Joinville ouve entidades antes de decidir novas medidas

Prefeitura se reúne com secretários para definir novas regras para combate da pandemia no momento em que vê o inúmero alto de casos e UTIs lotadas

Luana Amorim Joinville

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Hospitais lotados, novas variantes e número de infectados que cresce a cada dia. Este é o atual cenário da pandemia da Covid-19 em Joinville, no Norte catarinense.

Novas medidas devem ser anunciadas pela Prefeitura ainda nesta segunda-feira (8) – Foto: Carlos JúniorNovas medidas devem ser anunciadas pela Prefeitura ainda nesta segunda-feira (8) – Foto: Carlos Júnior

Segundo dados do Painel Covid-19, são mais de 3 mil casos ativos da doença e outros 5 mil exames que aguardam o resultado. Já em relação a ocupação dos leitos de UTI, é de 87%, o que levou hospitais da cidade a emitirem apelos após chegarem ao nível máximo de capacidade.

Devido ao cenário, a Prefeitura de Joinville irá se reunir na tarde desta segunda-feira (8) com membros do Gabinete de Crise para decidir quais serão as novas medidas restritivas na cidade. A expectativa é de que, do encontro, saia um novo decreto com as regras.

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Para que as decisões sejam tomadas, o prefeito Adriano Silva pediu para que várias entidades apresentassem suas considerações a respeito do assunto.

A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) enviou um ofício à Prefeitura sugerindo o lockdown total de atividades até o dia 14 de março. O pedido inclui o fechamento de comércios, indústrias e serviços, excluindo apenas as atividades consideradas como essenciais.

A CDL também sugere no documento, depois do prazo do lockdown, a aplicação do toque de recolher e a restrição de ocupação em estabelecimentos até o dia 28 de março. (veja o documento na íntegra ao fim da matéria).

O ND+ também ouviu outras entidades sobre as possíveis medidas. Confira:

Ajorpeme

A Ajorpeme (Associação de Joinville Região de Pequena Micro e Média Empresa), alega que o lockdown é uma medida “extrema que pode e deve ser evitada”. Mas, para que isso não ocorra, a entidade acredita que todos devem fazer sua parte.

“Entendemos que o Lockdown é uma medida extrema que pode e deve ser evitada, mas para que ele não ocorra novamente, precisamos fazer a nossa parte. As entidades empresariais vêm se reunindo semanalmente com a prefeitura para discutir ações no combate à pandemia.

Dentre estas ações, temos: (i) uma forte campanha de conscientização da população e das empresas; (ii) intensificação da fiscalização para punir e fechar que não cumpre as regras; (iii) o ajuste nos horário de funcionamento das empresas para que o horário de abertura e fechamento não coincida, evitando assim a aglomeração nos terminais e ônibus; (iv) incentivar o home office nas atividades que são possíveis; e (v) cobrar de nossos governantes mais investimentos em saúde e principalmente na vacinação da população.

O momento é de união em prol da saúde de todos. Cada um precisa fazer sua parte”.

Igrejas evangélicas

Segundo Davi Paulo Geraldi, presidente do Conselho de Pastores de Joinville, as congregações seguem as orientações da Secretaria de Saúde.

“Só eles podem afirmar se realmente é necessário o lockdown em Joinville. Se eles disserem que sim, vamos aceitar, assim como temos aceitado os outros decretos”, afirma.

Davi ressalta, ainda, que as igrejas têm seguido as orientações impostas, como distanciamento, restrições e uso de máscaras.

Diocese de Joinville

A Diocese de Joinville também afirmou que segue em unidade com as decisões e encaminhamentos do governo do Estado e dos municípios, “tanto os atuais, quanto os que vierem a ser decretados”.

A Diocese diz, ainda, que todas as igrejas estão cumprindo as normas sanitárias, “sejam aquelas de cuidado cotidiano ligadas à higiene e ocupação dos espaços, mas também aquelas mais rígidas como a suspensão das missas em função de decretos do Estado”.

