Com aumento na procura e inflação, aluguel em Florianópolis dispara 11% em um ano

Aumento do aluguel foi mais expressivo no último ano do que em 2020; pesquisadores analisam flutuação de preços em três bairros de Florianópolis

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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O aluguel em Florianópolis está mais caro. Entre janeiro de 2021 e o mês passado – 12 meses de intervalo – pesquisadores da Esag (Escola Superior de Administração e Gerência), da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), perceberam aumento de 11,45% na cobrança. A inflação e o aumento da procura são alguns dos suspeitos pelo encarecimento.

Aluguel ficou mais caro em FlorianópolisPesquisados analisam preço dos aluguéis em três bairros da Capital – Foto: Arquivo/Cristiano Estrela/Divulgação/Secom/ND

A taxa é um dos “produtos” que integram o ICV (Índice de Custo de Vida), índice mensal e local de inflação que se baseia no consumo das famílias de Florianópolis. A Capital de Santa Catarina não está na área de abrangência do IPCA (Índice de Preços no Consumidor), principal sentinela das flutuações de preço no Brasil.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisam o aluguel cobrado em apartamentos de dois dormitórios. Entre 80 e 90 imóveis entram no radar, distribuídos em três bairros: Estreito, Centro e Trindade, detalha Bruna Soto Cardoso dos Santos, pesquisadora e economista da Fesag (Fundação de Estudos Superiores de Administração e Gerência).

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Na prática, um morador que começou 2021 pagando mensalmente R$ 2200 de aluguel, dedicou para a moradia R$ 2451 no mês passado. Alguém que pagava R$ 1100, agora paga R$ 1226. Cabe ressaltar que os reajustes são feitos por decisão do proprietário. Ou seja, o aumento não atinge todos os imóveis.

Tradicionalmente, o índice IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) costuma ser utilizado como base para o aumento. A FGV (Fundação Getúlio Vargas), responsável pelo índice citado acima, criou também em janeiro o índice Ivar (Índice de Variação de Aluguéis Residenciais), que pretende servir como novo parâmetro.

O que provocou encarecimento em Florianópolis?

Se acrescentar um ano no comparativo e analisar o aumento entre janeiro de 2020 e janeiro de 2022, é possível constatar que o encarecimento se intensificou a partir de 2021, explica Soto. Isso porque, em dois anos, o aumento no preço é de 15,42%.

Soto supõem que o fato de muitos estudantes terem deixado a região em março de 2020, por conta da pandemia, teria contribuído para “segurar” os preços no primeiro ano que convivemos com o novo coronavírus. Nos últimos 12 meses houve o retorno, e com isso o aumento da procura e o encarecimento.

“Acredito que também seja a inflação, já que os contratos de aluguéis são baseados nos índices de inflação, que incide na renovação do contrato”, explica a economista.

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