A economia de Santa Catarina vem crescendo e gerando empregos. Mas é só ir num supermercado para constatar que a vida não está tão fácil assim. A crise da alta dos preços é efeito da inflação. Um fenômeno que acontece sempre quando existe mais demanda do que produto para entregar.
indústria de Joinville – Foto: Divulgação/NDPor exemplo, se dez pessoas querem comprar uma geladeira, mas a indústria só consegue fabricar oito, significa que duas pessoas não vão poder comprar. Quer dizer, essa escassez do produto, causada muitas vezes por fatores externos, provoca o aumento no preço. Gerando, assim, a inflação.
O mercado financeiro elevou de novo a projeção da inflação para este ano, de 8% para 8,45%, de acordo com o último Relatório Focus do Banco Central. E o principal termômetro dessa alta da inflação são os alimentos. É o caso da carne, que as pessoas mais reclamam.
“É porque há uma cadeia nesse meio. Desde a saída da porta da fábrica ao aumento do valor do frete dos combustíveis. Nós tivemos no nosso setor de aves e suínos, em custos de produção, 34% de incremento”, explicou o gerente executivo Sindicarnes/SC, Jorge Luiz de Lima.
Como a carne é uma commodity, porque é vendida em larga escala, o preço é fixado pela Bolsa de Valores de Chicago, nos Estados Unidos, desde o início do século passado. Sendo assim, o governo federal do Brasil não tem como interferir nesses preços.
Uma das saídas para diminuir a inflação é aumentar a taxa de juros, para controlar o consumo. É a famosa taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). E o CMN (Conselho Monetário Nacional) já planeja subir os juros, que hoje estão em 5,25%, para 6,25% agora em setembro e para 8,25% até o fim do ano.
A outra opção para melhorar essa situação, que os próprios empresários podem fazer, é aperfeiçoar cada vez mais a produção,com mais tecnologia, para atender aqueles clientes que não conseguem comprar os produtos que estão mais caros.
Na fábrica de toalhas exibida na reportagem da série O Real Cenário desta quinta-feira (30), a diretoria decidiu aposentar essas velhas máquinas e comprar outras mais rápidas, que produzem mais toalhas em menos tempo. Isso aumentou a competitividade até com os produtos da China.
“Fizemos todos os cálculos porque sofremos variação cambial, mas retomamos todos os investimentos que havíamos suspendido em março. Historicamente, analisando os nossos números, foi o maior faturamento que a empresa teve”, contou a diretora da empresa, Susymeri Ogliari.
Quer dizer, se as empresas crescem, o Estado também cresce. Porque aumenta o nosso PIB (Produto Interno Bruto). O PIB catarinense, que é a soma de todas as riquezas produzidas no Estado, gira em torno de R$ 298 bilhões. Entre os 26 estados e o Distrito Federal, é o sexto maior do Brasil.
“Ele é determinado por consumo, que é o consumo feito dentro de Santa Catarina, o consumo feito pelas exportações, pelos investimentos realizados aqui e o consumo do governo. Então, esses são os componentes do PIB.
De acordo com a Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), o Estado é o segundo do país em produtos industrializados. “E nós estamos trabalhando em conjunto com os nossos empresários para que Santa Catarina seja o estado mais industrializado do Brasil”, revelou o presidente da federação, Mário Cezar de Aguiar.
E Santa Catarina tem uma grande infraestrutura de portos para fazer escoar toda essa produção. O principal é o Complexo Portuário de Itajaí. “A nossa movimentação de cargas com alto valor agregado, nós movimentamos desde frutas, como maçã, madeira e derivados até motores, eletrônicos, bobinas de papel, bobinas de aço. Ou seja, movimentamos carga que tem uma importância crucial para o comércio exterior”, afirmou o diretor de operações e logística do Porto de Itajaí.
Só em 2020, as exportações do Estado somaram US$ 8,1 bilhões. Já as importações, quase US$ 16 bilhões. Como o Estado importa mais do que exporta, temos um déficit de US$ 7,8 bilhões. Pode parecer algo negativo, mas não é.
De acordo com o secretário de assuntos internacionais de Santa Catarina, Fernando Raupp, “muito do que é importado, não é importado para consumo final. Não é um veículo que é importado e ele só entra como importação e já tem um consumidor final. São matérias primas que são utilizadas para que novos produtos sejam fabricados”.
Mas será que a indústria catarinense pode vender mais produtos para outros países? A diretora de desenvolvimento de negócios internacionais, Cristina Wolowski, explica que exportar não é um bicho de sete cabeças. O problema é que nossa experiência com exportação ainda é recente, começou em 1991.
“Faltam ainda muitos profissionais que tenham experiência e vivência em desenvolvimento de mercado. A empresa não precisa esgotar as possibilidades no Brasil, ela nunca vai esgotar, para poder olhar o mercado internacional”, disse Cristina O governo do Estado revela que sempre tem equipes procurando novos mercados para exportar os produtos. “Nunca pode parar. É muito volátil, os mercados, as necessidades. Quando vê que o povo catarinense é um povo que é dinâmico e gosta de trabalhar, que vai atrás, que se renova. Ele vê que é uma oportunidade”, afirmou Raupp.
Mas o presidente da Fiesc disse que o Estado precisa melhorar a infraestrutura para tornar os produtos mais competitivos: “Tanto de transporte, como fornecimento de energia, fornecimento de gás. Sem contar com a nossa matriz de transporte, principalmente a rodoviária e ferroviária, que é muito prejudicada e acaba tirando competitividade da nossa indústria”.
A secretaria da Fazenda estadual afirma que existem, sim, investimentos prontos para serem feitos nos próximos anos, e que prometem melhorar as rodovias de Santa Catarina.
Segundo o secretário da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Eli, o Estado tem “um crédito pré-aprovado R$ 1 bilhão com o BNDES e nós vamos utilizar esse crédito pras nossas obras que estão em andamento. Somado o recurso próprio para investimento mais os recursos que nós podemos pegar no mercado, nós temos capacidade de investir R$ 3 bilhões por ano em obras de escoamento de produção”.
Já o investimento em ferrovias ainda deve demorar, apesar de ter voltado para a pauta do governo do Estado.
Na reportagem deste sábado (2), o ND Notícias vai explicar como são feitos os gastos do governo e o que sobra nos cofres públicos para investir nas áreas mais importantes, como saúde, educação e segurança. Não perca!