Pandemia da Covid-19 acentua desigualdade social em Florianópolis

Região Metropolitana de Florianópolis apresenta índice de 0,566; apesar do cenário, a cidade catarinense segue como uma das menos desiguais do Brasil

Redação ND Florianópolis

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A pandemia da Covid-19 acentuou a desigualdade social em Florianópolis, especialmente entre o 2º trimestre de 2019 e o mesmo período de 2021. Apesar disso, a capital catarinense segue com a menor taxa do Brasil.

Florianópolis está no nível alto na matriz de risco estadual da Covid-19 – Foto: Leo Munhoz/NDFlorianópolis está no nível alto na matriz de risco estadual da Covid-19 – Foto: Leo Munhoz/ND

O cenário foi abordado pelo boletim de desigualdade nas metrópoles e mostra que o período da pandemia resultou em um forte aumento do coeficiente Gini na Região Metropolitana de Florianópolis. Neste período, apresentou a maior elevação registrando 8,9%.

Florianópolis apresenta o segundo índice entre os estados do Sul do Brasil – Foto: Observatório das Metrópoles/Reprodução/NDFlorianópolis apresenta o segundo índice entre os estados do Sul do Brasil – Foto: Observatório das Metrópoles/Reprodução/ND

Vale ressaltar que o coeficiente de Gini mede o grau de distribuição de rendimentos entre os indivíduos de uma população, variando de zero a um.

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O valor zero representa a situação de completa igualdade, em que todos teriam a mesma renda, e o valor um representa uma situação de completa desigualdade, em que uma só pessoa deteria toda a renda.

Dessa forma, é possível comparar a desigualdade de renda entre dois momentos ou locais a partir desse coeficiente. Conforme o boletim, a região catarinense registra 0,566.

Vale destacar que o momento é o pior desde o 4º trimestre de 2012. Além disso, apenas entre 2012 e 2013 Florianópolis não apresentou o menor índice. Por outro lado, este número deixa a cidade como a segunda região menos desigual do Brasil ficando atrás apenas do Macapá (0,585).

Além disso, a capital faz parte do grupo onde a renda média domiciliar per capita no 4º trimestre de 2021 foi superior à renda registrada no 4º trimestre de 2019.

Na ocasião, Florianópolis apresentou uma renda de R$ 2.090 em 2021 e R$ 1.967 em 2019.Ou seja, uma diferença de R$ 123. Além disso, a região catarinense é a 2ª com o menor percentual de indivíduos vivendo em domicílios com rendimento per capita de até 1/4 do salário mínimo no 4º trimestre de 2021, sendo apenas 17,2% e atrás de Curitiba com 16,6%.

Procurada pela reportagem do ND+, a prefeitura de Florianópolis afirma que entende o cenário apontado pelo coeficiente, especialmente durante a pandemia da Covid-19.

“Mesmo com ações em diferentes frentes para mitigar os efeitos do período na cidade, a Capital não deixou de ser impactada pelo cenário de crise econômica que atingiu todo o Brasil, situação que refletiu nas condições de renda dos cidadãos do País”, aponta a prefeitura.

Como forma de mitigar a situação, informou que está realizando um trabalho de encaminhamento para benefícios, acesso a serviços de complementação de renda e estratégias para melhoria das condições de cidadania.

Confira a nota da prefeitura de Florianópolis na íntegra:

A Prefeitura de Florianópolis entende que o cenário apontado pelo coeficiente demonstra uma variação significativa que pode ter sido influenciada, principalmente, pela pandemia da Covid-19. Mesmo com ações em diferentes frentes para mitigar os efeitos do período na cidade, a Capital não deixou de ser impactada pelo cenário de crise econômica que atingiu todo o Brasil, situação que refletiu nas condições de renda dos cidadãos do País.

É importante informar ainda que, mesmo com o aumento do índice identificado pela pesquisa, o resultado mais recente mostra que Florianópolis teve um dos três menores aumentos do coeficiente entre as regiões analisadas pelo estudo. Em 2019, antes da situação de emergência global, a Capital catarinense tinha atingido o melhor resultado em oito anos, com o índice de 0,422.

Com o intuito de reduzir essas disparidades, a Prefeitura de Florianópolis realiza um amplo trabalho junto à problemática por meio de diferentes medidas: encaminhamento para benefícios, acesso a serviços de complementação de renda e  estratégias para melhoria das condições de cidadania, no que diz respeito ao mercado de trabalho, educação, saúde e bem-estar social. Vale acrescentar que em 2021 a Capital foi a maior geradora de empregos em Santa Catarina.