Mais robôs? E os empregos como ficam? Quem ousa projetar o futuro de Joinville? Hoje sabemos que a cidade orgulha-se de ser a terceira economia da região Sul do Brasil – com um PIB de R$ 34,5 bilhões – e uma das que mais geram empregos.
Manufatura vai continuar se modernizando para produzir mais e ser mais competitiva – Foto: Tupy/Divulgação/NDComo chegou o aniversário da maior cidade de Santa Catarina e toda a data impõe certa reflexão sobre o passado e o presente, o Portal ND+ ouviu alguns peritos no assunto para entender o que vem por aí.
Fato é que Joinville tem feito sua lição de casa quando o assunto é inovação. Prova disso é que a Indústria 4.0 vem tomando as linhas de produção das fábricas do município.
SeguirPara a Associação Empresarial de Joinville (Acij), as quatro palavras de ordem para que a Joinville do futuro tenha uma economia cada vez mais desenvolvida e uma qualidade de vida cada vez melhor são inovação, infraestrutura, reformas e parceria.
“A inovação é tamanha que todas as empresas também são empresas de tecnologia, independente do setor em que atua. E por meio do programa ACIJ Tech, nossa entidade será parceira permanente dos associados no processo de inovação contínua”, pontuou Marco Antonio Corsini, presidente da Acij.
Joinville completa 171 anos neste dia 9 de março – Foto: Carlos Júnior/Divulgação NDCorsini acredita que Joinville manterá a diversidade setorial que impulsiona a economia da cidade. Para ele, as grandes corporações metalúrgicas, metalmecânicas, plásticas, têxteis e automotivas, por exemplo, vão continuar gerando cada vez mais novas oportunidades de empreendimentos, de empregos e de geração de renda nos ecossistemas que surgem no entorno delas.
Paralelamente a isso, o emergente polo de tecnologia e inovação também vai ocupar um espaço cada vez mais relevante nesta matriz econômica.
Por isso, a entidade tem cobrado investimento em infraestrutura logística para que as empresas possam crescer e ter mais competitividade frente a outros mercados. A Acij fez questão de citar como gargalos a promessa de duplicação da BR-280, o estrangulamento da BR-101, o contorno ferroviário, além da expectativa em relação ao aeroporto da cidade.
“Acreditamos que parceria, interação e articulação entre poder público, setor produtivo, instituições de ensino e entidades representativas da sociedade podem fazer a diferença para encontrarmos juntos as soluções. Importante lembrar que a ousadia, a criatividade e a resiliência fazem parte do DNA de Joinville desde que os primeiros colonizadores e certamente continuarão fazendo toda a diferença na Joinville do futuro”, conclui o presidente da entidade.
Perini Business Park reúne hoje 260 empresas no condomínio. – Foto: Divulgação NDMarcelo Hack, diretor-presidente do Perini Business Park, outro representante empresarial ouvido pela reportagem, aposta na instrução como principal ferramenta para Joinville continuar pujante.
“Sou fã de Joinville, cidade que reúne algumas características que nos dão confiança que atravessaremos as próximas décadas de forma muito concreta”, comenta Hack.
Para ele, três são as bases para uma economia forte: instrução, associativismo e cultura.
“Temos boa qualidade de ensino, com investimento privado e também da Fiesc, formação de mão de obra técnica/especializada. Empresas e poder público atuando juntas. Para que sejamos competitivos no futuro precisamos formar as crianças hoje”, compõe o raciocínio.
Hack também explica que o pensamento no associativismo pode fazer toda a diferença. Para ele, os empresários joinvilenses se preocupam e se envolvem com os problemas da cidade, ajudam a comunidade na resolução dos problemas.
E por último e não menos importante é a cultura, sublinha o presidente do Perini.
“A cidade é trabalhadora, produtiva, um verdadeiro celeiro de empreendedores (Joinville é a 9ª cidade do Brasil em empreendedorismo) e eu acredito que isso se deve às raízes germânicas, a cultura que sustenta o ecossistema produtivo.”
