Santa Catarina é o terceiro estado do Brasil em geração de empregos. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram criados mais de 20 mil postos de trabalho no mês de agosto e a tendência é de crescimento.
Segundo o Caged, foram criados mais de 20 mil postos de trabalho no mês de agosto- Foto: Governo do Estado Ceára/Divulgação/NDNo início da pandemia, o auxiliar de expedição Jackson Feuser passou pela primeira dificuldade na vida profissional, aos 20 anos de idade. “Eu trabalhava como operador de máquinas. Aí, assim que começou a pandemia, eu fiquei desempregado. Tive que trancar a faculdade, parei de estudar também. Depois de cinco meses, eu fiquei no seguro desemprego”, lembrou ele.
Mas depois desse período, o jovem auxiliar percebeu que a indústria logo voltou a contratar: “Agora, vai melhorar. Eu vou voltar a estudar, voltar para a faculdade. Vai dar uma melhorada agora”.
A fábrica de toalhas onde Feuser conseguiu trabalho na cidade de Brusque, no Vale do Itajaí, precisou demitir funcionários no início do isolamento social. A diretoria também teve que parar de investir na melhoria da empresa.
Segundo a diretora da empresa, Susymeri Ogliari, “quando veio a pandemia, ali no mês de março, foi um choque de realidade. A gente não tava preparado para isso. Mas a gente foi muito rápido para tomar as decisões. Declina todo o investimento, não era momento para isso”.
O governo federal, então, tomou algumas medidas que ajudaram a manter a economia do país funcionando. “Ele adotou medidas de flexibilização da legislação trabalhista, deu recursos aos municípios, postergou alguns impostos no sentido de fazer com que a atividade econômica não tivesse tanto impacto negativo”, explicou o presidente da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), Mário Cezar de Aguiar.
O controlador de mercadorias Marcelo Borges de Lima foi um dos colaboradores que a fábrica conseguiu manter, até se recuperar do impacto inicial da pandemia. “Ao mesmo tempo que teve as demissões, quando começou a melhorar o serviço interno, as mesmas pessoas que foram demitidas foram contratadas. Aí, a gente já começou a ver que começou a melhorar”, contou ele.
Logo vieram novos clientes e o que parecia uma crise, acabou se tornando uma oportunidade. “A gente teve que fazer 40%, 50% do faturamento com cliente novo, dinheiro novo, mercado novo. Então, a gente é muito grato por isso. Pela no equipe, principalmente, que arregaçou as mangas e foi buscar. A gente passou a ficar em casa e as pessoas começaram a olhar para a casa como seu lugar mais precioso. E quando tu coloca amor aquilo dá dinheiro também”, disse Susymeri.
Setor industrial de SC foi o que mais gerou empregos – Foto: PixabayFoi o setor industrial do Estado que mais gerou empregos a partir do segundo semestre do ano passado. Só neste ano, a indústria teve um saldo positivo de 60.465 novos postos de trabalho. Seguida pelo setor de serviços, que teve um saldo de 49.300 empregos formais.
“Quando a indústria cresce, outras atividades crescem junto. Empresa contrata para limpeza, contrata serviço odontológico, contrata serviço de saúde. Ele gera esse multiplicador econômico, que é maior na indústria do que nos outros setores. Aí, você vê as economias industrializadas serem as mais ricas”, afirmou o economista da Fiesc, Pablo Bittencourt.
Para o presidente da federação, “isso faz com que Santa Catarina tenha hoje uma taxa de desemprego menor no Brasil. Muito por conta da atividade industrial, que é o maior empregador setorial de Santa Catarina: 34% dos empregos formais de Santa Catarina são provenientes da indústria”.
No último trimestre, de abril a junho, a taxa de desemprego no Estado foi de 5,8%, a menor do país. Seguida do Rio Grande do Sul, com 8,8%, e do Mato Grosso, com 9% de taxa de desemprego.
A taxa de trabalho informal também é a menor do país: 27,7% no primeiro trimestre. Sendo que a média nacional ficou em 39,6% no mesmo período. Uma das razões para Santa Catarina ter um índice tão baixo de desemprego é a força do empreendedorismo no Estado.
“O segundo grande objetivo, não só do catarinense mas de qualquer brasileiro, é ter o seu próprio negócio. É mais, por exemplo, que ter a sua própria casa”, informou o coordenador do Observatório de Negócios Sebrae/SC, Cláudio Ferreira.
Santa Catarina tem hoje 835 mil empresas de pequenos negócios, que variam de R$ 81 mil de faturamento ao ano, até R$ 4,8 milhões por ano. O que representa 93% de todas as empresas que existem no Estado.
“Só de empregos gerados com carteira assinada, os pequenos negócios representam 1,2 milhão de empregos no Estado. O PIB (Produto Interno Bruto), que ele também contribui, é de 42%. Esses são alguns dos números que mostram a relevância dos pequenos negócios”, acrescentou Ferreira.
E ainda existe um outro mercado que vem abrindo cada vez mais oportunidades em Santa Catarina.
O pesquisador Guilherme Sousa veio do Maranhão há 3 meses só pra trabalhar no Instituto da Indústria, em Florianópolis. “Eu vim para tentar chegar o mais próximo possível do meu sonho de trazer competitividade para a indústria, só que na parte de inclusão digital”, contou ele.
E esse não é um emprego qualquer. Ele faz parte de um novo grupo de pesquisadores chamado STEM, na sigla em inglês, que significa ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
A professora de economia da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) Patrícia Bonini, explicou que “é um segmento da força de trabalho que gera inovação e garante o avanço e o progresso tecnológico”.
No caso da fábrica de toalhas. Existem vários sistemas de computador que controlam o número de peças produzidas em um mês, o quanto de mercadoria tem no estoque, e a quantidade de produtos vendidos no mês.
O problema é que ainda não existe um sistema único que possa relacionar todas essas informações para que o fabricante possa entregar o produto com mais rapidez e eficiência. É exatamente um sistema assim que o pesquisador Guilherme está pesquisando.
Segundo o pesquisador, “como você tem diversos sistemas e diversos fabricantes diferentes, você não tem essa integração. E daí, surgem vários problemas. Então, eu tenho uma série de questões que vão aumentar tanto o preço do meu produto quanto também aumentar o meu prazo para entregar. Tudo isso é competitividade. Se eu tenho uma indústria que consegue entregar mais rápido, melhor e mais barato, ela vai com certeza ganhar mercado”.
“Se a composição da população acadêmica no Estado é 40%, já é nessa área de ciência e tecnologia. Então, o Estado é forte nessa área de formação de população STEM. Tanto que a gente traz gente de fora que vem estudar”, destacou Patrícia.
É todo esse potencial de inovação e produtividade que garante ao Estado uma posição privilegiada no mercado nacional e internacional. O PIB, que é a soma de todas as riquezas em Santa Catarina. Já é o sexto maior do país, mesmo tendo apenas 1% do território nacional. Mas o mercado externo tem trazido uma série de desafios para nossa economia, principalmente a inflação.
Será que Santa Catarina está preparada para crescer mesmo num cenário de incertezas em relação ao futuro? Descubra no ND Notícias desta sexta-feira (1º).