O novo porto privado de Itapoá continua com as tratativas para instalação no município do Litoral Norte de Santa Catarina.
O chamado TUP (Terminal de Uso Privativo) da Coamo, que é maior cooperativa agroindustrial do País localizada em Campo Mourão (PR), vai atuar com graneis (grãos/farelo); óleo bruto de soja e importação de matéria-prima para fertilizantes. Inclusive, já alterou o escopo no projeto para acrescentar a atividade de movimentação de granéis líquidos combustíveis.
Características do projeto. – Foto: Reprodução documentos/Divulgação NDNeste momento, o porto está na fase de estudos de impacto ambiental a fim de conseguir as licenças ambiental prévia, de instalação e, por fim, a licença de operação. A informação foi confirmada por Mauro Scazufca, da DTA Engenharia, contratada pela Coamo para realização dos estudos.
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O que está em foco agora
Dois importantes eixos estão sendo discutidos agora: os impactos socioambientais que o novo porto trará à cidade e seus habitantes e as compensações que a Coamo terá de fazer bem como obras viárias para reduzir os danos ao tráfego.
Segundo o prefeito de Itapoá, Marlon Roberto Neuber, além das compensações ambientais, o município espera uma contrapartida no que diz respeito ao tráfego. Ele espera que a Coamo invista na duplicação de um trecho de aproximadamente 7 quilômetros da Estrada José Alves, que conecta a SC-416 até o fundo do porto. Essa estrada já tem um impacto bastante expressivo neste momento e o prefeito busca mitigar e prevenir o gargalo no tráfego.
“É um dos pontos-chaves da negociação com o município”, frisa Marlon Roberto Neuber.
O prefeito lembra, inclusive, que o porto que existe hoje em Itapoá, inaugurado em 2001, foi quem implantou a Estrada José Alves. Mas ela precisa, agora, ser duplicada.
Outra possibilidade é criar uma segunda via dentro da área retroportuária o que já está previsto no plano diretor de Itapoá. Seria uma via de serviços importante para desafogar e suportar o tráfego local, especialmente a demanda dos portos (o atual e o que deve ser instalado).
“A Coamo tem demonstrado boa vontade, tem sido parceira e trazido informações solicitadas pelo município. Vamos continuar nessas tratativas para que a obra seja boa para o empreendedor, mas também para a população e o desenvolvimento da cidade”, conclui Marlon Roberto Neuber.
A expectativa é de que o novo porto saia do papel dentro de cinco anos, isto, claro, se todas as compensações forem atendidas.
Imagem mostra o porto de Itapoá; o novo empreendimento vai ficar próximo. – Foto: Divulgação ND
Sergio Rodrigo Grassi, secretário de Desenvolvimento Social e Econômico de Itapoá, que também está à frente desse processo, também conversou com o Portal ND+ e explicou os passos do novo empreendimento.
Na última semana, uma comitiva foi até o Governo do Estado discutir o empreendimento, até porque o Instituto do Meio Ambiente de SC (IMA) é o que vai analisar os estudos ambientais.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado apoia a atração do investimento, mas também se mostrou solidária ao município no sentido de que as exigências sejam atendidas para que o empreendimento seja bom para a cidade e sua população.
“O objetivo realmente é viabilizar o projeto que seja bom para o empreendedor e para a cidade. O prefeito tem batido nessa tecla. Sabemos que um porto traz ônus e bônus, mas precisamos proteger o município”, complementou Grassi.
Ele fez questão de dizer, no entanto, que o município vai contribuir no que for necessário para se chegar à melhor equação levando em conta o desenvolvimento sustentável.
Assim como o prefeito, o secretário falou do plano diretor que traz algumas vias de acesso e que poderão ser executadas em entendimento com a Coamo.
“A Coamo ficou de apresentar um estudo sobre o impacto no tráfego. Vamos aguardar e analisar se o que está projetado por eles será suficiente ou não. Mas tudo em conjunto com o município, com o porto Itapoá e até com o Governo do Estado”, sublinhou Grassi.
A própria Coamo realizou uma consulta à população sobre o empreendimento. Veja abaixo os resultados:

Escolha estratégica
A Coamo escolheu Itapoá para abrir o porto por conta da logística. Irá usar o mesmo canal da Baía de Babitonga para tráfego de navios. Inclusive já tem validação da Capitania dos Portos (Marinha).
Além de ser um ponto estratégico do ponto de vista logístico, a escolha de Itapoá se deu pela área de calado (altura da parte do casco do navio que fica submersa). Essa medida é um limite que garante a segurança da navegação e permite que navios de maior porte possam atracar no terminal.
Demanda vai crescer
Agricultura como um todo vem crescendo nos últimos anos e a produção evoluindo com ajuda da tecnologia e novos métodos. Ou seja, é possível produzir mais na mesma área. Isto quer dizer que nos próximos anos a demanda vai crescer muito, necessitando de novos terminais portuários e ampliação da logística para despachar a mercadoria. Essa é uma das justificativas da Coamo para lançar esse novo empreendimento.

Investimento
O investimento inicial aproximado do novo porto ficava em torno de R$ 800 milhões, mas como o projeto foi ampliado o valor também deverá mudar.
A Coamo hoje tem sua logística baseada em 111 unidades de recebimento de produtos agrícolas em 68 municípios nos estados do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A operação de importação e exportação se dá por meio do porto de Paranaguá com movimentação de 2,7 milhões de toneladas.