Governadores pedem repasse de R$ 30 bilhões para compensar perdas na arrecadação do ICMS

Assunto foi debatido com o ministro da Economia Fernando Haddad, que propôs um valor de R$ 22,5 bilhões parcelados em quatro anos

Danila Bernardes Brasília (DF)

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Antes de embarcar para os Estados Unidos junto com o presidente Lula, o ministro da Economia, Fernando Haddad, fez reuniões com alguns governadores e secretários da Fazenda, para discutir a compensação das perdas causadas aos Estados com a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de alguns itens.

Os Estados querem uma compensação de R$ 30 bilhões, mas a proposta de Haddad é que os repasses sejam de R$ 22,5 bilhões, feitos de forma parcelada durante os quatro anos do governo.

Redução no ICMS dos combustíveis foi a principal perda e Estados querem compensação – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/NDRedução no ICMS dos combustíveis foi a principal perda e Estados querem compensação – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/ND

Por enquanto, o acordo que está sendo feito por meio do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) ainda não foi concretizado.

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Em Santa Catarina, a Secretaria da Fazenda informou que deixou de arrecadar R$ 326,7 milhões em janeiro de 2023 na comparação com janeiro de 2022. O governador Jorginho Mello (PL) não participou da última reunião com o ministro.

A redução do imposto

A lei complementar 194, aprovada em 2022 pelo Congresso Nacional, teve o voto favorável do então senador Jorginho Mello, hoje governador de Santa Catarina. O texto determina a aplicação de alíquotas de ICMS pelo piso nos valores de 17% ou 18% de combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

O governo do Estado explicou que a iniciativa teve por objetivo, na época, resolver um problema nacional, que foi a forte pressão inflacionária que se iniciou no final do primeiro quadrimestre de 2021, principalmente em relação aos combustíveis.

Alguns Estados recorreram ao STF (Supremo Tribunal Federal)  por causa das perdas e por isso deixaram de pagar a dívida com a União. Então, mesmo quando vier a compensação prevista na lei, podem continuar devendo. Não é o caso de Santa Catarina, que continua pagando a dívida com a União.

O secretário de Fazenda do Estado, Cleverson Siewert, confirmou que os Estados querem compensação acima de R$ 22 bilhões. E que pode ser por meio de abatimento na dívida ou entrada em caixa, o que segundo ele seria importante para alguns investimentos que o governo estadual quer fazer.

“Quando houver esse encaminhamento, Santa Catarina vai dispor de investimentos para universidade gratuita, cirurgias eletivas e obras de infraestrutura”, explicou.