Demissões em multinacional preocupam, mas sindicato acredita na força do setor cerâmico em SC

Dexco anunciou cortes nas unidades de Criciúma e Urussanga; setor emprega cerca de 4 mil trabalhadores na região Sul

Thiago Hockmüller Criciúma

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Print do Google Maps da fachada da Dexco em CriciúmaDemissões em multinacional atingem unidades de Criciúma (foto) e Urussanga – Foto: Google Maps/ND

O anúncio de demissões em massa na Dexco aumentou o debate sobre o setor cerâmico. A preocupação em torno do tema atinge o Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas de Criciúma e Região, que lamenta os desligamentos previstos nas unidades de Criciúma e Urussanga da multinacional, mas que ainda acredita no futuro deste segmento da indústria.

“No time de futebol, quando o time não ganha, quem sai é o treinador, não são os jogadores. Aqui foi diferente. Quem errou na administração e na gestão, ficou. Quem pagou foram os trabalhadores”, ilustra o presidente do sindicato, Itaci de Sá, que atua como liderança sindical desde os anos 60.

Setor cerâmico emprega cerca de 4 mil trabalhadores no Sul

O Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas de Criciúma e Região atende cerca de 4 mil trabalhadores da indústria ceramista. São 11 empresas da cerâmica branca, que são aquelas que produzem os chamados revestimentos chão/parede, casos de pisos e azulejos.

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Cerca de 4 mil trabalhadores compõe o setor cerâmico na região de CriciúmaCerca de 4 mil trabalhadores compõe o setor cerâmico na região de Criciúma – Foto: Divulgação/ND

A relevância dos ceramistas para a economia é um dos motivos que fazem Itaci de Sá acreditar no futuro do setor, que passa por dificuldades. A própria Associação Empresarial de Criciúma (Acic) atribui ao recuo deste segmento como um dos motivos do avanço tímido da indústria na região Sul. Estima-se que, nos últimos dois anos, as empresas tenham produzido 80% da capacidade.

O presidente do sindicato diz que a qualidade da mão de obra e a assiduidade dos trabalhadores contrapõem, por exemplo, problemas relacionados ao preço do gás e logística.

“A gente sabe que as vendas estão um pouco abaixo daquilo que eles esperam, mas tenho muita fé no setor cerâmico. Tem a dificuldade do preço do gás, que é um pouquinho mais caro do que em São Paulo, mas tem outra vantagem, que é a boa mão de obra, é a vontade de trabalhar, porque o absenteísmo aqui é baixo. É diferente do Rio de Janeiro e de São Paulo. Temos uma boa mão de obra, boa matéria-prima, e isto compensa este problema do gás”, argumenta.

Lideranças do sindicato conversam com trabalhadores de uma cerâmica da regiãoLideranças do sindicato conversam com trabalhadores de uma cerâmica da região – Foto: Divulgação/ND

Sindicato tenta realocar funcionários demitidos

O presidente do sindicato se disse surpreso com o anúncio das demissões na Dexco, que prevê 30 desligamentos em Urussanga, na unidade da Ceusa, e outros 90 em Criciúma, na unidade da Portinari. Itaci de Sá acredita que o número pode chegar a 150, mas afirma que outras cerâmicas e empresas da indústria plástica demonstraram interesse em aproveitar a mão de obra.

“No setor cerâmico tem vagas pra todos eles. Mas tem outras empresas que também querem. Tem o setor plástico, de móveis, tem vários setores que estão precisando. São trabalhadores assíduos, uma boa mão de obra”, pondera.

Além das 11 empresas da cerâmica branca, o sindicato atende também empresas da chamada cerâmica vermelha, que são especializadas em tijolos, telhas e lajotas. A área de abrangência do órgão engloba Criciúma, Urussanga, Cocal do Sul, Forquilhinha e Içara.