Mulheres empreendedoras escolhem Florianópolis para realizar projetos em 2023

Florianópolis como cidade para empreender em 2023 é uma realidade que muitos já sabem

Carolina Coral, especial para o ND* Florianópolis

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A virada do ano é uma oportunidade de celebrar as conquistas e as metas alcançadas em 2022, e também de rever os nossos planos pessoais e profissionais para o novo ano. O que cada pessoa deseja semear em 2023? Enquanto para algumas o foco do ano vindouro será o bem-estar da família, outras estarão em busca de qualidade de vida, e há quem pense em abrir um novo negócio ou até mesmo dedicar-se a projetos pessoais antigos.

Florianópolis como cidade para empreender em 2023 é uma realidade que muitos já sabem. Entretanto, um fenômeno novo socialmente são mulheres de diferentes idades e origens que vêem na Capital um lugar para projetar seus sonhos e realizações. Conheça a história de vida dessas mulheres que vão fazer acontecer no próximo ano.

Mulheres empreendedoras de diferentes idades projetam seus sonhos para 2023 em Florianópolis – Foto: Reprodução/Pixabay/NDMulheres empreendedoras de diferentes idades projetam seus sonhos para 2023 em Florianópolis – Foto: Reprodução/Pixabay/ND

Na contramão da história, portugueses investem na área da gastronomia

Joana Faya Marinho, de 31 anos, é da cidade de Porto, Portugal. Formada em Ciências da Comunicação e especializada em Gestão de Crise, decidiu empreender em Florianópolis junto com o amigo José Pedro Nunes, de 36 anos, de Lisboa. “O Zé é criativo e sonhador, eu sou gestora, muito organizada, mas sonhadora também”, pontua.

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Na contramão das expectativas, em que um número significativo de brasileiros tem ido morar em Portugal, muitas pessoas perguntam a Joana: “Por que está vindo se todo mundo está indo?” E ela responde: “A galinha do nosso vizinho sempre nos parece melhor do que a nossa,não é verdade?”

Joana é uma cidadã do mundo, e os desafios, segundo ela, “dão borboletas na barriga”. Antes de vir para o Brasil, morou no Timor-Leste, na Ásia, onde trabalhava com comunicação institucional. Contudo, com a pandemia, acabou sendo repatriada para Portugal. Ela conta que o seu espírito inquieto não permitiu que ficasse muito tempo parada no mesmo lugar.

Joana Faya Marinho, 31, é da cidade de Porto, Portugal – Foto: Fernanda Martins/Divulgação/NDJoana Faya Marinho, 31, é da cidade de Porto, Portugal – Foto: Fernanda Martins/Divulgação/ND

“O Zé,meu amigo de longa data, há muito conversava comigo e me convidava para criarmos juntos um negócio. Ele veio para o Brasil por amor, atrás da sua atual esposa, Liane, de Concórdia. O casal escolheu viver em Florianópolis por ser um Brasil diferente no meio de tantos Brasis que existem neste continente imenso.”

Entretanto, Joana adiava sempre o tema da sociedade com o amigo, até que em novembro de 2021 decidiu aceitar. Corajosa, chegou à capital catarinense em janeiro de 2022, sozinha e com apenas duas malas.

“Sem família, sem nunca ter vindo ao Brasil, apenas movida pelo desafio de poder construir algo num país novo e, simultaneamente, ter a oportunidade de conhecer uma nova cultura e recomeçar do zero. Como é bom uma página em branco, não é verdade?”

A portuguesa explica que o amigo criou em abril de 2019 um pequeno negócio de pizza em pedaços chamado Lupo Nero, no Centro de Florianópolis. “Uma pizza deliciosa, diferenciada, com sabores inusitados. Um projeto arriscado em que muitos não acreditavam por ser uma pizzaria que só abre no almoço”.

