O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou, na última segunda-feira (28), um relatório que alerta sobre as ações necessárias para frear os riscos por conta das mudanças climáticas.
Atividade portuária teve 76 paralisações em seis anos por questões climáticas – Foto: Secom/Divulgação/NDEntre os apontamentos sobre os efeitos do aquecimento global, o IPCC apontou que a elevação do nível do mar impactou o complexo portuário de Santa Catarina em 76 vezes nos últimos seis anos, ou seja, uma média de 12 vezes por ano.
Por conta dos ventos fortes ou grandes ondas, as perdas estimadas variam entre US$ 25 mil (R$ 129 mil) e US$ 50 mil (R$ 258 mil) para cada 24 horas com atividades paralisadas.
SeguirO relatório destaca ainda que eventos extremos, incluindo tempestades, inundações causaram prejuízos econômicos e ambientes no litoral urbanizado do Sul do Brasil, como estados de São Paulo e Santa Catarina.
Ainda de acordo com o relatório apresentado no fim de fevereiro, a Terra deve ficar 1,5°C mais quente nas próximas décadas. Dessa forma, gerando diversas impactos irreversíveis.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, declara que o relatório traz evidências “nunca vistas”, revelando como as pessoas e o planeta estão sendo derrotados pela mudança climática.
Em outro momento, Santa Catarina é usado como forma de exemplo para destaca o baixo gasto público em infraestrutura social, como saúde e educação.
Além disso, aponta que a discriminação étnica e exclusão social reduzem o acesso à saúde, “deixando as pessoas pobres em regiões inteiras, em sua maioria, sem diagnóstico ou sem tratamento.
Entre as vulnerabilidades sofridas pelos países da América do Sul, o relatório da ONU entrou no contexto de políticas de privatização dos sistemas de saúde que conta com pessoas que não identificam os documentos necessários para acessas os serviços públicos em Buenos Aireas (Argentina), Cidade do México (México) e Santiago do Chile (Chile), por exemplo.
Dentro desse exemplo, o relatório aponta que o estado catarinense conta com 9,52 médicos para cada 1 mil habitantes. Apesar disso, a situação é mais favorável que São Paulo que conta com 4,95 médicos ou da Amazônia com 2,2 médicos para cada mil pessoas.
Grande Florianópolis é apontada no relatório da ONU
Já no documento de cidades e assentamentos à beira-mar, a região da Grande Florianópolis, com população estimada em 1,2 milhão, aparece entre as cidades apontadas e com soluções para evitar desastres climáticos.
Florianópolis é citada em capítulo que fala sobre cidades e assentamentos à beira-mar – Foto: Internet/Reprodução/NDEntre elas, preparar planos e adequar a redução de riscos e construção de resiliência após desastres. Apesar disso, a pesquisa revela que o desenvolvimento não regulamentados em alguns locais impedem uma adaptação eficaz das medidas.
Mesmo assim, indica que uma das medidas pode ser ainda acordos multilaterais, por exemplo, entre países vizinhos ou regiões costeiras.
Outra alternativa seria garantir recursos nacionais e regionais para apoiar esforços, compartilhar informações e usar medidas para promover a interação, deliberação e coordenação para gerenciar os efeitos indiretos.
Apelo ao fim dos combustíveis fósseis
O chefe da ONU destacou que é essencial limitar as emissões de gases em 45% até 2030 e atingir emissões zero até 2050. Alem disso, explica que a poluição por dióxido de carbono está lançando as pessoas mais vulneráveis do mundo para a destruição.
António Guterres explicou que com os acordos atuais, as emissões globais poderão subir quase 14% na próxima década, o que será uma “catástrofe, destruindo qualquer chance de manter viva a meta de 1.5° C”.
O secretário-geral destacou ainda que o relatório do Ipcc mostra como “carvão e outros combustíveis fósseis estão engolindo a humanidade”. Ele pediu aos países do G-20, que inclui o Brasil, para deixarem de financiar o carvão e dirigiu um apelo direto às empresas gigantes de gás e de petróleo.
“Vocês não podem afirmar serem ‘verdes’ quando seus planos e projetos minam o acordo para emissões net zero até 2050 e enquanto ignoram que grandes cortes de emissões precisam ocorrer nesta década”, finaliza.