Começou a valer na segunda-feira (12), em Chapecó, no Oeste catarinense, o decreto de número 40.535 que proíbe bares e restaurantes a colocarem mesas e cadeiras nas calçadas. O documento é válido por apenas quatro dias, ou seja, até a próxima quinta-feira (15). A medida visa evitar aglomerações de clientes por conta da pandemia de Covid-19, uma vez que a região está na fase vermelha, a mais crítica por conta da doença respiratória.
A medida vale até quinta-feira (15) – Foto: Rodrigo Gonçalves/NDTV/NDA ação foi imposta aos empresários após a prefeitura de Chapecó constatar que alguns estabelecimentos não cumpriram com as regras de distanciamento entre uma mesa e outra. Todavia, os flagrantes de aglomerações aumentaram nos últimos fins de semana. Entretanto, o novo decreto se encerra antes do próximo fim de semana.
Para alguns donos de bares e restaurantes, a medida anunciada pelo prefeito João Rodrigues (PSD) vai ao encontro de agravar a crise econômica enfrentada pelo setor por conta da pandemia. No bar de Anderson da Luz, que fica na avenida Getúlio Vargas, os prejuízos chegaram a 90% no último ano. Ele diz que manteve na empresa o quadro funcional que chega a 23 famílias.
Seguir“Acredito que o prefeito tomou essa decisão do último decreto pela forte pressão pública. Lendo os comentários nas redes sociais da prefeitura é nítido que essa pressão tem relevância para a decisão formalizada”, comenta o empresário.
Na calçada que fica em frente ao estabelecimento de Anderson, ficavam sete meses em uma área de 14 metros. Ali ele atendia uma média de 20 pessoas por dia, o que não será mais possível durante alguns dias.
“Tudo o que está decretado é somente para o setor de bares, nada menciona sobre vendedores de calçada, filas enormes nas agências bancárias que se intensifica nesses períodos de auxílio emergencial. O que criou-se ao longo desse período de pandemia foi uma negatividade sem precedentes para o setor, e em nossa região, o bar se tornou o maior inimigo da opinião pública, se tratando de coronavírus”, completa o empresário.
‘Cúmulo do patético’
Outro empresário, que prefere não se identificar, analisa que existe certa falta de diálogo do poder público com o setor para definir ações efetivas e fiscalizações. Ele considera o novo decreto “o cúmulo do patético porque não há fiscalização”.
“Existem bons e maus comerciantes e teve estabelecimentos que abusaram, então agora todos pagam pelos maus exemplos. E o grande problema é que não tem fiscalização para tudo isso, porque se tivesse, o descumprimento não aconteceria. O poder público deveria conversar com a classe, mas as decisões que alegam ser técnicas e não práticas”, ressalta o empresário.
Chapecó está na fase vermelha da pandemia de coronavírus – Foto: Rodrigo Gonçalves/NDTV/NDO empresário Ivonir Trizotto também foi afetado com a nova regra, porém acredita que o maior problema seja de pessoas aglomeradas em locais fechados e festas clandestinas.
“Mantendo o distanciamento correto, acredito que não prejudica em nada porque está ao ar livre. A calçada sempre foi tanto aqui como em outros lugares do mundo um local de socialização. Pelo fato do poder público ter tomado essa decisão do decreto, acredito que seja uma pressão da população. Mas vejo que, com o respeito e cumprimento das regras, eu acho que não deveria ser proibido porque é uma renda para muitas famílias que sobrevivem disso”, opina.