Extrema pobreza em SC bate recorde em 2021, mostra IBGE

Número ultrapassa 2% da população do Estado pela primeira vez e corresponde à quantidade de moradores de Lages

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Felipe Bottamedi Florianópolis

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Santa Catarina nunca teve tantos moradores na extrema pobreza desde 2012, ano em que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) instituiu o indicador social. São 153,7 mil pessoas nesta condição – número próximo à quantidade de moradores em Lages, na Serra.

O índice, cuja versão de 2021 foi divulgada nesta segunda-feira (5), tem como base as definições do Banco Mundial. O órgão adota como linha de extrema pobreza os rendimentos iguais ou menores que US$ 1,90 PPC, ou R$ 168 mensais per capita.

Morador em situação de rua em Florianópolis – Foto: Arquivo/Leo Munhoz/NDMorador em situação de rua em Florianópolis – Foto: Arquivo/Leo Munhoz/ND

O número de moradores na extrema pobreza durante o segundo ano da pandemia da Covid-19 corresponde à 2,1% de toda a população catarinense. É a primeira vez desde o início da série (em 2012) que a proporção de pobres extremos ultrapassa 2%.

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Desde 2016, a extrema pobreza está crescendo no Estado: os moradores que se enquadram na categoria correspondiam 1,8% de toda a população catarinense naquele ano, passando para 1,5% entre 2017 e 2019. No ano de 2020, primeiro ano da pandemia, a taxa saltou para 1,9% da população.

Um a cada dez moradores são pobres

Entre os pobres, categoria que abarca todos aqueles cuja renda corresponde à menos R$ 486 mensais per capita, estão 10,5% da população catarinense. Ou seja, um a cada dez pessoas que mora em Santa Catarina é pobre.

São quase 769 mil moradores, número maior que a quantidade de habitantes em Joinville, no Norte de Santa Catarina, e que ocupa o título de cidade mais populosa do Estado – são 604 mil habitantes.

A taxa é também recorde: Santa Catarina registrou proporção semelhante somente no ano de 2016, quando 10% de toda a população estava na faixa da pobreza, detalha o IBGE.

Estado tem a menor população pobre do Brasil

Apesar do agravamento, Santa Catarina é o estado brasileiro com a menor proporção de pobres. Também estão no fim da tabela o Rio Grande do Sul (13,5%), Distrito Federal (15,1%), Paraná (17,3%) e São Paulo (17,5%).

O Maranhã é o estado mais pobre do Brasil, com 57,5% de toda a população nesta faixa. Em seguida vêm o Alagoas (51,7%) e Pernambuco (51%).

No início deste ano, um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) aponta que cerca de 164 mil moradores de Santa Catarina passaram a viver na pobreza durante a pandemia.

Pobreza bate recorde no Brasil

Em todo o país, o número de brasileiros em extrema pobreza bateu recorde em 2021. Cerca de 62,5 milhões de pessoas eram consideradas pobres.

Entre elas, 17,9 milhões (ou 8,4% da população) estavam em situação de extrema pobreza pelos critérios do Banco Mundial. Foram os maiores percentuais identificados pelo instituto desde o início da série, em 2012.

De 2020 a 2021, houve aumento recorde nos grupos estudados. O número de pessoas abaixo da linha da pobreza cresceu 22,7% (representa mais de 11,6 milhões de pessoas) enquanto o de pessoas na extrema pobreza disparou 48,2% (ou mais 5,8 milhões).

Maior percentual da série

No ano passado, a proporção de crianças menores de 14 anos abaixo da linha da pobreza chegou a 46,2, maior percentual da série. Segundo o IBGE, é uma alta recorde se considerado que percentual caiu (38,6%) ao menor nível em 2020.

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