Chocolate: amor que vem do grão

07/07/2024 às 05h30

Larissa encontrou no fruto que origina o chocolate a solução para voltar a comer o doce que amava

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Amado, doce e direto da fruta. O 7 de julho celebra o Dia Mundial do Chocolate, guloseima que é espécie de unanimidade, mas que sempre está envolvida em debates sobre a forma de consumo e seus efeitos, alguns benéficos e outros nem tanto, ao organismo. E foi este verdadeiro amor pela guloseima que motivou a empresária Larissa Ludwig, de 31 anos, a buscar formas saudáveis de consumir chocolate, após descobrir limitações que a obrigaram a repensar o cardápio da sua sobremesa.

foto mostra mulher mordendo chocolateLarissa Ludwig contou como transformou a vontade de comer o doce e as próprias restrições em um negócio – Foto: Germano Rotato/ND

Aos 19 anos, Larissa foi internada sem saber a causa do constante mal-estar. O médico decidiu testar intolerâncias: lactose, soja, amendoim e glúten. Após receber uma recomendação de que deveria ficar 40 dias sem consumir derivados desses produtos, se desesperou. “Achei que tinha acabado a minha vida”, recorda.

“Nasci comendo chocolate. [Quando descobri as restrições] eu tive que fazer um looping na minha vida para investigar tudo. Não era época que tinha no supermercado um monte de opções para pessoas com restrições. Simplesmente não tinha chocolate sem glúten, sem leite, sem amendoim”, relembra.

Andando na rua, sentiu cheiro de bolo de chocolate que vinha de uma chocolateria. Seguiu o cheiro, sem saber que estava indo atrás do que seria o seu futuro. A empresária se apaixonou pelo universo dos chocolates e se tornou estagiária do local.

Foi na chocolateria que Larissa descobriu que poderia voltar a comer chocolate. E resolveu começar do início: pelo processamento do cacau. Testes e mais testes como estagiária fizeram a jovem — formada em arquitetura — se graduar em nutrição. Quando tinha 23 anos, a chocolateria onde trabalhava fechou e, incentivada pelo proprietário, decidiu abrir sua marca, a Cookoa.

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    Segundo Larissa, grãos de cacau na torra tem cheiro de bolo de chocolate - Germano Rotato/ND
    Segundo Larissa, grãos de cacau na torra tem cheiro de bolo de chocolate - Germano Rotato/ND
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    Chocolates priorizam a essência do cacau - Germano Rotato/ND
    Chocolates priorizam a essência do cacau - Germano Rotato/ND
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    Fábrica fica localizada em Palhoça - Germano Rotato/ND
    Fábrica fica localizada em Palhoça - Germano Rotato/ND
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    Grãos de cacau utilizados para fabricar os chocolates vem da Bahia e do Amazonas - Germano Rotato/ND
    Grãos de cacau utilizados para fabricar os chocolates vem da Bahia e do Amazonas - Germano Rotato/ND

Fábrica com cheiro de bolo de chocolate

Oito anos depois, Larissa tem sua própria fábrica, que gerencia com o marido, localizada no bairro Pedra Branca, em Palhoça. O cheiro inconfundível de bolo de chocolate, o mesmo que a atraiu para uma chocolateria, pode ser sentido nos corredores da fábrica, conforme os grãos do cacau passam pelo processo de torra.

Grãos esses que, segundo a empresária, valem ouro. Vindos de uma fazenda da Bahia e de pés de cacau das margens do rio Amazonas, na Amazônia, os grãos podem ser comidos puros após a torra, usados como petisco. A ideia, segundo Larissa, é justamente essa: “O cacau fino tem essa peculiaridade. É esplêndido sem fazer nada. Não tem como ficar ruim o chocolate”, explica.

Chocolate faz bem pra saúde?

Como nutricionista, Larissa explica que quando o chocolate prioriza o cacau fino e o transforma na essência da guloseima, pode contribuir para a saúde. Isso porque o cacau é uma fruta antioxidante, capaz de limpar toxinas do sangue.

A natureza faz a maior parte da gostosura

Do chocolate 80% ao chocolate branco, toda a produção segue o que Larissa procurava quando precisou mudar os hábitos há 12 anos: sabor e saúde. Sem glúten e sem lactose, sua produção de chocolates varia entre oito tipos.

Além de priorizar uma cadeia sustentável e com ingredientes saudáveis, para Larissa, o chocolate tem que ser gostoso.

“Antes de tudo, sou uma pessoa que aprecia chocolates. A nutrição é um detalhe de uma coisa perfeita que vem da natureza, eu não tenho nada a ver com isso. Quem deixa nutritivo é a árvore, eu só tento não estragar e trago outras coisas naturais para compor. O chocolate é o resultado de algo que a natureza criou”, defende.

Apesar de toda esta paixão, Larissa nega que seja uma viciada, ou seja, chocólatra.

“Eu prefiro me chamar de chocolateira. Bem brasileiro. Eu faço chocolate. Eu amo chocolate. Eu amo cacau. Uma cacauzeira também. Chocólatra não, porque eu tenho controle. Porque quando a gente se alimenta de alimentos íntegros e equilibrados, a gente não vicia neles. A gente sabe controlar. Eles não nos controlam”.

Larissa Ludwig é uma das proprietárias da Cookoa – Foto: Germano Rotato/NDLarissa Ludwig é uma das proprietárias da Cookoa – Foto: Germano Rotato/ND

De SC para o mundo: Estado exportou R$ 1,98 mi em chocolates em 2023

De acordo com Larissa, a Cookoa teve crescimento na pandemia. Por meio do ecommerce, se tornou conhecida e saiu do fundo de um quintal para o local onde está desde outubro do ano passado. Com 53,7 mil seguidores no Instagram, a marca quer espalhar o conceito do chocolate gostoso e saudável por meio de tours pela fábrica em Palhoça.Segundo o Observatório da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado), o Estado exportou R$ 1,36 milhão em 2021. Já em 2023, esse número saltou para R$ 1,98 milhão, um crescimento de 45%.

“É melhor que muita gente”

A estudante de publicidade Layla Peres costuma comer uma barra de chocolate pequena de duas a três vezes por semana. Ela conta que a primeira lembrança que tem de comer chocolates é na Páscoa, quando a guloseima vinha nas cestas e quando o pai comprava uma barra nas idas ao supermercado.

Com preferência por chocolates cremosos e com amendoim, fala que, muitas vezes o chocolate é melhor que muita gente. “Tem dias que ele é a única coisa que separa a gente de não perder o status de réu primário”, se diverte.

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