O momento tão esperado pelos pescadores do litoral catarinense chegou. A abertura oficial da temporada de pesca da tainha 2022 foi neste domingo (1º) e foi marcada por celebrações em diferentes regiões.
Período de pesca vai até o dia 31 de julho e a expectativa é ultrapassar a marca das 300 mil tainhas em um peso superior a 400 toneladas do pescado. Em 2021 foram 217 mil tainhas capturadas.
Abertura safra da tainha na praia de Jurerê Internacional – Foto: Reprodução/Internet/NDPara comemorar o início da safra, o Instituto Getúlio Manoel Inácio e a Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche realizaram pela manhã, uma bênção especial, no lugar da tradicional missa campal.
SeguirO ato foi celebrado pelo padre Eugênio, para dar proteção aos pescadores artesanais que se empenham na pesca da tainha. Após a bênção foi servido um café da manhã reforçado para os presentes.
Missas de abertura da safra também foram celebradas nas praias de Jurerê Internacional, no rancho do Sr. Nilton, e Moçambique.
As bênçãos contaram com a presença de autoridades como o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, e o superintendente de Pesca, Maricultura e Agricultura da Capital, Adriano Weickert. “Vamos fazer uma belíssima safra da tainha”, apostou Weickert.
O evento é considerado o mais significativo para o público envolvido com a pesca. Logo após a missa, premiações, medalhas e homenagens foram destinadas aos pescadores mais antigos. O encontro marcou, ainda, a mistura de gerações já que famílias inteiras estiveram envolvidas em, praticamente, todo o litoral de Santa Catarina.
A partir de agora está autorizada a pesca de canoa de arrasto de praia. Já a pesca de emalhe anilhado, com bote a motor, será liberada apenas no dia 15 de maio. A pesca de cerco está autorizada entre os dias 1º de junho e 31 de julho.
“A gente fica muito orgulhoso de ver as pessoas prestigiando na praia, as pessoas preocupadas e esperançosas com a tainha. Nós ficamos muito felizes de ver pessoas de todas as idades”, explicou Mário César, que é pescador e deve ir para mais uma safra.
Sem especificar o profissional comentou que são mais de 50 anos de pesca e, consequentemente, de muita história.
Veja as fotos:
A portaria que apresenta a relação final das embarcações de pesca habilitadas e não habilitadas foi publicada no dia 18 de abril. Das 130 embarcações que poderiam se habilitar para o anilhado, somente 96 foram homologadas.
Expectativa pelo tempo
De acordo com o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina), Ivo da Silva, apesar da abertura da safra, o tempo não esteve propício para a pesca neste primeiro dia.
“Não tivemos vento hoje, então, na região de Florianópolis, os lanços não foram significativos. Tem que esperar esfriar o tempo e vir o vento Sul”, diz.
Já em Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Passo de Torres, no Extremo-Sul catarinense, os primeiros lanços renderam cerca de 100 kg de tainha, segundo Ivo da Silva.
O início da pesca da tainha também foi registrado na praia de Bombas, em Bombinhas; praia de Ubatuba, em São Francisco do Sul; praia do Rosa, em Imbituba; praia de Fora, em Palhoça; praia da Gamboa, em Garopaba; e na praia Central e praia de Laranjeiras, em Balneário Camboriú.
Mudanças nas regras sanitárias e na infraestrutura
Com a melhora nos índices da Covid-19, foram anunciadas algumas mudanças nas regras sanitárias da pesca da tainha.
Segundo o superintendente, Adriano Weickert, as medidas serão as mesmas do ano passado, “exceto o uso das máscaras e da vacina contra a H1N1 dentro dos ranchos de pesca. A vacina continua sendo feita, mas no posto de saúde”.
“O restante continua a mesma situação do ano passado, que é 50 pessoas no máximo para puxada de rede, uso de gel, a higiene e a fiscalização diária da Superintendência da Pesca junto com a Vigilância Sanitária”, acrescentou Weickert.
Uma das novidades desta safra está relacionada à infraestrutura. Conforme o superintendente, os pescadores poderão contar com 26 banheiros químicos e 36 ranchos provisórios. “Também vai ter iluminação pública colocada em alguns ranchos”, afirmou.
A portaria da Secretaria de Aquicultura e Pesca do Ministério da Agricultura que estabeleceu as medidas de ordenamento, registro e monitoramento da pesca de arrasto de praia no mar territorial de Santa Catarina causou polêmica este ano.
Isso porque não foi estabelecida uma norma que especifique os pontos fixos e a áreas geográficas delimitadas para pesca dessa espécie, ou seja, o pescador terá liberdade para atuar em qualquer praia.