Na contramão da alta no Brasil, motoristas acham gasolina a menos de R$ 3 na Argentina

Gasolina na Argentina pode ser uma boa alternativa de economia já que o peso desvalorizado e a inflação em ebulição resultam em vantagens econômicas para quem usa o real como moeda

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Paso de los Libres (ARG)

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O Brasil ainda tenta digerir o aumento no preço dos combustíveis, assinado pela Petrobras, nessa última semana. A vizinha Argentina, mais uma vez, volta a ser opção para os motoristas que tentam um combustível mais barato. Aliás, bem mais barato.

Alternativa mais viável da gasolina acaba sendo na ArgentinaAumento nos combustíveis já está nas bombas Brasil à fora; Argentina surge como alternativa ao alto preço – Foto: Cristiano Estrela/Especial para o ND

Com uma inflação avassaladora e o peso desvalorizado, a Argentina vê com bons olhos a moeda brasileira. Na última terça-feira (15), a reportagem do Grupo ND esteve em solo argentino e, com um peso cotado a R$ 0,08, viu brasileiros abastecerem a cerca de R$ 2,80 o litro da gasolina.

“O preço é muito desparelho. Hoje mesmo [terça-feira] a Petrobras confirmou o aumento no combustível que já estava muito caro. Eu prefiro ter todo o trabalho de vir até aqui a Argentina e abastecer meu carro. Com menos de R$ 150 eu encho o meu tanque”, mencionou o comerciante Dalbert Vilela, 39.

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Em um intervalo de três horas, foram 200 abastecimentos sendo que 80 abastecimentos foram brasileiros, 20 uruguaios e os outros 100 argentinos.

Posto de combustível, na Argentina, e os preços praticados muito convidativos aos brasileiros – Vídeo: Diogo de Souza/ND

O litro da gasolina, em média, nos postos de combustíveis da Argentina, município de Paso de los Libres, província de Corrientes, está em 350 mil pesos, o que equivale, (com a conversão da data) a R$ 2,50.

“Faz muito tempo que eu nem sei que jeito tem a gasolina do Brasil, eu só venho aqui pra encher meu tanque. Me nego a pagar todo o que estão nos cobrando lá”, acrescentou outro brasileiro que foi até o local para abastecer.

Inflação explodindo

O país vizinho passa por tempos complicados, sobretudo, no aspecto econômico. A situação, que já tinha se complicado no período da pandemia do coronavírus só piorou de lá para cá.

O momento é de muita instabilidade já que, em meio a crise econômica, o país vive instantes antes das eleições presidenciais. Em 22 de outubro, haverá o primeiro turno na disputa presidencial, com Massa entre os candidatos. Massa ficou em terceiro lugar nas primárias do último domingo, vencidas por Javier Milei.

Também por isso, o país anunciou o congelamento dos preços do diesel e da gasolina, pelo menos, até o dia 31 de outubro.

O acordo para o congelamento foi feito pelo ministro da Economia da Argentina, Sergio Massa, que anunciou na noite da quinta-feira (17) um acordo com as refinarias e produtores para congelar os preços dos combustíveis.

Preços dos combustíveis na Argentina – Foto: Diogo de Souza/NDPreços dos combustíveis na Argentina – Foto: Diogo de Souza/ND

“Concordamos, após um trabalho de entendimento entre as refinarias, os produtores e o Estado, que não haverá mais aumento de combustíveis até 31 de outubro”, afirmou Massa no X (ex-Twitter).

O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Argentina, avançou 6,3% em julho em relação a junho, segundo dados do Indec divulgados nesta terça-feira (15).

Com isso, a inflação argentina acumula alta de 60,2% no ano e de 113,4% em 12 meses. Em junho, a inflação tinha subido 6,0% e a taxa anualizada estava em 115,6%.

Os preços regulados avançaram 6,7% na comparação mensal e o núcleo da inflação subiu 6,5%.

Gasolina em Santa Catarina

De acordo com o comunicado da Petrobras, os aumentos empregados estão em 16% na gasolina (+R$ 0,41 por litro) e de 26% no diesel (+R$ 0,78 por litro).

Com isso, o preço dos combustíveis já ultrapassa os R$ 6 em Santa Catarina, em alguns lugares, entre eles, a Grande Florianópolis. Essa prática, inclusive, levantou a ação do Procon em cima da prática.

O valor, no entanto, ainda não foi atestado pela pesquisa de preços realizada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), divulgada no sábado (12), onde o preço médio da gasolina comum em Santa Catarina girava em torno de R$ 5,64.

Gás de cozinha

Outro item atrativo, entre os hermanos, é o gás de cozinha. Se no Brasil o mantimento não baixa da linha dos R$ 100, na Argentina, com R$ 30, é possível adquirir um botijão cheio.

Brasileiros buscando economizar

Há um mês o ND+ trouxe uma reportagem que, de alguma forma, explica a situação envolvendo a relação dos brasileiros com a economia argentina.

“A desvalorização do peso argentino também pode tornar a Argentina um destino turístico mais atraente para os brasileiros. Isso porque os brasileiros podem viajar para a Argentina e gastar menos dinheiro do que gastariam em outros países”, explicou a economista Janine Alves, a reportagem.

A profissional ainda disse que a desvalorização do peso argentino é um fenômeno recente e é difícil prever como ela vai se desenvolver no futuro. No entanto, é provável que a desvalorização do peso argentino continue a ser vantajosa para os brasileiros que vão fazer compras na Argentina.

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