Com a privatização do Porto de Itajaí no horizonte, crescem também as especulações de qual empresa assumirá o comando do terminal pelos próximos 35 anos.
Uma das regras para concessão, impostas pela Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, é de que as empresas MSC e Maersk, não poderão integrar consórcios entre si para concessão do Porto de Itajaí. Essa regra, segundo a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), seriam para evitar monopólios.
Árabes e chineses podem estar ‘de olho’ no Porto de Itajaí – Foto: Marcos Porto/Divulgação /SECOM Itajaí/NDO secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, afirmou que prevê investimentos de mais de R$ 2,8 bilhões em três anos com a desestatização.
SeguirEntre os possíveis investidores do porto estão empresas árabes e chinesas. Para o professor de Economia Internacional da Univali, Daniel Corrêa da Silva, considera que grupos árabes não sejam os maiores investidores em portos como o de Itajaí, tendo chineses, estadunidenses e alemães com intensidade maior.
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“Entretanto, o maior interesse dos árabes em nosso porto se deve à possibilidade de baratear, para eles, os custos da importação da carne brasileira de frango, mediante o controle desta etapa da cadeia logística”, avalia.
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Já para os chineses, existe um interesse estratégico em deter o controle de vários setores de infraestrutura e logística no Brasil, como protos, ferrovias, aeroportos e rodovias, conforme explica Corrêa. “O Porto de Itajaí conserva ainda grande movimentação, mas decaiu aceleradamente nos últimos 5 anos. Os chineses enxergam uma oportunidade de resgatar a operação do porto e potencializar sua capacidade de movimentação de cargas”, afirma.
Entrega do porto para empresas internacionais poderia encarecer operações – Foto: Bruno Golembiewski/NDImpactos
Para Corrêa, em qualquer um dos casos, para o Brasil e para Itajaí, a estimativa é a de que venham inicialmente muitos investimentos na recuperação e modernização da administração portuária.
“No entanto, a tendência é a de que estes investimentos se reduzam com o passar do tempo e, como todo processo de desnacionalização, a receita gerada pela operação não fique na região de Itajaí e seja drenada para atender aos interesses do grupo aquisitor”, avalia.
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Além disso, os preços das operações seriam completamente em dólar, ao contrário do que é hoje, onde a precificação em dólar é apenas parcial. Isso possivelmente aumentaria os custos de operação em Itajaí para o empresariado local.
Além disso, precificar integralmente a planilha de custos da operação do porto em dólares (hoje, esta precificação já existe, mas é parcial), provavelmente aumentará os custos de operação em Itajaí para o empresariado local.
No primeiro trimestre de 2022, o Porto de Itajaí foi responsável por 4,4% de toda a movimentação portuária no Brasil – Foto: Arquivo NDTVO que diz o governo Federal
A secretaria Nacional de Transportes Aquaviários esclareceu que os investimentos privados não devem se reduzir com o passar do tempo, nem existe a possibilidade de a receita gerada pela operação ser drenada para atender aos interesses do grupo “aquisitor”.
Segundo a pasta, estão previstos investimentos obrigatórios por parte da futura concessionária em torno de R$ 2,8 bilhões ao longo dos 35 anos de concessão, dentre os quais estão as obras para aprofundamento do canal de acesso e berços, essenciais para a manutenção da competitividade do porto, além de ampliação do terminal e aquisição de novos equipamentos.
A secretaria destaca também a projeção de gastos operacionais em torno de R$ 10,3 bilhões ao longo da concessão, dos quais R$ 6 bilhões são apenas para pagamento de mão de obra operacional e administrativa, recursos que beneficiarão diretamente a mão de obra portuária local, tendo em vista a obrigação de contratação da mão de obra do OGMO, a qual terá uma maior demanda de seus serviços decorrentes do aumento de movimentação no Porto de Itajaí com as novas capacidades instaladas.
Complexo de itajaí e Navegantes já movimentos 4 milhões de toneladas em 2022
No primeiro trimestre de 2022, o Porto de Itajaí foi responsável por 4,4% de toda a movimentação portuária no Brasil e 69,3% no Estado de Santa Catarina.
O Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, no mesmo período, registrou 252 atracações, com a movimentação em toneladas de 4.143.441. O acumulado de giros na Bacia 01 foi referente a 129 manobras, e na Bacia 02 totalizou exatas 100 manobras efetuadas.
Para o Superintendente do Porto de Itajaí, Fábio da Veiga, os números registrados durante o primeiro trimestre do ano, indicam um provável crescimento operacional para 2022.
“Se continuarmos com este ritmo de movimentação, no decorrer dos próximos meses, o que é extremamente provável, certamente alcançaremos números favoráveis e significativos nas movimentações. O Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, tem um histórico operacional excelente, isso demonstra que todos os investimentos realizados ao longo dos anos, especificamente no que atende a melhorias no acesso aquaviário, dentre outras medidas, foram completamente eficazes e necessárias. Dessa forma, continuamos nos destacando gradativamente no mercado portuário Brasileiro”, pontua.
As principais exportações registradas durante o mês de março foram de madeiras e derivados (39,19%), frango congelado (21,78%), carnes (bovina e suína 11,14%), mecânicos e eletrônicos (10,06%), cerâmica e vidros (4,04%). As importações mais significativas ainda dentro do mesmo mês foram os produtos químicos (36,24%), mecânicos e eletrônicos (26,63%), têxteis diversos (11,33%), alimentos em geral (9,66%), plásticos e borrachas (7,98%).