No entanto, ela conta que a ideia foi muito bem-aceita e que, mesmo com a pandemia, o negócio conseguiu se manter, diferentemente de tantos outros que precisaram fechar. Durante a pandemia, o Lupo Nero começou a fazer pão também e cresceu muito nessa área. Quando Joana chegou no Brasil era uma equipe de seis e uma loja apenas. Hoje, são 16 pessoas trabalhando e os sócios já abriram uma segunda loja, no bairro Itacorubi.

Em janeiro de 2023, Joana e o amigo terão um novo espaço no Rio Tavares que se chamará Anómada, trazendo uma vida nova ao Sul da Ilha. A empreendedora conta que o novo negócio durante o dia será padaria, confeitaria e cafeteria com produtos feitos por eles, e de noite o local se transformará em pizzaria com drinks especiais.

Joana adiava sempre o tema da sociedade com o amigo, até que em novembro de 2021 decidiu aceitar – Foto: Fernanda Martins/Divulgação/NDJoana adiava sempre o tema da sociedade com o amigo, até que em novembro de 2021 decidiu aceitar – Foto: Fernanda Martins/Divulgação/ND

“Florianópolis é um destino maravilhoso, com paisagens idílicas, qualidade de vida excelente, uma segurança muito acima da média, e acredito que existe aqui um potencial imenso a explorar em termos de negócio. Cada dia que passa surgem novos conceitos, e há lugar para todos, pois a concorrência é extremamente saudável desde que exista respeito pela Ilha que nos acolhe”, destaca.

Fazendo uma retrospectiva, Joana e o sócio relatam que este fim de ano tem sido mais complexo devido às várias circunstâncias que prejudicaram os negócios, como as eleições, as chuvas e a Copa do Mundo. Entretanto, ela está confiante de que “2023 será com certeza um ano que vai marcar uma forte melhoria na economia, um aumento do turismo e o crescimento do setor de restaurantes, bares e similares”.

E finaliza: “Empreender não é fácil em nenhum lugar do mundo. Quando se é estrangeiro e se decide arriscar dessa maneira, acho que ficamos preparados para tudo. Fortalece muito a resiliência, a capacidade de adaptação, de respeito pela cultura”.

Para a portuguesa, podemos ser felizes em qualquer lugar. Além disso, na sua visão, com dedicação, amor e propósito é possível criar negócios de sucesso em todo lado, até nos lugares mais remotos.

Empresária cosmopolita busca qualidade de vida e retorno às raízes

Maria Ana Moura, de 40 anos, trabalha com design gráfico e design de moda. Seu pai e seu avô são manezinhos e ela é suíço-brasileira, nascida na Alemanha, tendo morado em países como Suíça, Espanha, Costa Rica e Estados Unidos.

“Conheço a Ilha desde 1982, quando no Campeche só viviam pescadores. O meu avô era um visionário e comprou um terreno onde a minha família mora hoje, por isso temos raízes aqui e muitas histórias fascinantes. Sempre imaginei que algum dia teria um empreendimento na Ilha”, afirma a empresária.

Ela conta que em 2018 a sua marca de moda praia, Mamazoo, teve a primeira loja em Caraíva, na Bahia, e que agora em 2023 abrirá uma filial em Florianópolis. “Para mim, além de ser um espetáculo natural, a Ilha da Magia sempre teve uma comunidade preocupada com o meio ambiente e um mindset de qualidade de vida saudável”, declara.

Segundo Maria Ana, Florianópolis também se transformou em um polo interessante de cultura, arte, gastronomia e tecnologia, e do qual Mamazoo vai fazer parte com uma nova sede no Novo Campeche. O projeto começou em 2008, quando Maria Ana ainda vivia em Barcelona e decidiu dar um nome às criações que realizava.

