Quem passa de longe já percebe toda a movimentação do Mercado do Peixe de Itajaí: caminhões descarregam caixas de pescados, comerciantes se movimentam para ganhar a clientela, e clientes buscam ali manter viva a tradição de colocar o pescado à mesa.
Pedrinho é vendedor há 35 anos e segue a tradição do pai e do avô – Foto: Kassia Salles/NDNão é atoa que quem nasce em Itajaí leva o gentílico informal de peixeiro. Afinal, são 162 anos de história que gira em torno do produto que vem do mar e do rio. Não é só a economia do município que se fortalece com o pescado: a venda também é tradição e está presente há gerações na família do Pedro Paulo Garcia, ou melhor, o Pedrinho.
Pedrinho é dono do box 6 do Mercado do Peixe do Centro há cerca de 35 anos, mas o mesmo box já foi do pai e do avô, Fernandes Garcia. Seu Fernandes foi um dos primeiros comerciantes de pescado da cidade, e já vendia o produto antes até do Mercado ser na Praça Felix Busso Asseburg. Na década de 1920, quando o avô de Pedrinho começou, o centro comercial era onde hoje é a sede da Marinha do Brasil, à beira do Rio Itajaí-Açu.
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Tradição do pescado movimenta a economia itajaiense há 162 anos – Foto: Kassia Salles/NDEle aprendeu tudo que sabe com a família, que vive do comércio do peixe desde aquela época. Conhece todos os pescados, modos de preparo ideais para cada tipo, sabe limpar o peixe e vendê-lo como poucos. “Eu gosto de me comunicar, de ensinar e de aprender também”, conta.
Da lembrança, puxa um passeio que veio com a turma da escola visitar o Mercado. Tinha por volta de 10 anos, e mal podia ver por cima dos altos balcões dos boxes. Mas viu o avô trabalhando, como sempre fazia. Viu também o comércio de tudo que se podia imaginar no Mercado.
Segundo o portal turístico de Itajaí, o Mercado Público, que fica ao lado do Mercado do Peixe e hoje é um restaurante, foi inaugurado em 1917. Lá, se vendia de tudo: de comida até porcos. Os sons, as vozes, e as pessoas, ainda continuam na memória de Pedrinho.
O box 6 é dos Garcia desde a década de 1920 – Foto: Kassia Salles/NDSegundo o secretário de Pesca de Itajaí, Rodrigo Silveira, a cadeia produtiva do peixe é a segunda maior geradora de renda da cidade, atrás apenas do Porto de Itajaí. Vai além do pescador: envolve indústria, transporte, e, é claro, a venda.
“Eu amo trabalhar com isso. Peixe é vida. Eu criei meus filhos e meus netos para amarem o pescado como eu amo. Se eles vão seguir no comércio, eu não sei. Mas eu vou”, finaliza Pedrinho.