Uma grande reunião entre trabalhadores, líderes sindicais e representantes da empresa Coteminas debateu na manhã desta terça-feira (11) o futuro das atividades da companhia têxtil em Blumenau, no Vale do Itajaí. No encontro, a proposta da empresa, de demitir mais de 700 funcionários de forma fracionada, foi aprovada por 734 votos.
Trabalhadores aprovaram proposta da empresa nesta terça-feira (11) em assembleia para discutir futuro das operações da gigante têxtil em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTVO encontro reuniu mais de 780 trabalhadores na sede da Associação da Artex, no bairro Garcia. A gigante do segmento de cama, mesa e banho afirma que está revendo seu modelo de negócio, reduzindo o número de funcionários.
O acordo formulado pela empresa para negociar a demissão de mais de 700 funcionários envolve novos pontos importantes e que não haviam sido discutidos até então. Eles foram apresentados de forma exclusiva aos trabalhadores nesta reunião.
SeguirAnteriormente, uma outra reunião foi suspensa na última quinta-feira (6), entre a Coteminas e o Sintrafite (Sindicato dos Trabalhadores Têxteis), para uma nova rodada de negociações. Em novo encontro na sexta-feira (7), com a presença do Ministério Público do Trabalho, a empresa fez uma outra proposta ao Sindicato, que foi aprovada nesta terça-feira (11).
Inicialmente, a empresa comunicou que faria o desligamento de 841 funcionários da fábrica com sede em Blumenau. Contudo, a proposta aprovada nesta terça-feira (11) menciona que serão 721 o número de profissionais demitidos.
A reportagem da NDTV acompanhou a reunião onde o sindicato trouxe a proposta para o conhecimento dos colaboradores. Basicamente, ela apresenta os seguintes tópicos:
- Demissão de 721 funcionários listados pela empresa, número menor que o divulgado anteriormente;
- As verbas rescisórias continuariam sendo pagas de forma parcelada, mas somente em até 10x;
- Cerca de 80% dos trabalhadores dispensados deve ter parcelamento em até 5x;
- Em julho deste ano seriam demitidos primeiro os trabalhadores que já aceitaram ser desligados da empresa (284 profissionais, segundo a companhia);
- Em agosto e setembro de 2023, novas demissões seriam feitas, perfazendo o total de 721 desligamentos;
- Colocação de um terreno da empresa em Blumenau, com área de 24 mil m², avaliado em R$ 32 milhões e máquinas como garantia de pagamento das verbas rescisórias;
- A quitação das multas por atraso de salários (segundo levantamento pelo sindicato, foram 14 dias de atraso em 2023) seria embutida nos valores rescisórios de cada trabalhador;
- O pagamento de aviso prévio seria normal para cada 1 ano trabalhado, com acréscimo de mais 3 dias. Para quem tem mais de 45 anos de idade ou 5 anos de empresa, teria mais um mês de aviso prévio;
- Com relação ao atraso do FGTS (que segundo o sindicato está atrasado desde agosto de 2022), a proposta da empresa seria de sacar o fundo após 10 dias após a data da homologação do desligamento do funcionário;
- Quanto às parcelas atrasadas do Fundo, a empresa propôs regularizar a situação em até 90 dias.
Terreno e máquinas como garantia de pagamento
Representantes da Coteminas colocaram em garantia um terreno nos fundos da Intendência Distrital do Garcia, onde havia uma subestação de eletricidade de propriedade da Coteminas.
Terreno avaliado em R$ 32 milhões fica nos fundos do Ambulatório Geral do Garcia e da Intendência Distrital foi uma das garantias propostas pela empresa nesta terça-feira (11) – Foto: Google Earth/Divulgação/NDConforme a diretoria da empresa, o imóvel não está penhorado e, mesmo que a empresa entre em processo de recuperação judicial ou tenha falência decretada, ele está assegurado para o pagamento destas rescisões.
“A empresa procurou o sindicato para fazer um acordo para fazer desligamentos respeitando pagamento das verbas rescisórias para que ninguém tenha prejuízos. Porém precisamos fazer de forma escalonada”, afirmou durante a reunião, o responsável pelo setor de RH (Recursos Humanos) da Coteminas em Blumenau, Celso João Gonzaga.
Por determinação da presidência da empresa, segundo o gestor de RH da Coteminas, a companhia não cogita pedir recuperação judicial. Segundo o profissional, todas as unidades da gigante nacional estão passando por uma reavaliação no número de colaboradores.
“Todas as plantas da Coteminas vão precisar recuar e dar um passo atrás. Porque nós perdemos mercado. (…) Palavras do nosso presidente: jamais a gente vai pedir uma recuperação judicial”, cravou Celso João Gonzaga.
Os representantes da empresa ainda informaram que a proposta apresentada é a forma mais tranquila e possível de ser executada, na visão da companhia. A Coteminas informou que vendeu o maior imóvel que ela possuía e irá receber o pagamento em 24 parcelas. O valor da transação, contudo, não foi divulgado.
Sobre a garantia do terreno milionário, a direção da Coteminas detalhou que o imóvel seria transferido ao Sindicato. Outros bens da empresa, como por exemplo máquinas, também foram incluídos na negociação. Membros da entidade sindical, acompanhados de uma equipe técnica, da empresa, irão acompanhar o lacre das máquinas no parque fabril.
Proposta aprovada
Ao final da reunião, uma votação manual foi feita entre todos os mais de 750 funcionários presentes. Cédulas de papel foram distribuídas e depositadas pelo público presente em várias urnas.
Trabalhadores aprovaram proposta da empresa nesta terça-feira (11) em assembleia para discutir futuro das operações da gigante têxtil em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTVAo todo, foram 734 votos sim, 45 não e 4 votos nulos ou em branco. Segundo o presidente do Sintrafite, Carlos Maske, a proposta aprovada não é a ideal na visão do sindicato, mas viu a nova rodada de negociações como algo positivo, terminando em um acordo.
Trabalhadores aprovaram proposta da empresa nesta terça-feira (11) em assembleia para discutir futuro das operações da gigante têxtil em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTV“Eu acho que ficou muito claro que a gente teve avanços ao longo das negociações, obviamente na nossa fala aqui como sindicato, a gente deixou muito claro que não é uma proposta boa, não é a proposta de gostaria de apresentar aqui aos trabalhadores. Mas a empresa reafirmou e mantém a posição dela, da demissão de aproximadamente 700 trabalhadores e agora vai fazer isso, de forma fracionada”, afirmou Carlos Maske, em entrevista à NDTV.
Em conversa com trabalhadores afetados pela medida, o presidente do sindicato afirma que a proposta de oferecer máquinas e um imóvel como garantias dá mais segurança aos funcionários. A entidade sindical afirma que irá acompanhar de forma integral o processo de pagamento da empresa, conforme proposto.
Trabalhadores aprovaram proposta da empresa nesta terça-feira (11) em assembleia para discutir futuro das operações da gigante têxtil em Blumenau – Foto: Franciele Cardoso/NDTV“A gente verificou a questão tanto das máquinas, como também do terreno e não existe nenhuma restrição quanto a esses bens da empresa. Pelo que eu conversei com os trabalhadores aqui de fato, isso dá mais segurança para eles, porque se por um acaso a empresa descumprir esse parcelamento, o sindicato vai executar esse acordo e vai vender o imóvel da empresa para pagar os trabalhadores. Então, os trabalhadores se sentem mais seguros neste sentido”, finaliza Maske.