Interatividade e conectividade com consumidor no centro do processo

02/09/2022 às 06h30

Transformações tecnológicas provocam efeitos também nas formas de atrair o consumidor. Como será o avanço da publicidade nos próximos anos?

Lorenzo Dornelles Florianópolis

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Entre os anos de 2019 e 2020, o número de anúncios de marcas em redes sociais cresceu mais de 50%, de acordo com um estudo da Socialbakers, empresa americana especializada em análises de mídias sociais.

O aumento, em pleno ano de uma pandemia que já vinha alterando padrões de comportamento em quase todos os setores da sociedade, é um reflexo de uma tendência que tende a ser cada vez mais forte para os próximos anos.

A publicidade dentro das plataformas digitais é uma realidade que parece não ter mais volta, e só tende a crescer. Em um cenário onde a imensa parcela da população está online e navegando pelas redes sociais por várias horas por dia é uma forma que se mostra cada vez mais eficiente de atrair novos consumidores.

Transformações tecnológicas provocam efeitos nas formas de atrair o consumidor – Foto: STOCK FOTOS/NDTransformações tecnológicas provocam efeitos nas formas de atrair o consumidor – Foto: STOCK FOTOS/ND

O professor de administração da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Rafael Tezza, reitera que a tendência para os próximos anos é que o consumidor esteja cada vez mais imerso nos processos de criação dos produtos e serviços. “As empresas tendem a criar uma base de valor direcionada ao consumidor. É uma coisa que a tecnologia, as redes sociais e também toda a questão de interatividade e conectividade que o comércio eletrônico tem dado, faz com que as empresas coloquem o consumidor cada vez mais no centro das suas criações.”

Tezza cita ainda outros artifícios para atrair consumidores em novos meios, caso dos influencers. “Eles têm vendido muito e influenciado o consumo criando uma nova geração de consumidores, que acabatendo essa característica, de exigir ver-se nos produtos”, complementa o professor.

Rede social como canal de marketing e vendas

E não é apenas para divulgar marcas e serviços ou com ouso de influenciadores digitais que se impulsiona o consumo. O caminho indica um uso direto de compra e venda pelas redes sociais.

Pesquisas mostram que hoje plataformas como o Instagram já permitem vendas pelo aplicativo. “A rede social tem sido um grande canal de vendas. Não só de marketing, mas também de venda direta”, destaca Tezza.

Segundo o professor, isso permite formar consumidores mais exigentes para o futuro. “O consumidor tem cada vez mais informação, considerando as redes sociais e também o YouTube, que de certa formatem dado muita voz aos consumidores, para que eles possam dar depoimentos sobre os produtos. Com isso, os outros consumidores podem acessara essas informações, tornando-se muito mais exigentes, fazendo com que as empresas tenham que dar um pouco mais de atenção ao próprio consumidor”, afirma.

“Nada melhor que a criatividade”: futuro ainda está atrelado ao contato humano

Mesmo com os avanços tecnológicos e a inserção cada vez maior dos meios de consumo no mundo virtual, o publicitário, doutor em educação e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), André Vailati, destaca a importância das estratégias e da criatividade na forma de se atrair e atender consumidores no futuro.

Segundo ele, a tecnologia mostrou seu grande diferencial no período de restrições da pandemia, escancarou e acelerou as tendências em todos os cenários. Além disso, as novas possibilidades de interação com consumidores, como o metaverso, abrem portas e desafiam as empresas para que consigam atender às exigências dos consumidores do futuro. O profissional aponta que o uso de dados e pesquisas de mercado se tornarão fundamentais para entender os anseios destes clientes muito mais exigentes.

André Vailati – doutor em educação e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) – Foto: EDUARDO GOMES/NDAndré Vailati – doutor em educação e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) – Foto: EDUARDO GOMES/ND

O futuro aponta cada vez mais para o consumo por meios virtuais. O que já mudou e ainda deve mudar na relação das lojas e marcas para atrair clientes?

A geração mais nova não conviveu com o analógico. Ela já nasceu digital. Os jovens de 18 anos ou menos, hoje, não sabem o que é a vida sem internet. Ainda assim, o processo de compra é realizado por pessoas, e nada melhor do que a criatividade para tornar a relação com os consumidores mais duradoura.

E ela não está, necessariamente, no ambiente virtual. As lojas físicas acabam complementando a vivência digital e vice-versa. Com a ajuda de influenciadores digitais e da convergência dos canais de venda nos ambientes virtual e físico, o chamado omnichannel, as marcas começam a oferecer experiências mais direcionadas e significativas. Nesse contexto, a personalização da jornada de compra promete ser grande diferencial mercadológico.

Pelo ponto de vista da publicidade, quais são as principais diferenças entre as formas de consumo e comportamento que conhecemos para o que está por vir?

Principalmente no auge da pandemia, a tecnologia mostrou seu diferencial no processo de consumo. Além do crescente uso dos aplicativos por todos os segmentos, a ‘Internet das Coisas’, isto é, a ampliação das funcionalidades de dispositivos por meio da conexão à internet, ainda vai modificar fortemente a maneira com aqual utilizamos produtos e serviços.

Dispositivos comandados por voz já controlam eletrodomésticos, aspiradores de pó varrem os ambientes deforma autônoma e drones começam a diminuir o tempo de entrega em várias regiões. Além das realidades virtual e aumentada, a inteligência artificial será uma grande aliada nas novas experiências de compra, auxiliando as marcas na personalização do processo. Mas a tecnologia, por si só, não define comportamentos.

Paralelamente às inovações tecnológicas, a necessidade de um desenvolvimento cada vez mais sustentável também fez emergir outras formas de consumo, como o mercado de revenda ou de segunda mão. Assim, a economia circular, a sustentabilidade e a tecnologia deverão ser os pilares estratégicos nos próximos anos.

Já vivemos em franca expansão publicitária, com marcas expostas em lugares que antes não eram explorados. A tendência é que a propaganda chegue a níveis que ainda não imaginamos?

Satisfazer as mais variadas necessidades dos consumidores sempre foi um grande desafio das corporações. Com a ampliação das possibilidades no ambiente virtual, como o metaverso, as marcas deverão analisar as novas possibilidades de interação com os consumidores, para que não percam a conexão com eles.

O problema é: quem está totalmente capacitado para performar em um ambiente novo e inexplorado? Aqui, o modelo de full commerce, no qual a empresa terceiriza grande parte das suas operações online, pode ser boa alternativa.

Como as competências necessárias em um mercado cada vez mais plural são inúmeras, a contratação de especialistas em diversas áreas deverá substituir uma visão mais generalista. Como as decisões são baseadas em movimentos do mercado, pesquisa e monitoramento também serão áreas cada vez mais valorizadas.