamento de faturas de energia de valores até R$ 10 mil, em sua agência no site www.celesc.com.br”.

Segundo a distribuidora, “do total da tarifa que passa a ser cobrada do cliente, apenas 14,3% é gerenciado pela empresa para ampliação, operação e manutenção do sistema elétrico e custeio das despesas operacionais”.

Ainda em nota, a Celesc afirma: “ou seja, a cada R$ 100 pagos pelo consumidor, menos de R$ 15 ficam com a empresa. O restante somente é repassado para outros agentes do setor elétrico, e justamente estes valores tiveram o maior aumento neste reajuste”, diz. 

A Celesc já havia se manifestado anteriormente alegando que o aumento poderia ser maior, de 15,52%, mas ficou em 8,14% devido à “Conta-Covid”, ferramenta do Ministério de Minas e Energia que objetiva redução dos impactos nas contas.

A Celesc afirma, também em nota, que “o TRF-4 revogou a decisão e liberou o reajuste baseando-se em dados técnicos de especialistas em regulação e enfatizando os riscos de desrespeitar as normas regulatórias, trazendo impactos para a prestação dos serviços de energia elétrica”.

Relembre o caso

No dia 25 de agosto, o Procon de Santa Catarina ingressou com uma ação na Justiça contra a Celesc e a Aneel para suspender o aumento médio de 8,14% nas contas de luz recentemente autorizado pelo órgão regulador.

“Num momento de pandemia que nós estamos vivenciando, não é hora de dar esses reajustes”, disse o diretor do órgão, Tiago Silva.

Conforme os argumentos da PGE, que representa o Procon em juízo, o reajuste aplicado é superior ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de inflação acumulado nos últimos 12 meses, que é de 2,31%.

Além do aumento muito superior à inflação, a PGE alegou que o reajuste ameaçaria os direitos do consumidor.

O reajuste tarifário aplicado aos consumidores de alta tensão (indústrias) é de 7,67%, enquanto o aumento para os clientes residenciais da Celesc é ainda maior, 8,42%.

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