Economistas alertam para cuidados e dão dicas de renda variável para investidores iniciantes

Mais de 260 mil catarinenses entraram na busca por diversificação de investimento ao longo de 2022; porém, ainda existem dúvidas sobre qual caminho seguir

Marcos Jordão Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O número de brasileiros que buscam investimentos segue aumentando em 2022. Um exemplo disso é que a B3, a bolsa de valores do Brasil, conta com mais de 4 milhões de contas abertas até agosto deste ano, sendo 260,6 mil apenas de Santa Catarina.

Risco pode valer a pena se pensado à longo prazo – Foto: Unsplash/Divulgação/NDRisco pode valer a pena se pensado à longo prazo – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

Além do avanço, os primeiros investimentos dos brasileiros são considerados cada vez mais baixos. A mediana foi de R$ 44 em dezembro de 2021, menor valor observado desde janeiro de 2014, conforme a B3.

Economista e gestor de investimentos certificado pela CVM (Comissão Mobiliária de Valores), Vinicius Machado aponta que grande parte dos novos investidores iniciam com menos de R$ 10 mil, o que é considerado baixo.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Existe uma tendência mundial por conta dos aplicativos e, como as pessoas entendem a forma de trabalho e investimento como uma ‘gamificação’, ou seja, você entra, vai investindo e gera até uma ansiedade para ter o retorno de um lucro em um curto espaço de tempo”, explica o gestor de investimentos.

Machado aponta a cautela como uma das principais virtudes para os iniciantes. “Não é um modo rápido para quem quer ganhar dinheiro em um curto período. As pessoas precisam ter ciência que é um investimento em longo prazo e visualizar como uma reserva ou uma forma de garantir a aposentadoria”, complementa.

Além da precaução, Machado alega que também é necessário um cuidado no momento de declarar dividendos e ações no Imposto de Renda.

“Normalmente, as pessoas não sabem fazer. Por exemplo, quais ações, o dividendo [parcela do lucro distribuído entre os acionistas] e bônus […] Então, muitos acabam se frustrando”, exemplifica.

Por onde começar

Antes de escolher o local para investir, o personal banker Márcio Godoy destaca que é necessário definir perfil e objetivos de investimento para, em seguida, selecionar as opções mais adequadas às necessidades.

“Toda e qualquer pessoa com cadastro ativo em uma instituição financeira pode operar na bolsa de valores nacional ou internacional. A partir de R$ 100 por mês, você já pode fazer a sua carteira de investimento. É necessário procurar uma corretora de valores ou o seu próprio banco para realizar o cadastro na bolsa”, explica Márcio Godoy.

O personal Banker aponta que existem plataformas que concentram diversos fundos imobiliários de todos os valores. Após a escolha, o investidor passa por uma avaliação para que seja compreendido o seu perfil.

“É importante porque, a partir disso, a própria ferramenta libera os fundos para investimento correspondendo com o perfil do investidor. Dessa forma, você consegue analisar qual será a rentabilidade e onde está colocando o seu dinheiro. Por conta disso, eu indico a Guide, que é a primeira do Brasil, criada em 1997, que tem praticamente todos os fundos e faz essa leitura de cada investidor”, explica.

Entre os meios mais conhecidos, a B3 disponibiliza a compra de ações de empresas privadas e também cotas de participação em fundos de investimentos imobiliários, ou seja, grupo que compra ou constrói imóveis com os recursos das cotas vendidas, que disponibilizam rendas variáveis.

“A recomendação para iniciantes é buscar fundos de investimentos ligados ao índice de ações que faz a Ibovespa. Por exemplo, que cobra uma taxa de administração bem baixa e vai replicar algo que já existe. Além disso, é um grupo composto por diversos profissionais com vasta experiência de mercado que fazem as escolhas por você”, aponta Vinicius Machado.

Por fim, o economista e gestor de investimentos indica – especialmente para os iniciantes – o fundo de investimentos em ações Nest, que leva em consideração a carteira do Ibovespa. Assim como o Joule Value, que trabalha na gestão de ações.

Tópicos relacionados