Veja a nota na íntegra: 

“Diante do atual cenário da pandemia no Brasil e especialmente na nossa região, a Diocese de Joinville reforça seu compromisso com a vida. Todo o cuidado nesse momento é imprescindível. Desde o primeiro caso de Covid-19 em Joinville, em março de 2020, nossas igrejas estão cumprindo todas as normas sanitárias, sejam aquelas de cuidado cotidiano ligadas à higiene e ocupação dos espaços, mas também aquelas mais rígidas como a suspensão das Missas em função de decretos do Estado.

A Diocese de Joinville segue em unidade com as decisões e encaminhamentos do governo do estado e dos municípios, tanto os atuais, quanto os que vierem a ser decretados. Na última sexta-feira (5), os 10 bispos de Santa Catarina divulgaram uma carta a todo o povo catarinense em que reforçam essa posição. “Motivados pelo mandamento do amor, conclamamos a todos para que acolham, de bom grado, as orientações das autoridades, especialmente da vigilância sanitária, que têm por objetivos preservar a vida como compromisso com nosso dom mais precioso e agir pelo bem comum”, afirma a carta.

A solidariedade com aqueles que sofrem as consequências econômicas da pandemia é essencial. A atenção aos necessitados e o acompanhamento das famílias enlutadas e pessoas infectadas é uma preocupação que não se pode perder de vista. Todo e qualquer ato de solidariedade pode fazer a diferença àqueles que mais sofrem, a exemplo das campanhas que já vêm sendo realizadas desde o ano passado.

Nestes momentos que vivemos, a Diocese de Joinville reforça que a espiritualidade é fundamental na vida das pessoas. Não desanimemos, não estamos sozinhos: o Senhor está conosco!”

Acij

Por fim, a ACIJ (Associação Empresarial de Joinville) alegou que defende as restrições, fiscalização e conscientização, mas sem lockdown. Segundo a entidade, é importante que o poder público e setor produtivo continuem construindo novas medidas para frear o contágio da doença, conciliando a manutenção da economia.

“A vida sempre vem em primeiro lugar. O momento é preocupante. Precisamos manter a disciplina com os protocolos de prevenção. É necessário continuarmos respeitando o distanciamento, o uso da máscara, a higienização das mãos com álcool gel e principalmente evitarmos aglomerações dentro e fora do ambiente de trabalho”, diz o presidente da associação, Marco Antonio Corsini.

A entidade diz, ainda, que as empresas associadas têm seguido todos os protocolos de segurança e de que “nada adiantaria um lockdown frente à continuidade de aglomerações em eventos clandestinos e falta de conscientização das pessoas”.

Veja na íntegra: 

“Ciente do agravamento da covid-19, a ACIJ entende que é necessário que poder público e setor produtivo continuem construindo novas medidas de restrição, de fiscalização e de conscientização para frear a circulação do coronavírus com o objetivo de preservar o bem mais importante, que é a vida, conciliando com a manutenção da economia.

‘A vida sempre vem em primeiro lugar. O momento é preocupante. Precisamos manter a disciplina com os protocolos de prevenção. É necessário continuarmos respeitando o distanciamento, o uso da máscara, a higienização das mãos com álcool gel e principalmente evitarmos aglomerações dentro e fora do ambiente de trabalho’, diz o presidente da ACIJ, Marco Antonio Corsini.

A ACIJ destaca que as empresas associadas às entidades representativas do setor produtivo estão comprometidas com rígidos protocolos internacionais de prevenção e que de nada adiantaria um lockdown frente à continuidade de aglomerações em eventos clandestinos e falta de conscientização das pessoas. ‘Precisamos reforçar os trabalhos de conscientização, de fiscalização e de articulação para ampliar e acelerar o processo de vacinação’, defende Corsini.

Desde o começo da pandemia, a ACIJ tem contribuído com a gestão da crise sanitária, seja na ampliação da capacidade de atendimento hospitalar, seja na elaboração e execução de protocolos de prevenção, seja na construção de medidas restritivas que preservem a vida e a economia.

‘Vamos continuar contribuindo com a construção de soluções para frear a circulação do vírus e para aumentar a capacidade de atendimento no sistema de saúde’, afirma o presidente da ACIJ”. 

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