Pedidos de recuperação judicial e de falência no Brasil têm pior índice em 3 anos, diz Serasa

Dados referentes ao primeiro semestre de 2023, divulgados pela Serasa Experian, revelaram aumento de 52% nos pedidos de recuperação judicial

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R7 São Paulo

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No primeiro semestre de 2023, foram registrados 593 pedidos de recuperação judicial no Brasil. Os dados foram divulgados pela Serasa Experian e apontam um crescimento de 52,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Na ocasião, de acordo com a companhia, os pedidos alcançaram 390 requerimentos no período. As informações são do R7.

No primeiro semestre de 2023, foram registrados 593 pedidos de recuperação judicial no BrasilNo primeiro semestre de 2023, foram registrados 593 pedidos de recuperação judicial no Brasil. – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Ainda, conforme a Serasa esse é o maior número em três anos, o que reforça a preocupação com altas taxas de juros. Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, existe uma grande dificuldade das empresas de manter as contas em dia.

“Há uma dificuldade das empresas em manterem as contas em dia e isso inclui renegociar com os credores, algo que impacta diretamente na sobrevivência dos negócios”, aponta.

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Ainda conforme o economista, a desaceleração econômica também é sentida na dificuldade de geração de caixa das empresas e faz com que seja necessária uma atenção maior na sua gestão.

Aumento do número de empresas que decretaram falência

Já o número de pedidos de falência atingiu 546 no primeiro semestre de 2023, conforme os dados da Serasa. Esse valor representa uma alta de 36,2% em relação ao ano anterior.

“Este foi o pior número dos últimos três anos e é fruto da alta da inadimplência das empresas, que alcançou 6,48 milhões companhias em maio”, afirma Luiz Rabi.

Já o número de pedidos de falência atingiu 546 no primeiro semestre de 2023, conforme os dados da Serasa. – Foto: Serasa Experian/Divulgação/NDJá o número de pedidos de falência atingiu 546 no primeiro semestre de 2023, conforme os dados da Serasa. – Foto: Serasa Experian/Divulgação/ND

Essa condição afeta empresas de todos os portes, contudo as microempresas e as empresas pequenas são responsáveis pela maior parte desses pedidos de recuperação, com 376 dos pedidos. Na sequência, aparecem as médias empresas com 155 e as grandes empresas com 62 pedidos.

Já na divisão por setores, companhias de serviços tiveram a maior parcela, com 261. Logo atrás aparece comércio com 168 pedidos, indústria com 112 pedidos e o setor primário com cerca de 52 solicitações de recuperação.

Os dados da Serasa também revelam que a maioria dos requerimentos de falência veio de micro e pequenas empresas com 303 pedidos, depois médias empresas com 129 e grandes empresas com 114. Os setores se dividiram entre serviços com 220, indústria com 172, comércio representando cerca de 150 e setor primário com 4.

Os dados da Serasa revelam que a maioria dos requerimentos de falência veio de micro e pequenas empresas com 303 pedidos. – Foto: Serasa Experian/Divulgação/NDOs dados da Serasa revelam que a maioria dos requerimentos de falência veio de micro e pequenas empresas com 303 pedidos. – Foto: Serasa Experian/Divulgação/ND

Para o advogado Filipe Denki, especializado em direito empresarial e recuperação judicial, a crise econômica motivada pela pandemia da Covid-19, a retração do PIB (Produto Interno Bruto), a alta taxa de juros praticada no país e o comportamento da inflação levaram a esse cenário.

“O aumento nos pedidos de recuperação judicial tem atingido não só grandes empresas, mas também as corporações de todos os portes nos mais variados segmentos e ramos de atuação”, afirma Denki.

O especialista destaca que esse crescimento dos pedidos de recuperação judicial trará impactos negativos à economia brasileira.

“Os pedidos de recuperação judicial que estavam represados durante os primeiros anos de pandemia agora estão sendo propostos; somente no mês de maio tivemos um aumento de 105,2% se comparado ao mesmo período do ano passado”, ressalta o advogado.

Para o segundo semestre, o advogado acredita que novos pedidos dessa natureza devam ser apresentados se esse contexto econômico permanecer.

Atualmente a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75%, desde agosto do ano passado. Com a queda da inflação, a projeção é que ocorra um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, no começo de agosto.

Diferença entre falência e recuperação judicial

Os pedidos de falência costumam acompanhar os de recuperação judicial e refletem dificuldades financeiras. Normalmente, a falência é usada como instrumento de pressão. Uma empresa pede a falência de outra, da qual é credora, para receber o que lhe é devido.

Mas também há casos nos quais esse instrumento jurídico é usado como medida extrema. O primeiro estágio é a companhia ficar inadimplente.

O segundo se dá quando a companhia pede recuperação judicial. Isto é, quando consegue a proteção da Justiça para negociar as dívidas e os prazos para pagamento.

O terceiro estágio acontece quando não há mais alternativas, e a falência é decretada.

*Com informações do portal R7.

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