Cosmopolita, a história de vida de Maria Ana transita por muitas cidades ao redor do mundo – Foto: Júlio Moura/Divulgação/NDCosmopolita, a história de vida de Maria Ana transita por muitas cidades ao redor do mundo – Foto: Júlio Moura/Divulgação/ND

Em 2012, o projeto transformou-se na marca Mamazoo de moda praia consciente e que faz parte da Sustainable Brand Platform, uma plataforma reconhecida como parceira da ONU para os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e que mede a performance sustentável das empresas.

A empreendedora acredita profundamente na responsabilidade ambiental e social, e a sua marca está comprometida em fazer a diferença usando modelos de negócios que sejam bons para o mundo, ao mesmo tempo em que entregam excelentes produtos e serviços para os clientes e resultados adequados para a empresa.

“Para nós, a performance do negócio também deve ser medida pelo seu impacto no capital humano, social e natural, por isso oferecemos uma opção que se aproxime mais do natural e andamos sempre junto com as novas e fascinantes tecnologias dos tecidos ecológicos. O nosso amor e o cuidado pela natureza e pelas pessoas é que dão sentido e propósito a tudo o que fazemos na Mamazoo”, ressalta a empresária.

Cosmopolita, a história de vida de Maria Ana transita por muitas cidades ao redor do mundo. Após 9 anos morando em New York, ela se mudou para Caraíva, na Bahia, em busca de um estilo de vida totalmente oposto do que havia vivido. “Apaixonei-me profundamente pela pequena vila no sul da Bahia, vivi anos inesquecíveis de frente para o mar e com o pé na areia”, recorda.

Contudo, ela conta que a pequena vila sofreu muitas mudanças durante a pandemia, principalmente com a chegada do turismo em massa, aumentando a poluição, as construções, as festas e o barulho na região. “Os novos empreendedores da vila trouxeram o ritmo da cidade para o paraíso, e o sossego e a poesia acabaram para mim”, pontua.

Desde então, Maria Ana decidiu vir para Florianópolis à procura de uma cidade com melhor qualidade de vida. “Preciso de sossego para poder criar, pois é o que me faz feliz e, além disso, quero morar mais perto da minha família depois de 20 anos longe deles”, relata emocionada com a decisão.

Oportunidade de trabalho atrai casais jovens a constituírem família na região

A paranaense Georgia Freitas Negrão, de 23 anos, é terapeuta corporal e decidiu vir para Florianópolis a fim de viver pertinho do mar. Com o intuito de fazer a sua clientela na cidade, ela iniciou um curso de massagem na Ilha com duração de 6 meses e, assim que terminou, mudou-se para a capital catarinense.

Georgia veio sozinha para cá sem conhecer praticamente ninguém e, como ainda não tinha clientes, trabalhou em food truck de pizza na Lagoa da Conceição, local onde conheceu Caio Pereira da Silva, de 29 anos, que também trabalhava lá e que há um ano ingressou na área de desenvolvimento de software.

Georgia veio sozinha para cá sem conhecer praticamente ninguém – Foto: Larissa Konishi/Divulgação/NDGeorgia veio sozinha para cá sem conhecer praticamente ninguém – Foto: Larissa Konishi/Divulgação/ND

Depois de um tempo como amigos, os dois começaram a namorar e estão juntos há três anos. O filho Cauê, de 2 anos, fruto dessa união, é manezinho da ilha. “É muito bom criar o meu filho mais próximo da natureza, envolvido com esportes ao ar livre,e poder proporcionar a ele dias na praia ”, revela feliz.

A terapeuta corporal conta que mora no Norte da Ilha, no Rio Vermelho, um bairro pequeno e familiar. Georgia adora quando a sua família de Curitiba vem para Floripa visitá-los, pois assim todos podem aproveitar o mar juntos, já que ela, o marido e o filho moram próximo da praia do Moçambique. “Não precisamos gastar para curtir em família, a natureza já nos proporciona tudo”, destaca.

Georgia afirma que como terapeuta corporal as oportunidades de trabalho em Florianópolis são excelentes e que é muito feliz e próspera atuando nesse ramo. “Aqui as pessoas são muito adeptas de terapias naturais, do cuidado com o corpo e com a espiritualidade também”.

