Crise chega em alimentos ‘inferiores’ e inflação sobre o macarrão instantâneo dispara

Com preço baixo, macarrão instantâneo tem espaço na mesa dos brasileiros, porém inflação já o torna 21,84% mais caro em 2022

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Redação ND Florianópolis

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O salto na inflação geral, diminuiu o poder de compra dos brasileiros que passaram a optar por alimentos considerados “inferiores” e de baixo valor nutricional. Com a elevação da demanda, esses substitutos também começaram a pesar no bolso das famílias. As informações são do portal R7.

Macarrão instantâneo e salsicha estão entre os itens que tiveram salto acima da inflação em 2022 – Foto: Freepik/Divulgação/NDMacarrão instantâneo e salsicha estão entre os itens que tiveram salto acima da inflação em 2022 – Foto: Freepik/Divulgação/ND

De acordo com dados do IPCA-15, do IBGE, entre os itens de baixo valor nutricional com salto acima da inflação nos primeiros sete meses de 2022, aparecem o macarrão instantâneo (+21,84%), a salsicha (+7,1%) e as massas semipreparadas (+9,19%).

O pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), explica que, em momento de redução da renda das famílias, os alimentos considerados inferiores são sempre mais atingidos pela inflação.

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“Parte dessa dinâmica de demanda contribui para a aceleração de preço desses bens inferiores e, por mais que eles apesentem uma variação acima da inflação, eles seguem mais baratos do que aqueles bens considerados comuns”, afirma Peçanha.

Segundo a economista e professora de análise de cenários econômicos no Ibmec-SP, Fernanda Mansano, o brasileiro opta por consumir alimentos inferiores na comparação com aquele de valor nutritivo maior, mas que custam mais caros.

Substituição reflete crise no país

Ao citar especificamente a possibilidade de substituição do arroz pelo macarrão, Fernanda destaca a influência da valorização do dólar sobre os grãos. “Nós observamos um aumento do preço do arroz e aqueles consumidores com a faixa salarial menor, das classes C e D, são os primeiros a trocar um item por outro de menor valor nutricional”, ressalta ela.

As proteínas mais utilizadas no momento da substituição também desempenham um  papel de vilões diante da inflação neste ano, puxada pelos preços do leite longa-vida (+57,42%). Houve um aumento expressivo também no preço dos ovos (+12,21%).

Por outro lado, as proteínas mais nobres, como o filé-mignon (-3,81%) e a carne de carneiro (-8,43%), ficaram mais baratas nos sete primeiros meses do ano.

Fernanda ressalta que a substituição da carne de frango ou do ovo por proteínas inferiores, como a salsicha, ocorre com a deterioração das situações das famílias mais pobres. O cenário atual contribui para o aumento da insegurança alimentar no Brasil, que passou a atingir 36% da população em 2021, de acordo com a FGV Social.

*Com informações do Portal R7

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