O que explica o sucesso da ‘fábrica de bilionários’ de Santa Catarina

Com presença global, sucessão profissionalizada e cultura de inovação, WEG de Jaraguá do Sul transforma herdeiros em bilionários e se firma como gigante industrial do Brasil

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Yasmin Luiza Rech Joinville

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WEG: Os segredos por trás da fábrica de bilionários de SCWEG: Os segredos por trás da fábrica de bilionários de SC – Foto: WEG/Divulgação

Com presença comercial em mais de 130 países, faturamento acima de R$ 30 bilhões e um histórico de crescimento contínuo mesmo diante de crises econômicas, a famosa fábrica de bilionários, WEG é hoje uma das empresas mais admiradas do setor industrial brasileiro.

Fundada em 1961 como uma pequena metalúrgica em Jaraguá do Sul, a WEG evoluiu para um império industrial global, empregando cerca de 45 mil pessoas em todo o mundo, com mais de 4 mil engenheiros dedicados à inovação e desenvolvimento tecnológico.

Planejamento de longo prazo e sucessão estruturada

A sucessão é um dos pilares de governança da WEG, planejada com antecedência e conduzida de forma estruturada. Ao contrário da informalidade comum em empresas familiares, o processo envolve todos os níveis da organização e garante a continuidade da cultura e dos valores da companhia.

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    WEG e Senior Sistemas lançam primeiro 'robô logístico' que usa IA e tecnologia 100% brasilera - Divulgação/Senior Sistemas/ND
    WEG e Senior Sistemas lançam primeiro 'robô logístico' que usa IA e tecnologia 100% brasilera - Divulgação/Senior Sistemas/ND
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    Multinacional de SC adquire gigante americana por R$ 2 bilhões - WEG/Divulgação/ND
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    Multinacional de SC anuncia investimento milionário para expansão das atividades - WEG/Reprodução/ND
    Multinacional de SC anuncia investimento milionário para expansão das atividades - WEG/Reprodução/ND

Na WEG, a presidência não é uma posição hereditária nem restrita à família fundadora. O atual CEO, Alberto Kuba, por exemplo, iniciou sua trajetória como estagiário e acumulou experiência prática em diversas áreas antes de assumir o comando em 2024.

Cultura de meritocracia e simplicidade operacional

A WEG também mantém um sistema meritocrático. As promoções e o desenvolvimento dos colaboradores são baseados em resultados mensuráveis, que envolvem avaliações técnicas e comportamentais. Cerca de 80% dos cargos de liderança são ocupados por profissionais promovidos internamente.

“Para ter boa performance, tem que ser apaixonado. E na empresa, a gente tem que fazer os funcionários serem apaixonados pela empresa. E os clientes e os acionistas também”, contou o Décio da Silva, presidente do Conselho de Administração da WEG, durante entrevista ao podcast Academia Fiesc de Negócios.

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    WEG ocupa o 40º lugar no ranking - WEG/Divulgação/ND
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    Investimento milionário da WEG no Norte de SC fortalece produção de tintas industriais no Brasil - WEG/Divulgação/ND
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    Parque fabril da WEG em Itajaí - WEG/Divulgação/ND
    Parque fabril da WEG em Itajaí - WEG/Divulgação/ND

Apesar da complexidade tecnológica, a empresa prioriza soluções práticas e ágeis na execução das atividades. Segundo a companhia, isso garante eficiência e velocidade nas operações, contribuindo para a manutenção da competitividade no mercado global.

“As empresas que estão no círculo virtuoso dão um bom resultado, crescem, geram oportunidade. As pessoas ficam motivadas e isso retroalimenta o ciclo positivo. Já as que entram no círculo vicioso cortam investimento, reduzem a inovação e perdem competitividade”, destacou o presidente.

Investimento em inovação e educação

O investimento em inovação é outro fator de destaque, com aproximadamente 3% do faturamento anual destinados a pesquisa e desenvolvimento. A empresa também mantém parcerias com instituições locais, universidades e centros tecnológicos, reforçando seu compromisso com a capacitação contínua e a inovação.

Resultados financeiros e expansão da multinacional

Nos últimos cinco anos, a WEG apresentou um crescimento médio anual de 15,46%. Com cerca de 300 mil acionistas, a companhia se consolidou como uma das cinco mais valiosas da bolsa brasileira, um dos pilares de sua bem-sucedida expansão internacional.

“A motivação das pessoas é muito importante. O crescimento é o maior motivador que tem. Quem quer trabalhar numa empresa que não cresce?”, questionou Décio.

Com unidades industriais distribuídas pela América do Norte, Europa, Ásia e América Latina, a WEG também é um dos maiores exportadores do país.

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    WEG na China: multinacional vai investir US$ 62 milhões em novo prédio - WEG/Divulgação/ND
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    WEG assina compra de empresa de SC com receita de R$ 131 mi e filiais no Canadá e na Suíça - Montagem/ND
    WEG assina compra de empresa de SC com receita de R$ 131 mi e filiais no Canadá e na Suíça - Montagem/ND
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    Gigante dos motores em SC tem novo parque fabril em Portugal - WEG/Divulgação/ND
    Gigante dos motores em SC tem novo parque fabril em Portugal - WEG/Divulgação/ND

A “fábrica de bilionários” do Brasil

O sucesso da WEG vai muito além das máquinas industriais. A solidez dos resultados e o crescimento sustentado transformaram a empresa em uma verdadeira usina de fortunas. Tanto que ganhou o apelido de “fábrica de bilionários”.

Os descendentes dos três fundadores, o eletricista Werner Ricardo Voigt, o administrador Eggon João da Silva e o mecânico Geraldo Werninghaus, povoam a lista da Forbes.

Ao todo, 29 herdeiros ligados às famílias fundadoras possuem fortunas bilionárias, somando um patrimônio estimado em R$ 95,57 bilhões.

Em 2025, os irmãos Eduardo Voigt Schwartz e Mariana Voigt Schwartz Gomes, netos de um dos fundadores, assumiram a 3ª e 4ª posições do ranking da Forbes, com fortunas estimadas em R$ 8,5 bilhões cada.

Na 5ª e 6ª posições, aparecem empatadas Dora Voigt e Lívia Voigt, também netas do fundador Werner Ricardo Voigt. Cada uma acumula R$ 6,8 bilhões em patrimônio, crescimento expressivo em relação aos R$ 5,03 bilhões registrados por ambas em 2024.

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