Conflito entre Ucrânia e Rússia pode fazer preços de combustíveis subirem em SC

Impactos do conflito poderão ser sentidos já nos próximos dias com o aumento de preços

Kassia Salles Itajaí

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O conflito entre a Rússia e Ucrânia gerou instabilidade no mercado e preocupação no mundo. Apesar dos dois países representarem menos de 1% das exportações e importações feitas por Santa Catarina, o Estado pode sofrer impactos ainda nos próximos dias.

Conflito entre Ucrânia e Rússia pode fazer preço de combustíveis disparar em SC – Foto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação e Anatolii Stepanov/AFP/NDConflito entre Ucrânia e Rússia pode fazer preço de combustíveis disparar em SC – Foto: Prefeitura de Itajaí/Divulgação e Anatolii Stepanov/AFP/ND

É o que explica Rogério Marin, dono de uma empresa de comércio exterior sediada em Itajaí, Litoral Norte catarinense. Para ele, os impactos que Santa Catarina podem sofrer com o conflito são mais indiretos, como o aumento de preços de produtos, como é o caso do combustível. O preço do barril de petróleo já ultrapassa a barreira dos US$ 100.

Marin ainda afirma que o consumidor e os exportadores podem sentir aumentos de preços ainda na próxima semana. Para os consumidores, o impacto pode ser sentido nas bombas de combustíveis. Já para as empresas de comércio exterior, o aumento nos preços do transporte aéreo já pode ser percebido.

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Este aumento, conforme esclarece Marin, se deve à especulação do mercado. Isso porque os países começam a estocar produtos, como o petróleo, produto que a Rússia é um dos grandes produtores mundiais. “É como aconteceu em 2020, quando faltou papel higiênico. Pessoal fica com medo, estoca produto, o que acaba encarecendo o produto”, relembra.

Com o aumento do combustível, o valor do frete, principalmente o aéreo, aumenta, o que pode agregar também nos valores de itens de mercado, como o tomate, conforme exemplifica Marin.

Tropas militares estão espalhadas pelas ruas ucranianas – Foto: Aris Messinis/AFP/NDTropas militares estão espalhadas pelas ruas ucranianas – Foto: Aris Messinis/AFP/ND

“Mas esse aumento deve ser pouco e ao que tudo indica, provisório. Quando passa insegurança, os preços devem voltar a diminuir”, acredita. Por isso, ele não incentiva os consumidores a fazerem estoques, o que pode gerar ainda mais aumento.

Portos ainda não sentem impactos

O impacto nos portos é menor, conforme explica Marin. Isso porque o transporte marítimo não sofre tanto com o aumento dos combustíveis, já que o preço por contêiner, por exemplo, é definido mais pela lei da oferta e demanda do que pelo valor da entrega.

Conflito pode gerar perdas, avalia Fiesc

A interpretação do impacto para a Fiesc (Federação das Indústrias de SC) é de que, sim, os impactos podem ser milionários no Estado. Ambos os países fornecem importantes insumos: somente em 2021, as indústrias catarinenses compraram mais de US$ 220 milhões em insumos das duas nações. Já a venda, apesar de menor, é significativa: está na casa dos US$ 107 milhões.

As sanções contra a Rússia ainda podem afetar a exportação de carne brasileira e a importação de fertilizantes, aço e níquel vindos do Leste Europeu, por exemplo. Já a invasão na Ucrânia ampliaria a insegurança – e por consequência o preço – para a compra de PVC. O país que já fez parte da extinta União Soviética teve uma verdadeira arrancada na venda deste produto no último ano.

“Num recorte momentâneo identificamos impactos positivos. Com a Rússia nessa posição, se busca outras fontes para importar insumos. Daí surge a possibilidade dessa demanda ser atendida pelos fornecedores brasileiros”, explica Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc.