Podemos definir as armadilhas psicológicas como padrões de pensamento e comportamento, o que acaba alimentando um cenário de tomada de decisões financeiras feitas de forma irracional, como se estivéssemos num piloto automático.
Para evitar ser levado pelas armadilhas psicológicas financeiras, é necessário conhecê-las – Foto: iStockEsse cenário ocorre, principalmente, devido a sentimentos que nos levam a momentos de vulnerabilidade em intensas situações da vida, como solidão, angústia, ansiedade e até um vazio. Em busca de cessar, nem que seja por um instante, essas sensações, pulamos de paraquedas em outra esfera: a de buscar por prazer momentâneo comprando ou investindo em algo.
Isso porque, quando adquirimos algo, o nosso organismo libera a dopamina — neurotransmissor responsável por ativar a felicidade, bem-estar e motivação, mascarando os sentimentos que antes estavam nos afetando de forma negativa.
Quais são as principais armadilhas psicológicas financeiras?
Para evitar ser levado pelas armadilhas psicológicas financeiras, é necessário conhecê-las. Por isso, separamos seis gatilhos que podem influenciar:
1. Efeito ancoragem
Esse é um dos principais gatilhos, isso porque influencia diretamente a compra por impulso. A ancoragem nos leva a fazer estimativas com base em valores de referências anteriores, fazendo com que as promoções sejam tão atrativas, pois o nosso cérebro se ancora no antigo preço para relevar o desconto.
Se você compra um produto de R$150,00 por R$100,00, você não está “economizando” R$50,00, e sim gastando R$100,00. Esse pode ser um bom primeiro passo para começar a trabalhar o cérebro.
2. Aversão à perda
O gatilho que a aversão à perda gera é o de levar as pessoas a darem mais importância aos prejuízos do que aos ganhos. Por isso, é comum que as pessoas insistam em investimentos sem nenhuma perspectiva, isso porque estão resistindo em admitir os seus déficits, ou até mesmo tenham medo de posições lucrativas por conta do temor aos danos.
Para tentar controlar essa aversão, é preciso entender e lutar contra o medo, aprendendo também a lidar com prejuízos e situações que podem ocorrer na vida financeira. Um grande início para tal pode ser quitar dívidas com qualquer dinheiro extra, em vez de guardá-lo para manter essa sensação de satisfação, sendo que essa é uma necessidade sua.
3. Escolha intertemporal
O nosso cérebro é capaz de manipular eventos em decisões que dependem do tempo para serem realizadas. Na área financeira, por exemplo, as pessoas costumam trocar um custo por um benefício — como no caso dos juros.
Acabamos por consumir agora, e pagar depois. E o pior é que ainda acreditamos que há vantagem econômica nisso. Mas essas situações corriqueiras são o oposto, isso porque usamos o crédito e deixamos de poupar para algum objetivo.
Segundo uma pesquisa realizada pela SPC Brasil, em 2019, seis em cada dez brasileiros não se preparam para a aposentadoria. O que deixa nítido a troca de garantia financeira do futuro por prazer momentâneo.
4. Efeito manada
O efeito manada é o gatilho relacionado à dimensão social da nossa mente, que tende a seguir o comportamento de algum grupo para se encaixar. Um exemplo são os smartphones, a cada lançamento, as pessoas consomem de forma impulsiva, por serem uma tendência.
Esse comportamento, gerado pela publicidade de massa, acaba por influenciar não só o público alvo, como também todos aqueles que estão ao redor e convivem junto. É necessário pensar duas, até três vezes antes de adquirir um produto, ainda mais quando o valor é alto.
Conhecer os seus gatilhos em momentos de vulnerabilidade vai te livrar de dívidas e escolhas intensas.