O isolamento causado pela pandemia da Covid-19 alavancou o consumo de conteúdo adulto e sexual na internet. A busca fez muitas pessoas investirem nesse nicho e, em 2021, o total de produtores de conteúdo em uma plataforma destinada a adultos assinantes superou a marca de 1 milhão, com mais de 100 milhões de assinantes.
De acordo com a plataforma, juntos, os criadores faturam cerca de US$ 3 bilhões, o equivalente a R$ 16 bilhões, e mais de 200 deles faturaram, sozinhos, US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,4 milhões.
“Independência financeira e empoderamento sobre o próprio corpo” são os principais motivos alegados pelas catarinenses Ana Otani e Indianara Jung que as fizeram investir na carreira de produtoras de conteúdo adulto na internet.
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As catarinenses Indianara Jung e Ana Otani contam os motivos para investir na carreira de produtoras de conteúdo adulto na Internet – Foto: Rerodução/InternetAna Otani mora em Balneário Camboriú, Litoral Norte de Santa Catarina, e é organizadora do concurso “a vagina mais bonita do Brasil”, como Maite, vencedora do primeiro concurso, que decidiu participar da competição justamente por conta da atuação de Ana na internet.
O trabalho de Ana na produção de conteúdo adulto começou em 2019. Junto com a descoberta sexual da modelo, veio o incentivo de um amigo a compartilhar suas experiências sexuais.
“Quando eu saí do Paraná e fui para Jaraguá do Sul, comecei a ter mais experiências sexuais e comecei a contar para meu amigo, que achou a forma como eu contava muito legal. Ele criou um blog de contos eróticos para mim, onde começamos a postar minhas histórias loucas. O público adorou! Desde então, criei um canal em que dou dicas, conto histórias e vendo conteúdo”, relembra Ana.
Ana Otani decidiu investir na produção de conteúdo adulto para a internet inicialmente pelo retorno financeiro, hoje incentiva centenas de mulheres – Foto: Reprodução/InternetInicialmente, a motivação de Ana Otani foi financeira. Por ser uma mulher saindo da adolescência, com uma filha e poucas possibilidades para se manter sozinha, viu neste mercado uma oportunidade.
“Antes do close friends e o onlyfans explodirem no Brasil, havia um público gigante pedindo para me ver nua, então, um dia criei coragem e gravei algumas cenas experimentando fantasias de sex Shop e vendi para mais de 7 mil seguidores. Na época, eu cobrava R$ 25 pelo vídeo e R$ 3 pela foto nua”, conta.
Segundo Ana, hoje, além da motivação financeira, o trabalho lhe traz reconhecimento. “Hoje o que me motiva é ser reconhecida. Sei que muitas meninas se inspiram nos meus vídeos e modelos de negócio. Faço com o maior prazer. Assim, acabo conhecendo as novatas do mundo hot e fazemos amizade, geralmente são meninas incríveis”.
Catarinenses se candidataram à 2ª edição do concurso “A vagina mais bonita do Brasil” – Foto: Reprodução/InternetAna conta que não se arrepende e que continuaria investindo neste nicho. “Hoje em dia sei que foi a melhor escolha que poderia ter feito. No início foi muito difícil por ser a primeira e sofrer muito preconceito, mas hoje sou grata por tudo e não mudaria nada”, destaca.
E a família?
Indianara Jung atua em uma plataforma exclusiva para conteúdo adulto na internet e quem a ajuda nas gravações é o próprio marido, que assim como toda a família, a apoia na carreira.
“Família que é família preza pela felicidade da pessoa independente do ramo que seja”, destaca Indi, como é conhecida. Para ela, além do retorno financeiro, viajar também é um dos prazeres da profissão.
Indi mora em Florianópolis e conta com a ajuda do marido para produzir conteúdo adulto na internet – Foto: Reprodução/Internet“Viajar o mundo gravando com pessoas diferentes e proporcionando conteúdos cada vez melhores para meus assinantes” é um dos principais focos futuros da modelo.
A descoberta
Indi começou a produção de conteúdo adulto na pandemia de Covid-19 e, por conta, de uma sugestão de um amigo, se descobriu apaixonada por exibir o corpo. “No primeiro mês da pandemia recebi a sugestão de um amigo para começar a trabalhar com isso. Como estava em lockdown, resolvi aceitar a sugestão, comecei e adorei”, conta.
“Eu não sabia, mas acabei descobrindo que sou bem e exibicionista, hoje, adoro o que faço. Criar conteúdos cada vez melhores é o que me motiva.”, destaca.
Maite, dona da primeira vagina mais bonita do Brasil, passados quatro meses do concurso, segue na carreira e ainda mais determinada a produzir conteúdo.
Ana Otani elege segunda dona da Vagina Mais Bonita do Brasil, após Maite vencer primeiro concurso – Foto: Ana Otani/Reprodução“Sigo produzindo conteúdo e acredito que agora tenho que produzir mais, pois conquistei um público através do concurso. Isso me motiva ainda mais. Desde o concurso já consigo viver dos conteúdos, me trouxe muita visibilidade”, destaca.