Fim do rotativo do cartão de crédito? Especialista explica por que BC cogitou essa alternativa

Após declaração do presidente do Banco Central de acabar com o juros rotativo do cartão de crédito, um cenário de discussões e insegurança se formou na economia do Brasil

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Luiz Fernando Dresch Florianópolis

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As declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de acabar com o parcelamento sem juros no cartão de crédito têm sido alvo de várias críticas no cenário econômico nacional. Neto falou sobre o tema durante uma reunião no Senado Federal, no dia 10 de agosto.

Após declaração do presidente do Banco Central de acabar com o juros rotativo do cartão de crédito, um cenário de discussões e insegurança se formou na economia do BrasilApós declaração do presidente do Banco Central de acabar com o juros rotativo do cartão de crédito, um cenário de discussões e insegurança se formou na economia do Brasil. – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação/ND

Conforme o Banco Central, a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo alcançou 455,1% ao ano em maio. Em abril, essa taxa foi um pouco menor mas não deixou de ser elevada, ficando em torno dos 447,3% ao ano.

Endividamento com cartão de crédito atinge 60% da população

O mestre em economia Álvaro Dezidério afirma que o Banco Central percebeu que não há sistema semelhante ao brasileiro em lugar algum do mundo, que tenha um endividamento do brasileiro tão alto com a taxa do rotativo do cartão de crédito.

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Conforme o economista, cerca de 60% da população é “vítima” do juros rotativo do cartão de crédito e por conta disso estão endividadas. Álvaro aponta que o cartão de crédito nada mais é que uma linha de crédito, após liquidar a fatura, o valor do crédito é restabelecido.

Nos casos em que o consumidor paga o mínimo do valor da fatura do cartão e pode parcelar o restante da dívida, acaba incidindo juros sobre juros, destaca o especialista. Além disso, o economista aponta que nestes casos, o usuário acaba caindo em um refinanciamento, por isso a incidência de juros sobre juros.

“Há casos nos quais os juros acumulados podem chegar a 1.000% ao ano”, destaca.

No entendimento do especialista a discussão que está em jogo seria de como fazer a população evitar entrar nesse endividamento. Mas ressalta que não acredita ser possível que essa medida seja de fato efetivada no Brasil.

“Não sei se eles vão conseguir interromper isso por que ele [juros rotativo] é uma alternativa que as pessoas têm”, complementa.

Conforme o presidente do Banco Central, uma das situações que levou os juros do cartão ser tão alto é o uso em parcelamento com prazos alongados. Ainda conforme o órgão, a inadimplência no rotativo chega a 52%.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (14) que a solução para o rotativo do cartão de crédito não poderá prejudicar o consumidor e nem o comércio. O ministro demonstra preocupação com as taxas elevadas desse sistema.

“Nós herdamos uma taxa de juros absurda do rotativo e vamos ter que equacionar [essa questão], mas [a solução] não passa por prejudicar o consumidor que está pagando as contas em dia”, pontua.

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