Como São José passou de cidade-dormitório a polo de tecnologia e logística

Município, que completa 273 anos no próximo sábado (19), se beneficiou com a chegada de indústrias na década de 1970, que foram proibidas de se instalarem em Florianópolis

José Carlos Sá - Especial para o ND São José

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Fundada por imigrantes açorianos, que chegaram a partir de 1750, e de imigrantes alemães vindos da Europa no século seguinte, a Freguesia de São José da Terra Firme teve um papel comercial importante durante muitos anos, até a primeira metade do século 20.

São José completa 273 anos no próximo sábaod (19) – Foto: Divulgação/NDSão José completa 273 anos no próximo sábaod (19) – Foto: Divulgação/ND

O município foi entreposto comercial e local de baldeamento entre Desterro – depois Florianópolis – e as outras localidades de Santa Catarina, fornecendo cerâmicas utilitárias e a produção agrícola e transporte de pessoas e cargas para a travessia do canal marítimo que separa o continente da Ilha de Santa Catarina. No próximo sábado (19), São José vai completar 273 anos.

A construção da ponte Hercílio Luz, a implantação e asfaltamento das rodovias federais, que facilitaram a acessibilidade terrestre à Capital, levaram São José a se transformar em um lugar de passagem ou de dormitório. Esta proximidade geográfica com Florianópolis atraiu a vinda de migrantes de todas as regiões do país, que foram se instalando nas áreas rurais de São José e às margens da rodovia.

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O programa de habitação popular do governo federal também contribuiu para esse povoamento, assim como a abertura de loteamentos particulares em diversas áreas da cidade, como em Campinas, Kobrasol e Barreiros, por exemplo.

Durante anos a economia do município ficou patinando, dependente de recursos federais e do pequeno comércio local, até que outro evento externo – o plano diretor adotado pela Prefeitura de Florianópolis na década de 1970, que proibiu a atividade industrial na ilha – direcionou o setor para outras cidades e São José foi muito beneficiada com a mudança.

Hoje a cidade dispõe de áreas industriais que abrigam empresas de tecnologia, alimentos, metal mecânica e construção civil, entre outros ramos.

Atração sem burocracia

A atração de novas empresas para se instalar no município fez com que a administração pública aperfeiçoasse os mecanismos para facilitar a vida dos empresários, desburocratizando ao máximo os processos de implantação.

São José conheceu um crescimento de 24,10%, apurado pela Receita Municipal em 2022, de novas empresas com ênfase nos segmentos de comércio varejista e de atacado; transporte, armazenagem e correio; atividades profissionais, científicos e técnicas; e outras atividades de serviços que puxam a lista, incluindo ainda empresas nos ramos de educação, construção, saúde, serviços sociais, e outros. Foram 9.891 novas empresas abertas no ano passado, de todos os portes.

A abertura de novas empresas, naturalmente, provoca o aparecimento de postos de trabalho que antes não existiam. O Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desempregados) divulgou, na semana passada, os dados relativos ao mês de janeiro deste ano, apontando que das 15.727 novas vagas com carteira assinada criadas em Santa Catarina, São José foi responsável pela colocação de 1.238 pessoas, ficando em segundo lugar no Estado, atrás de Joinville, e em primeiro em contratações formais na Grande Florianópolis.

O atrativo que São José oferece não inclui a isenção de impostos ou a oferta de terrenos, mas redução do tempo de abertura, que passou de 20 dias para quatro horas e 39 minutos. Os MEI (Microempreendedor Individual) receberam uma atenção especial. Foi instalada a Sala do Microempreendedor no prédio da prefeitura, onde é possível obter informações e acompanhar o andamento de processos.

Através de projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores, 16 mil MEIs com pendências foram regularizados e uma nova legislação isentou os microempreendedores da necessidade de retirar o alvará de funcionamento. Quem já havia quitado a taxa referente a esta licença pôde solicitar a devolução.

Empresas inovadoras

Para a secretária adjunta de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Rose Bartuckeski, como São José é uma cidade muito atrativa comercial e industrialmente, desde o ano passado os técnicos da prefeitura buscam junto a parceiros como o Sebrae, Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), Aemflo (Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis), CDL (Câmara de Diretores Lojistas), e entidades do Sistema S, formas para incentivar o envolvimento do empresariado e trabalhar um “ecossistema de inovação”, cujo resultado será lançado durante a realização do evento chamado Inova São José, no dia 27 de abril.

“São José já tem muitas empresas inovadoras. A Intelbras é um grande exemplo, uma empresa que trabalha com tecnologia e é um empreendimento internacional, cuja sede fica na nossa cidade”, destaca.

Ela explica que por ser um polo de atração, o município tem recebido muita procura por parte de empresários para se instalarem na cidade. Segundo a secretária, o município está renovando toda a malha viária e a infraestrutura, também há investimentos na própria prefeitura para desburocratizar os processos de abertura de novas empresas.

Posição estratégica

Rose Bartuckeski lembra que a cidade de São José está localizada em um ponto estratégico e geograficamente importante.

“Nós estamos no meio de dois portos: Itajaí e Imbituba; nós estamos entre dois aeroportos: o de Florianópolis e o de Navegantes; nós temos uma BR-101, que vai ter uma alça – o contorno Norte – para o escoamento da nossa produção. Então temos recebido na secretaria muitas empresas de São Paulo, do Rio Grande do Sul, do Paraná, que querem se instalar aqui. A posição geográfica é o grande chamador, o diferencial da nossa cidade”.

São José em números:

  • População: 287.409 habitantes (IBGE – prévia do Censo Demográfico 2022)
  • Empresas ativas: 41.029
  • Empresas abertas em 2022: 9.891 (5° lugar no Estado em número de abertura de empresas)

Fontes: IBGE e Receita Municipal

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