A implantação de um terminal de gás na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul, é a aposta do setor industrial catarinense para acabar com a demanda reprimida de consumo de gás natural por parte das empresas catarinenses.
Terminal será instalado próximo ao Porto de São Francisco do Sul – Foto: Divulgação/Secom/NDApenas durante a pandemia, segundo dados do setor, houve um aumento de 27% no consumo de gás industrial em Santa Catarina na comparação com o período anterior. A Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) é uma das principais apoiadoras para efetivação do projeto e intermedeia o diálogo entre o governo do Estado e a empresa investidora, no caso, a Golar Power.
“Um dos insumos importantes para a economia de Santa Catarina é o fornecimento de gás. Nesse aspecto, o gasbol (Gasoduto Brasil-Bolívia) nos atende em condições mínimas e já há uma deficiência grande no fornecimento desse importante insumo. Portanto, a instalação de uma usina de gaseificação prevista na Baía da Babitonga é mais do que urgente para que o Estado possa, além de receber gás para manter sua economia, exportar para outros estados, mantendo aqui o ICMS que é fundamental para o nosso desenvolvimento”, diz o presidente da Fiesc, Mário Cezar de Aguiar.
SeguirO terminal de Gás Regaseificado é um investimento de R$ 500 milhões, e deve gerar R$ 320 milhões só de ICMS para o Estado. Para a sua instalação, não será necessário nenhuma construção. Ele vai funcionar em um navio flutuante ancorado na Baía da Babitonga.
Uma outra embarcação móvel se deslocará para buscar o produto em outras regiões e abastecer o terminal. Depois de estocado, o GNV poderá ser comercializado por conexão com o gasoduto federal, já existente no território brasileiro.
Projeto triplica a capacidade de atendimento da Região Sul
Além disso, o projeto triplica a capacidade de atendimento da região Sul do Brasil. Só para se ter uma ideia, os três estados do Sul do Brasil consomem cerca de 5 milhões de metros cúbicos de gás por dia para o seu mercado industrial e automotivo.
O terminal sozinho terá capacidade de armazenar entre 15 milhões de metros cúbicos. “Isso representa quase 80% da capacidade do Gasoduto Brasil-Bolívia”, ressalta Celso Silva, presidente para a América Latina da Golar Power.
Ele diz que o terminal será abastecido através de navios tanques de GNL (gás natural liquefeito) que, na maioria das vezes, virão dos Estados Unidos, da Costa Oeste da África ou do Oriente Médio.
Uma vantagem aguardada por 20 anos
Se o terminal for implantado, será possível usufruir de uma vantagem inédita, que há 20 anos é aguardada no Brasil: a de transportar o gás no estado líquido por meio de caminhões e levá-lo a regiões distantes do Gasbol.
Em estado liquefeito, o gás diminui de tamanho até 600 vezes, o que permite ser levado para longas distâncias com viabilidade econômica. O processo é semelhante ao oxigênio líquido transportado aos hospitais por meio de caminhões-tanque.
Contudo, para que o terminal saia do papel é preciso que as licenças ambientais sejam aprovadas. Os estudos de impacto já começaram, além da negociação para ligar o terminal flutuante ao gasoduto.
“Nós já alcançamos a licença prévia, que foi a mais difícil, e agora estamos na iminência de conseguir a licença de instalação. O projeto avança com passos firmes e nas próximas semanas podemos ter boas notícias”, ressalta Willian LehmKuhl, diretor presidente da SC Gás.
Segundo ele, a SC Gás já realizou uma reunião com o diretor geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) com o objetivo de pedir celeridade ao processo de chamada pública incremental, um edital que será lançado ainda neste ano para ampliar a capacidade do duto e disponibilizar um novo ponto de entrada no sistema.