Enori Barbieri, vice da Faesc: “Todo mundo vai pagar a conta da invasão na Ucrânia”

Vice-Presidente da Federação da Agricultura analisa consequências da guerra em SC

Receba as principais notícias no WhatsApp

Médico veterinário e produtor rural, o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, Enori Barbieri, analisa os reflexos no agronegócio do Estado com a invasão da Ucrânia pelas tropas russas.

Barbieri alerta sobre os graves reflexos da guerra – Foto: DivulgaçãoBarbieri alerta sobre os graves reflexos da guerra – Foto: Divulgação

Quais os setores do agronegócio de SC que podem ser mais atingidos com a invasão da Ucrânia pela Rússia?

Começam com a produção de grãos. De lá vem 25% dos fertilizantes que o Brasil utiliza nas diversas culturas, principalmente a ureia, feita de gás de petróleo, que a Rússia suspendeu para abastecer a Europa. E agora, a Bielarrussi, grande produtor de cloreto de potássio que não consegue chegar aos portos da Lituânia, por conflitos políticos.  Se não tiver solução no segundo semestre, o problema dos fertilizantes, o Brasil poderá sofrer com a falta de potássio. Mas o governo brasileiro já negocia com o Irã a questão da uréia com troca por milho e agora com o Canadá uma cota de cloreto de potássio.  Os preços já dos fertilizantes já estavam proibitivos com aumentos de até 300% no final do ano.  Os agricultores são usar muito menos fertilizantes na próxima safra.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Em relação a Ucrânia?

É outro grave problema. A Ucrânia é a quarta maior produtora e exportadora de milho. Santa Catarina é um grande importador de milho, com 6 milhões de toneladas.  E com a estiagem houve quebra forte na produção de milho no sul do Brasil. O milho está muito caro para transformação em proteína animal. Se o milho subir no mercado mundial vai balizar preço também para Santa Catarina.  Aí, os produtores de aves e suínos vão ter muitas dificuldades de manter os custos de produção. Outro produto que vai impactar fortemente é o trigo.

Por que?

A Rússia é a maior produtora e a maior exportadora mundial de trigo. O Brasil, das 12 milhões de toneladas que utiliza para massas, pão e derivados, importa 6 milhões de toneladas. Terá que buscar o trigo em outros países, em função do fechamento dos portos.  Muitos vão procurar o trigo da  Argentina.  Mas os preços já começaram a subir.  E, finalmente, o drama dos preços do petróleo.

Qual a vinculação?

A agricultura também é feita de óleo diesel.  As máquinas usam muito o diesel. E o petróleo que já estava na bases de 100 dólares o barril já bateu no 120 dólares. Se isso for transferido para o consumo vai abalar – e muito -o setor agrícola.  Infelizmente, o comércio hoje é globalizado e todo mundo vai ser afetado e também vai pagar esta conta.  E, não podemos ignorar a hipótese de cancelamento de exportações de produtos para aqueles países.  O frete marítimo será impactado, sobrarão produtos e o Brasil não tem condições de absorver os custos de produção elevados, que já oneram a população brasileira.

*