A pandemia da Covid-19, que fez com que o Governo de Santa Catarina decretasse o isolamento social, provocou uma corrida aos supermercados.
Itens como álcool em gel e máscaras cirúrgicas descartáveis faltaram nas prateleiras e também registraram o aumento de preço. Além disso, produtos de cesta básica, como arroz, feijão, leite e farinha de trigo, também tiveram seus preços elevados.
Itens de cesta básica registraram aumento na Grande Florianópolis – Foto: Hub SC/Divulgação/NDSegundo a diretora do Procon da Capital, Elisabete Fernandes, desde fevereiro o órgão municipal vem trabalhando na fiscalização dos produtos que auxiliam no combate ao coronavírus, como o álcool em gel e as máscaras. Esse último item chegou a subir de R$ 5,80 para R$ 29,90.
SeguirMais recentemente, foi a vez do gás de cozinha. Após denúncias de consumidores, o Procon de Florianópolis iniciou uma fiscalização nos estabelecimentos que comercializam o produto, que chegou a ser encontrado por R$98, o botijão.
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Sobre o reajuste nos produtos da cesta básica, Fernandes recomenda que o consumidor faça uma pesquisa de preços e evite os estabelecimentos onde se encontram mais caros.
Fiscalização
Os órgãos de defesa do consumidor dos municípios de Palhoça e São José, na Grande Florianópolis, também intensificaram a fiscalização. Conforme Rodrigo Quintino, que esteve à frente do Procon de Palhoça até sexta-feira (3), o feijão e o leite foram os campeões de denúncias, com aumentos de 40% e 35%, respectivamente.
Como forma de combater a prática, o órgão municipal fiscalizou os locais denunciados e solicitou a nota fiscal de saída, ou seja, a entregue para o consumidor, para verificar o preço praticado antes do aumento das denúncias, há cerca de 30 dias. Desta forma, o órgão verifica se o aumento foi praticado pelo próprio estabelecimento ou se o reajuste veio da indústria fabricante do produto.
O Procon de São José registrou aumento nas denúncias referentes ao preço do leite e ovos. De acordo com o diretor, Fabrício Vieira, a equipe do órgão municipal notificou os estabelecimentos denunciados que tiveram cinco dias para apresentar as notas fiscais de compra.
Foco no leite
Para o presidente da Acats (Associação Catarinense de Supermercados), Paulo Cesar Lopes, o item que mais subiu desde o início da pandemia foi o leite (50%), o que provocou uma reação por parte da Associação. Itens como feijão preto (20%), feijão vermelho (7%) e óleo de soja (10%), também registraram aumento.
O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) chegou a instaurar inquérito civil para investigar se as indústrias catarinenses que produzem, distribuem e vendem leite no Estado estão praticando o aumento abusivo de preços do produto, se aproveitando da situação de emergência decorrente da pandemia do novo coronavírus.
Preço do leite teve aumento nas prateleiras – Foto: Arquivo/Edu Cavalcanti/ND“Não somos formadores de preço, somos repassadores. Quem forma os preços são as indústrias. Orientamos nossos associados a não praticarem aumento de preços e não aceitarem preços abusivos”, defende Paulo Cesar Lopes.
O Sindileite (Sindicato das Indústrias de Laticínios de Santa Catarina), por sua vez, enviou nota em que trata como uma “infeliz coincidência” o preço do leite ter subido nesse período da pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o sindicato, o aumento do produto ocorre devido a vários fatores. Entre eles está a estiagem que afeta o Estado, o aumento do dólar, quarentena que encareceu o preço do frete e o custo da produção.
Alta nos commodities
O presidente do Sindarroz (Sindicato da Indústria do Arroz no Estado de Santa Catarina), Renato Franzner, afirmou que a indústria está repassando um custo que está vindo do produtor. Segundo ele, houve um reajuste de 10% por conta do aumento da oferta e demanda e da alta do dólar.
“Tínhamos um câmbio de R$ 4,30, agora está em R$ 5,20. É 20% maior do que estava no início do mês de março. Os produtos commodities se alinham com o mercado internacional. O câmbio reflete a conversão da moeda local e, se persistir esse valor, haverá reajuste de mais 10%, que ainda não chegou nas gôndolas”, projeta Franzner.
Já o aumento da farinha de trigo, se dá por dois motivos, segundo Egon Werner, presidente do Sinditrigo (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de Santa Catarina). O primeiro deles é que o preço da matéria-prima teve um aumento de 25% ao longo de 2020. Além disso, houve uma queda na safra do grão e a variação cambial reflete no aumento do trigo importado, utilizado por alguns moinhos.
“O aumento por parte da indústria foi de reposição do aumento de custo, não tem caráter especulativo. Houve um reajuste de 4% a 8% no preço das farinhas que vão para o consumidor. Se o dólar se mantiver como está, nos próximos meses, haverá um aumento maior”, diz Werner.
A alta no preço do feijão tem a estiagem com a principal razão. Conforme Denilson Zilli, assistente comercial da Cooperalfa, que reúne produtores do item no Oeste do Estado, a safra na região registrou uma queda estimada de 50%. Isso fez com que o preço do produto aumentasse cerca de 30%.
Combate aos preços abusivos
O Procon estadual, em conjunto com o MPSC, emitiu uma Nota Técnica. Nela, orienta a Acats e seus associados à não promoverem o aumento abusivo e injustificado de preços.
“Todos os aumentos excessivos vão receber as sanções, tanto administrativas, quanto criminais. Verificamos que os reajustes estão sendo praticados pelos fornecedores dos produtos. Criamos uma força-tarefa que esse tipo de situação não passe impune.
A recomendação do documento também é para que os estabelecimentos levem ao conhecimento do MPSC e do Procon estadual, a elevação injustificada de preços, quando ela for praticada pelos fornecedores da indústria e fabricantes dos produtos.