Santa Catarina é o terceiro estado brasileiro com o maior desempenho econômico, mostra um índice inédito do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgado nesta sexta-feira (23) com dados de 2017. As primeiras posições foram ocupadas pelo Distrito Federal e São Paulo. Em 2008, Santa Catarina ocupava a segunda posição.
Estado também registrou índices mais otimistas no IPQV – Foto: Arquivo/Ricardo Wolffenbüttel / Secom/Reprodução/NDOs resultados foram evidenciados na atualização dos indicadores que medem a qualidade de vida da população brasileira – o IDS (Índice de Desempenho Socioeconômico) e o IPQV (Índice de Perda de Qualidade de Vida). Eles observam, respectivamente, o progresso socioeconômico a partir da renda e as privações que as pessoas enfrentaram.
A novidade é que o IBGE estendeu cálculos para a edição anterior da pesquisa (2008-2009). Até então os índices criados em 2021 consideravam apenas a última edição da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), de 2017-2018.
SeguirO Distrito Federal registrou o maior valor de IDS em 2017-2018: 6,923 contra 5,969 no período anterior, com alta de 16% e ultrapassando São Paulo, que ocupava o topo em 2008-2009. O crescimento do IDS de São Paulo no período foi de 10,3%. Depois vem Santa Catarina, que registrou 6,781 no índice IDS contra 6,123 no período anterior.
“O índice de desempenho econômico é o resultado da quantidade de recursos gerados por uma sociedade e a perda de qualidade de vida que ela sofre em determinado período. Tal índice permite comparar as diferentes UFs em uma métrica comum que desconta do progresso econômico as perdas apontadas pelo IPQV”, explica o analista da pesquisa, Leonardo Oliveira.
SC é o Estado com a menor perda de qualidade de vida
Santa Catarina apresenta também os melhores resultados no IPQV, levantamento que mostra a perda de qualidade de vida. O Estado registra os menores números – quanto mais perto de zero, menor a perda de qualidade de vida.
Santa Catarina registrou 0,099 no período 2017 – 2018, constatando melhora em comparação com nove anos atrás, quando o índice foi de 0,162.
O índice compila 50 indicadores das categorias de moradia, serviços de utilidade pública, saúde e alimentação, educação, acesso a serviços financeiros e padrão de vida, e transporte e lazer.
IDS aumentou em todo o Brasil
Comparando os dados de 2008-2009 e 2017-2018 é possível perceber que tanto o Brasil como todas as Unidades da Federação tiveram aumento na qualidade de vida e bem-estar medidos pelo IDS.
Nacionalmente o valor passou de 5,452 para 6,147, uma variação de 12,8%. “Ao incluírem-se as aquisições não monetárias de serviços, captadas apenas na edição 2017-2018, o IDS passa para 6,212”, destaca o IBGE.
Os Estados que mais tiveram aumentos no IDS são Roraima (32%) e Sergipe (25,8%). Nestes locais a RDFPC (renda disponível familiar per capita) é mais baixa que a média nacional. Rio Grande do Sul (9,1%) e Rio de Janeiro (5,6%) tiveram os menores incrementos.
O analista explica que para o IDS de estados com rendas muito elevadas, pequenos incrementos do IPQV podem anular os benefícios gerados pelos crescimentos de renda. Por outro lado, áreas com renda mais baixa, ao apresentarem aumento real na RDFPC e/ou melhoria no IPQV, conseguem ter um impacto mais significativo no IDS.
“Mesmo em áreas com RDFPC mais elevada e que já tenham ampla disponibilidade de hospitais, saneamento básico, boa rede de transporte público etc., é importante a manutenção e ampliação destes serviços para uma evolução no IDS”, observa.
Destaques nacionais
Já Roraima obteve o melhor desempenho, com acréscimo de 32,0% do IDS. Deve-se destacar que este estado foi o que teve a redução mais significativa no IPQV (-47,0%), acompanhado do maior aumento da RDFPC, 70% (de 674,65 para R$ 1.148,39).
“Isto demonstra que além da melhoria do desempenho econômico proveniente do ganho da renda, a população avançou na qualidade de vida em múltiplas dimensões não monetárias”, analisa Oliveira.
Em situação oposta está o Rio de Janeiro, que foi a UF com menor incremento no IDS no período (5,6%). Este estado teve o menor aumento de renda real do período, apenas 3,1% (de R$1.645,97 para R$1.696,88), e a menor queda no IPQV (-22,2%).
Outros destaques foram Maranhão e Pará, que embora tenham mostrado crescimento nos seus respectivos IDS, 18,3% e 16,8%, permaneceram como os mais baixos do país, 4,841 e 5,067, respectivamente.