Com alta do dólar, brasileiro precisa se preparar: vem mais aumento por aí

Nova valorização do dólar frente ao real pode turbinar uma nova rodada de reajustes nos preços dos alimentos; alta dos preços vai pressionando o supermercado do brasileiro

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Estadão Conteúdo Rio

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As queixas podem aumentar. A nova valorização do dólar ante o real pode turbinar uma nova rodada de reajustes nos preços dos alimentos, que há meses pressionam o orçamento das famílias brasileiras, especialmente as mais pobres.

Alimentos acumulam altas mensais nos preços. – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Divulgação/NDAlimentos acumulam altas mensais nos preços. – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Divulgação/ND

No mês de setembro, os alimentos comprados nos supermercados estavam 14,66% mais caros em relação ao patamar de um ano antes, segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em Rio Branco (AC), o custo da alimentação no domicílio subiu 21,23% nos últimos 12 meses, e em São Luís (MA), 17,38%.

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“Desde o dia 7 de setembro, o dólar acumula uma valorização de 10% em relação ao real, o que significa mais possibilidade de termos pressão de inflação de alimentos”, afirmou André Braz, coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O dólar pressiona os preços de grãos como soja, milho e trigo, que contaminam derivados como óleo de soja, massas e panificados, assim como carnes de animais dependentes de ração, aves e suínos. A crise hídrica já vinha ajudando a elevar o custo desses alimentos, que inicialmente ficaram mais caros no atacado, mas os reajustes já chegam ao varejo.

“À medida que os efeitos da crise hídrica foram se apaziguando sobre as lavouras, a questão cambial foi se agravando”, lamentou Braz.

Reflexo em casa

Em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, a aposentada Fátima Pereira, de 64 anos, queixa-se do preço das carnes, que necessita para o preparo das refeições que vende como reforço no orçamento doméstico.

“Está muito caro, eu comprava o quilo de acém por R$ 11, agora passou para R$ 28”, comenta.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.