Marcelo Hack também lembra da economia digital, a tecnologia da informação que nos faz estar mais próximos de um computador do que de máquinas. No entanto, ele é categórico em afirmar que a manufatura vai continuar sustentando a economia da cidade e cada vez se modernizando mais.
“Tanto o Estado quanto Joinville estão abetos para construir políticas públicas que melhorem a competitividade.”
Serviços
Quanto ao setor de serviços, que geram mais riqueza per capita que a própria indústria, vai continuar avançando e dominando a economia da cidade na visão do executivo. Neste cenário, entram as startups, por exemplo.
Para Hack, portanto, a cidade perfeita é a que tem um mix entre indústria, agricultura e serviços em geral.
Para concluir, o diretor-presidente lembra que o Perini completa 21 anos exatamente no dia do aniversário de Joinville. Hoje, já são 260 empresas operando no condomínio empresarial, que, sozinho, representa o 12º PIB do Estado de Santa Catarina.
Agilidade
A Associação de Joinville das Pequenas, Micro e Médias Empresas (Ajorpeme) também fez sua projeção de Joinville do futuro. Para o presidente Jonas Tilp, Joinville e Santa Catarina contam com um povo muito empreendedor e que se reinventa dentro de suas dificuldades.
“A maior cidade de SC está crescendo de uma forma rápida, na contramão de outras cidades. Com relação aos pequenos e micro empreendedores, a grande vantagem desse segmento é que eles conseguem ser ágeis, principalmente quando participam de uma atividade de grupo ou de núcleo. Ali, consegue reunir muitos conselheiros e se você tem bons conselheiros é natural que você tenha uma visão dos outros ao seu redor e, por isso, você precisa ser mais rápido nas mudanças”, exemplifica.
É notório que a velocidade que o mundo caminha é muito intensa. Neste caso, é preciso ser rápido e entender os movimentos da mudança. Com isso, todos os setores que querem trabalhar juntos e buscar uma melhor performance dentro de sua proposta vão se beneficiar.
O presidente da Ajorpeme lembrou que Joinville tem 269 mil pessoas empregadas. Em 2021, cerca de 146 mil trocaram de empregos, ou seja, mudaram de ambiente de trabalho.
“É natural que as empresas encontrem novos meios para manter os talentos, motivar as pessoas e, dentro dessa proposta, vão passar pela automação, seja no modelo software ou hardware. Há muitos setores promissores em Joinville e eu acredito que o segmento da tecnologia irá despontar ainda mais”, observa Tilp, citando como exemplo o Ágora que fica dentro do Perini Business Park. Lá, é possível encontrar um ecossistema de inovação muito forte.
Comércio eletrônico
Joinville criou 26.142 novos empregos em um ano – Foto: Carlos Jr/NDSegundo a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Joinville, a pandemia mostrou que o comércio eletrônico foi um dos setores que mais cresceu, tornando-se essencial para o varejo durante o isolamento.
Com a reabertura dos estabelecimentos, foi possível verificar que as lojas precisaram trabalhar integrando o online com o offline, tornando o negócio híbrido.
“É preciso aliar o tecnológico com o atendimento humanizado, pois este é o futuro do varejo. Quem não se adaptar, pode passar por dificuldades em manter a empresa pois o consumidor não é mais o mesmo”, revela o presidente da CDL Joinville, José Manoel Ramos.
Assim como o comércio acelerou os processos nestes dois últimos anos, a CDL Joinville espera que a cidade passe por revoluções na área de infraestrutura, mobilidade e segurança.
“Precisamos de ações a curto prazo, como mais policiais e maior monitoramento por câmeras e implantar um planejamento urbano eficiente”, afirma.
Para isso, a entidade aposta nas parcerias entre a iniciativa privada, órgãos públicos e população.