Fim do auxílio fará mais pobres reduzirem consumo, diz BC

Diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, acredita que com a retirada dos auxílios governamentais haverá queda na demanda de produtos

Estadão Conteúdo Brasília

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O diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, repetiu nesta sexta-feira (6) que o volume e o timing dos auxílios governamentais na pandemia tiveram impacto direto na recuperação econômica não apenas no Brasil, como em outros países.

“Quando os auxílios forem retirados, haverá um impacto sim. Voltaremos a ter uma queda de demanda, e talvez uma reabertura do hiato do produto”, apontou, em participação no evento Macro Vision 2020 organizado pelo banco Itaú.

Término do auxílio emergencial deve reduzir consumo entre os mais pobres – Foto: Reprodução / NDTV BlumenauTérmino do auxílio emergencial deve reduzir consumo entre os mais pobres – Foto: Reprodução / NDTV Blumenau

Ele lembrou que o auxílio emergencial recuperou a renda geral pré-pandemia, mas o consumo caiu bastante.

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“Foi feita uma tremenda poupança adicional, que pode ser consumida quando o estímulo for retirado, mas isso muda muito quando se olha o quartil de renda. A parcela da população mais pobre aumentou o consumo, não fez poupança e irá consumir menos”, avaliou. “A retirada do estímulo vai causar solavancos”, completou.

Ociosidade

O diretor de Política Econômica do Banco Central alertou que o prolongamento da pandemia de Covid-19 pode causar efeitos mais negativos para setores de serviços ainda impactos por medidas de distanciamento social.

“Alguns setores de bens mostram que não têm mais ociosidade, e até apresentam demanda forte causada em boa parte pelo auxílio emergencial. Já setores de serviços afetados pelo afastamento social seguem com ociosidade bem grande, com renda 40% abaixo da usual. Ainda estão vivos, mas pode se tornar uma situação preocupante se a pandemia se prolongar”, afirmou Kanczuk.

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