Inflação brasileira pode ser originada na queda econômica chinesa

Com a redução de encomendas de commodities brasileiros pelo país asiático, o Brasil terá dificuldades em lidar com o próprio mercado interno, vendo na inflação as consequências dessas ações

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Redação ND Florianópolis

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Com a recente notícia da desaceleração da economia chinesa, a preocupação acerca do assunto chegou para todos os países do mundo, principalmente para os que dependem do país asiático para mover o próprio mercado interno, como é o caso do Brasil – e a já em alta inflação do país.

China é uma das economias líderes do mundo – Foto: Andreas Felske/Unsplash/Divulgação/NDChina é uma das economias líderes do mundo – Foto: Andreas Felske/Unsplash/Divulgação/ND

No terceiro trimestre de 2021, o PIB (Produto Interno Bruto) chinês subiu em 4,9%, mas ainda assim, ficou abaixo do esperado. Isso pode representar uma redução na compra de commodities brasileiras, além de causar uma diminuição na produção industrial de insumos do país. As informações são do Portal R7.

Assim, setores da economia nacional, como os de tecnologia ou têxtil, terão que pagar mais para atender aos pedidos dos consumidores locais, ou então deverão limitar suas ofertas. Ambos os casos podem prejudicar a economia nacional, elevando ainda mais a inflação do Brasil.

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Apenas em setembro, o IPCA (Índice Nacional de Preços para o Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), registrou 10,25% dos acumulados de um só ano.

“Muitas das empresas daqui montam seus produtos na China. Como a produção deles não é tão alta mais, não chegam os produtos necessários para atender a nossa demanda”, explica para o Portal R7 o professor de economia da Universidade Mackenzie, Hugo Garbe.

Garbe ainda observou que essa desaceleração asiática ocorre em um momento onde o mundo busca por novos fornecedores de insumos e peças industriais. “Já se sabia que a China em termos de produção estava estrangulada”, comenta.

“É praticamente impossível sustentar uma população de 1,5 bilhão de pessoas e ainda se manter como grande fornecedor internacional”, diz o professor, que observou ainda que a pandemia de Covid-19 escancarou a dependência de várias nações em relação aos chineses.

Diversos carregamentos de máscaras vieram da China durante a pandemia – Foto: Arquivo/Ministério da Infraestrutura/DivulgaçãoDiversos carregamentos de máscaras vieram da China durante a pandemia – Foto: Arquivo/Ministério da Infraestrutura/Divulgação

“Haverá uma reacomodação. Vários países estão buscando novos parques industriais. Na área de tecnologia, a Índia já é uma forte concorrente, o Vietnã fornece itens de vestuário para marcas de grife; são vários exemplos”, comenta Garbe.

Outro motivo para a queda da produção econômica chinesa é a dificuldade de logística que o país possui para comprar matérias-primas por conta da pandemia, que tornou os fretes escassos e demorados. Assim, o Brasil é prejudicado mais uma vez.

Isso porque a China é a maior compradora de commodities do Brasil. Quase dois terços do minério de ferro do país têm nos asiáticos seus compradores. O mesmo destino recebem a maior parte dos grãos e da carne nacional.

Ao mesmo tempo, isso cria uma via de mão dupla. Ao pararem de comprar os produtos, eles serão obrigados a serem vendidos por aqui, o que tende a fazer com que os preços caiam a partir do número exacerbado de ofertas. Porém, ao passo que a China reduz sua industrialização, o mercado mundial sofre como um todo.

Perda econômica chinesa

Desde a queda econômica provocada pela pandemia na China, a retomada do país se deu com força, mas veio perdendo suas garras nos últimos meses. Isso deve-se, sobretudo, ao setor manufatureiro enfrentando altos custos em suas produções, e, recentemente, tendo que racionar eletricidade.

Essa crise energética vem sendo enfrentada há tempos, pois a escassez de suprimentos de carvão e a rigidez nos padrões de emissões de carbono, junto da demanda dos fabricantes e da indústrias, elevaram os preços do carvão para números nunca antes vistos, gerando assim restrições em seu uso.

Mas não só isso. Recentemente, a crise da Evergrande, a segunda maior incorporadora da China, balançou o país. A empresa precisou de ajuda governamental para não falir e não quebrar um dos maiores setores econômicos do país.

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