Guedes se retrata após ser gravado dizendo que chinês ‘inventou’ o coronavírus

Ministro da Economia teria duvidado da eficácia da vacina originária da China durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar

Estadão Conteúdo Brasília

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As afirmações do ministro da Economia Paulo Guedes deram o que falar nas últimas horas. Na terça-feira (27), durante uma reunião do Consu (Conselho de Saúde Suplementar) e sem saber que era gravado, o ministro disse que o ‘chinês’ criou a Covid-19 e que teria produzido vacinas de eficácia mais baixa do que as desenvolvidas nos Estados Unidos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes disse que o ‘chinês’ criou a Covid-19 e que teria produzido vacinas de eficácia mais baixa do que as desenvolvidas nos Estados Unidos – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDO ministro da Economia, Paulo Guedes disse que o ‘chinês’ criou a Covid-19 e que teria produzido vacinas de eficácia mais baixa do que as desenvolvidas nos Estados Unidos – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Após tamanha repercussão de sua fala, Guedes fez uma retratação pública e disse que foi “infeliz” em sua declaração. O ministro ressaltou que foi vacinado com a Coronavac (desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac) e disse que o ministro de Relações Exteriores, Carlos Alberto França, vai fazer contato com a embaixada chinesa para desfazer o que, segundo Guedes, foi um “mal entendido”.

A reunião foi transmitida em redes sociais do Ministério da Saúde e o vídeo interrompido após os ministros perceberem a gravação. As imagens não estão mais disponíveis, porém o trecho da fala de Guedes foi reproduzida nas redes sociais.

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“O chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva que a do americano. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Os caras falam: qual é o vírus? É esse? Tá bom. Decodifica. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor que as outras. Então vamos acreditar no setor privado”, disse o ministro da Economia na última terça-feira.

Retratação

Mais tarde, ao falar à imprensa para anunciar mudanças em sua equipe, Guedes aproveitou para se retratar. “Hoje usei uma imagem infeliz”, afirmou o ministro, que argumentou estar falando sobre “como é importante que setor privado colabore no combate à pandemia”. “É uma imagem que não tinha nenhum objetivo (de ofender)”, acrescentou.

Após as declarações de Guedes na reunião do Consu, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, apontou que seu país é o principal fornecedor de imunizantes e insumos ao governo brasileiro. Sem citar o ministro, o diplomata escreveu em sua conta no Twitter que as vacinas e os ingredientes farmacêuticos ativos (IFAs) produzidos na China respondem por 95% do total recebido pelo Brasil.

Importação da China

O Brasil é dependente da importação de insumos farmacêuticos ativos da China para a produção tanto da Coronavac como da vacina de Oxford/AstraZeneca, na Fiocruz. Polêmicas com os chineses envolvendo o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo foram apontadas como motivo para atraso do envio de produtos ao país.

Ao aprovar o uso do imunizante chinês no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apontou que a vacina é segura. Bolsonaro, porém, já desacreditou a Coronavac e disse que não compraria o produto pela origem chinesa. “Da China nós não compraremos. É decisão minha. Não acredito que ela transmita segurança suficiente a população pela sua origem, esse é o pensamento nosso”, disse Bolsonaro, em 21 de outubro, em entrevista à Jovem Pan.

Além de Guedes, também estavam na reunião do Consu os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, da Saúde, Marcelo Queiroga, e da Justiça, Anderson Torres, além de representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Nenhum dos dois ministros, incluindo o da Saúde, corrigiu Guedes.