Ela pontua que há ótimas oportunidades para o seu companheiro, que desenvolve software, principalmente no pós-pandemia, permitindo a ele trabalhar de modo híbrido de casa e algumas vezes presencialmente na empresa.

“Florianópolis é um polo de tecnologia, e por isso o meu marido conseguiu um bom trabalho aqui. Ele se sente satisfeito com as diversas oportunidades que tem encontrado”, declara a futura mamãe de uma manezinha que está a caminho.

Catarinense lança marca e projeta vendas no mercado nacional em 2023

Lise Crippa, de 53 anos, é nascida em Laguna, mas desde criança ela e a família se mudaram para Florianópolis. Casada há 25 anos com o médico Paulo Mendes, de 59 anos, e mãe das jovens Roberta, de 21 anos, e Valentina, de 18 anos, Lise é jornalista e pós-graduada em moda e marketing, além de trabalhar com comunicação e gestão em moda há mais de 20 anos para marcas catarinenses e nacionais.

Sua história com a moda teve início nos anos 1990, quando foi curadora de uma multimarcas com grifes consagradas e confecção própria, época em que ainda não havia shoppings na capital catarinense. “Sou uma mulher observadora, adoro arte, moda, viagem, costumo perceber tendências antes de serem lançadas, tenho um olhar atento”, pontua.

Lise é jornalista e pós-graduada em moda e marketing – Foto: Luciano Nunes/Divulgação/NDLise é jornalista e pós-graduada em moda e marketing – Foto: Luciano Nunes/Divulgação/ND

Com o tempo, Lise foi amadurecendo o projeto de criar a sua própria marca de roupas. Para isso, foi atrás de especializações na área, entre elas a pós-graduação em moda na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Além disso, em 2017 ela assinou collabs com marcas de acessórios e de home decor,totalizando cinco colaborações com labels catarinenses. E neste ano realizou um curso em Fashion Business, no Instituto Marangoni, em Milão, na Itália, uma das melhores escolas demoda do mundo.

Ainda em 2022, depois de muito pesquisar, Lise, que tem cidadania italiana, buscou inspiração em Milão para criar a sua primeira coleção, intitulada Isola. O lançamento da marca ocorreu em novembro, no Armazém 401, durante dois dias, e contou com a presença de mais de 200 convidados. A idealizadora da marca homônima parte da premissa de que a grande sacada hoje na moda é a construção de marcas clássicas, atemporais, sem coleções específicas e sem delimitar estação.

“O processo é longo, não se cria e se produz em poucos dias uma marca com propósito. Leva tempo, trabalho, pesquisa e muita dedicação. A mulher que veste as minhas peças vive intensamente seu lifestyle em cidades com espírito artístico, cultural e fashion, como Milão, cidade escolhida para ser cenário da primeira campanha da marca. Em Milão, a moda, o design e a arte caminham juntos. A paleta de cores da coleção traz elementos da natureza escolhidos a dedo, além de suavidade ao toque. As bases são naturais, como linho e seda, e os caimentos são fluidos.”

Recentemente, a estilista optou pelo modelo pop up, que são lojas itinerantes, ou seja, a marca fica por um tempo presente em uma loja física e parceira. “É uma das tendências mais fortes de venda no ramo da moda que vi no meu curso em Milão”, destaca. A primeira pop up foi realizada na loja Santalina e agora está na Strass.

Inquieta, Lise conta que é preciso coragem para manter os seus projetos profissionais vivos. “É muito comum que mulheres acima dos 50 anos se acomodem, eu quero continuar realizando os meus sonhos, porém com os pés fincados na realidade”. No momento, a empresária está analisando o mercado da moda online para meados de 2023 lançar a sua marca, em seu próprio site, com o intuito de alcançar outras capitais brasileiras e ganhar projeção nacional.

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